Papai Noel

Não apenas o andar de em cima produz boas graças no Natal. Um empresário matogrossense radicado no Rio há longos anos relata a esta coluna experiência que merece ser compartilhada com nossos pacientes leitores. Um dia depois de perder a carteira na praia, repleta de documentos, cartões de crédito e US$ 200, recebeu telefonema de um morador do Vidigal informando que a encontrara. Os longos minutos consumidos rodando de táxi pelas ruelas da favela para encontrar a casa do morador foram largamente compensados. Não apenas sua carteira lhe foi devolvida 100% intacta – incluídos aí os cartões de crédito e os dólares – como o morador, um veterano alfaiate, se recusava a receber qualquer recompensa. O empresário, que já contabilizava a trabalheira para pôr em dia a papelada, não só fez questão de dolarizar um pouco a vida da favela, como, sensibilizado pelo gesto, deixou também o relógio para selar seu agradecimento.

Privilégio
O Banespa, agora controlado pelo Santander, terá seis meses para transferir para a Nossa Caixa os depósitos judiciais – estimados pelo Sindicato dos Bancários em R$ 3 bilhões. Apesar da facilidade do parcelamento, o tratamento dado ao Banespa é menos privilegiado que o oferecido pelo Governo do Rio ao Banerj. Apesar de privatizado há três anos, o antigo banco estadual ainda guarda um valor não revelado em depósitos judiciais, que só deixarão os cofres quando as causas que os originaram forem julgadas. Apenas os novos depósitos não são mais feitos no Banerj, indo para o Banco do Brasil.

Registro
Esta coluna, no dia 2 de novembro, foi a primeira a noticiar que a Petrobras estudava a troca de nome e logotipo. Foi a primeira, também, a apontar os prejuízos – para o país e para a empresa – com essa mudança.
O “x” da questão
Independentemente de críticas de natureza econômica ou ideológica, o novo nome fantasia da Petrobras – Petrobrax – parece marca de posto de gasolina da Xuxa.

“Bill”
Dezoito nações em desenvolvimento, cujas economias cresceram recentemente, entre as quais o Brasil, a Coréia do Sul e Cingapura, vão pagar o pato, ou melhor, a conta do rombo provocado pela redução da contribuição dos Estados Unidos à ONU. Esses países terão que pagar valores maiores à ONU, noticiou o Los Angeles Times. Depois de uma batalha de um ano, a Assembléia Geral da ONU decidiu reduzir o pagamento que os EUA devem à entidade, compensando a diferença com a cobrança de valores mais altos a países em desenvolvimento com economias em expansão. Infelizmente, o poder dessas 18 nações na organização mundial não vai subir proporcionalmente à contribuição.

Numerologia
Até para manter a coerência do argumento de que a transformação da Petrobras em Petrobrax soa melhor aos ouvidos do mercado internacional, o presidente da empresa, Henri Philippe Reichstul, deveria mudar seu nome, pelo menos como pessoa jurídica, para Felipe Ray. A coluna também aguarda sugestões para a decodificação do diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, David Zylbersztajn. Que tal David Z?

Causas
Um defeito de válvula pode não ter sido a causa do naufrágio do submarino Tonelero. Especialistas do setor naval não descartam as hipóteses de vazamento na manga de um dos eixos propulsores ou de vazamento no tubo de torpedos de ré. Nos dois casos, o efeito seria o submarino afundar pela popa. Uma resposta definitiva só depois de esgotar o casco alagado e içar o navio do fundo.

Pelo ralo
Profissionais especializados na área tributária afirmam que pelo menos uma grande empresa de telefonia já ficou um ano sem pagar Imposto de Renda em função da privatização à tucana que garante às empresas o direito de abater da base de cálculo do IR o ágio pago na compra de estatais. A empresa ainda estaria com reserva para deixar de pagar mais. Pelo visto, a necessidade de estipular fonte de recursos só vale para o aumento do salário mínimo, sem atingir a renúncia fiscal para a turma da boca rica das privatizações.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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