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quinta-feira, janeiro 21, 2021

Papel da Globo ainda precisa ser apurado

Na entrevista que concedeu a Mariana Godoy na RedeTV!, na última sexta-feira, a jornalista Mirian Dutra, ex-amante de Fernando Henrique Cardoso, esbanjou sorrisos amarelos, repetiu ser uma mulher independente e tergiversou a maior parte das perguntas, com a complacência da entrevistadora. Mas algumas questões levantadas pelo repórter Mauro Tagliaferri, também no estúdio, e a disposição de Mirian em falar nas entrelinhas permitiram extrair algumas novidades e confirmar suspeitas. Uma delas sobre o papel da Globo no caso.

A jornalista garantiu que não foi mandada para fora do Brasil, que a decisão foi dela, “única e pessoal”, porque achou melhor criar os dois filhos – um seria de FHC – no exterior devido à turbulenta situação política e econômica: “Era o impeachment do Collor.” Mais adiante, Mirian afirmou que nunca foi pressionada pela TV Globo para sair do país ou encerrar a carreira. Mas reconheceu que não conseguia emplacar uma pauta na Globo e suspeitava que estava sendo escondida: “Eu comecei a estranhar um monte de coisa. Mas entre você pensar e você afirmar são duas coisas completamente diferentes. (…) Você podia imaginar que a sua presença no Brasil não seria muito agradável, mas nunca ninguém falou nada disso comigo.”

Como Mirian saiu do país e foi parar como correspondente da Globo em um posto em Barcelona que não existia antes de sua chegada não foi explicado, nem perguntado. Por que a rede dos Marinho pagaria polpudos euros a uma jornalista para ficar na Europa sem levar ao ar suas matérias, é assunto para a Polícia Federal descobrir. Se houve algum crime, pode não ter prescrito, já que o contrato entre Mirian e a emissora vigorou até dezembro do ano passado.

A jornalista revela poucas coisas mais. Uma delas é que, apesar de seu apartamento em Barcelona ter sido comprado, segundo ela, com seu salário, com financiamento bancário de 100% do valor, admite que o senador José Serra (junto com Gregório Preciado, casado com uma prima do tucano e seu ex-sócio) teria “fiscalizado” as obras de reforma, após a compra. A confirmação foi feita após pergunta se FHC teria bancado a reforma – mais uma questão que ficou no ar.

Mirian Dutra afirmou que a entrevista à colunista Mônica Bergamo, publicada no Painel da Folha de S.Paulo somente este ano, fora feita em 2003. E que falou na época – em que talvez também tenha passado à colega os documentos com a Brasif, que teria sido usada pelo ex-presidente para enviar dinheiro a Mirian – porque “tinha medo que pudesse acontecer alguma coisa” com ela e nada fosse divulgado. “Então ficou um arquivo.” Em outra ocasião, porém, a ex-amante de FHC disse que nada temia.

No mais, sobraram evasivas e a certeza de que há mais por revelar: “Se houve este contrato (com a Brasif), eu sinceramente não lembro”. Sobre o aparecimento no escândalo Panama Papers de offshores ligadas a Fernando Henrique Cardoso e dois de seus filhos, disse nada saber. Sobre como recebia dinheiro enviado por FHC, afirmou que eram de várias formas, mas não se lembrava porque foi “há muito tempo”.

Bate que ele cresce

Na consulta espontânea sobre qual o melhor presidente que o Brasil já teve, Lula foi citado por 40%, índice superior ao registrado em março (35%) e similar ao observado junto à população em novembro de 2015 (39%).

O petista tem vantagem significativa sobre Fernando Henrique Cardoso, indicado como melhor presidente por 14% dos brasileiros (em março, obteve 16%). Em seguida aparecem Getúlio Vargas (7%), Juscelino Kubitscheck (5%), José Sarney (2%), Itamar Franco (1%), João Baptista Figueiredo (1%), Fernando Collor de Mello (1%) e Jânio Quadros (1%). Dilma vem neste bolo, também com apenas 1% das preferências.

Lula é como o bolo da vovó, quanto mais bate mais cresce”, ironiza o coordenador do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella.

Não está fácil para ninguém

A tradicional construtora carioca Carvalho Hosken, apesar de ligada às obras das Olimpíadas, está dispensando 50 funcionários. As vendas dos apartamentos da Cidade Olímpica não decolaram.

Rápidas

O ex-ministro Celso Amorim faz a palestra “Política externa, soberania e democracia”, nesta terça-feira, ás 18h, no Ifics da UFRJ (Largo de São Francisco, Centro do Rio de Janeiro) *** Também nesta terça, acontece o Simpósio sobre Fundos de Previdência Complementar Fechada e Planos de Saúde no Brasil, no Clube da Aeronáutica (Praça Marechal Âncora nº 15 – Centro – Rio de Janeiro – RJ). Entre os nomes confirmados estão Antonio José de Carvalho, membro do Conselho Deliberativo da Previ, e Ronaldo Tedesco, presidente do Conselho Fiscal da Petros *** Ainda nesta terça, às 12h30, o Música no Museu leva Rildo e Patrícia Hora ao Teatro Sesi (Avenida Graça Aranha, 1, Centro, Rio de Janeiro – RJ) *** O jornalista Rodolfo Schneider, diretor de jornalismo da Band, ministrará a aula aberta do curso de Jornalismo da Facha, dia 18, às 19h *** O I Simposio Nacional de História Militar será realizado no Rio de Janeiro, de 26 a 28 de abril, no Museu Naval. Inscrições: snhmi2016@gmail.com

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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