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quarta-feira, janeiro 20, 2021

Para fora

A indústria têxtil fechou o primeiro trimestre deste ano com exportações acumuladas de US$ 343,5 milhões, o que representa um aumento de 22,2% se comparado com o mesmo período do ano passado. No mês de março as exportações cresceram 28,2% em relação a março de 2002, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). O superávit acumulado nestes três primeiros meses é quase nove vezes maior que o de igual período no ano passado. Segundo o presidente da Abit, Paulo Skaf, a tendência é de um crescimento ainda maior, principalmente depois do anúncio da liberação de US$ 1 bilhão para financiar empresas exportadoras.

Vox populi
Apresentada de afogadilho pelo PT que na oposição, por bravata ou princípios, sempre a combateu, a mudança das regras do jogo na Previdência Social pode ir ao voto popular, caso o partido acolha proposta do deputado Roberto Gouveia (PT-SP). Gouveia apresentou, esta semana, à mesa da Câmara dos Deputados, o Projeto de Decreto Legislativo 46/03 propondo a realização de consulta popular sobre o futuro do regime de Previdência Social.
A consulta popular, que poderia se dar sobre a forma de plebiscito ou referendo, opinaria sobre quatro possibilidades. A primeira, em regime único, teria regras iguais para trabalhadores da iniciativa privada, servidores civis e militares, juízes, membros do Ministério Público e parlamentares. Na segunda, apenas os militares ficariam excluídos do regime único. A terceira, além dos militares, excluiria os juízes e membros do Ministério Público do regime único. E a quarta, garantiria a manutenção dos atuais regimes de previdência. O plebiscito perguntaria também sobre o teto de benefícios do regime básico, oferecendo três opções: R$ 2,4 mil, R$ 3,6 mil e R$ 4,8 mil.
Para o deputado petista, as modificações na Previdência são tão importantes para a vida dos cidadãos “que se apresentam como caso exemplar em que se deve ouvir a opinião popular”.

Ouvir as bases?
O deputado, que apresentou a proposta ao ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, durante audiência pública na Comissão Especial que estuda o assunto na Câmara, garante ter recebido o apoio do ministro. Ainda de acordo com Gouveia, Berzoini afirmou que “a consulta popular não atrasaria a reforma, prevista para chegar ao Congresso até o fim deste mês”. Apoio garantido, o governo poderia ouvir o eleitorado que, entre outras razões, votou em Lula pela dura posição do PT à “reforma” da Previdência do presidente FH.

Limites
Do presidente nacional da CUT, João Felício, criticando o teto de R$ 2,4 mil para o regime único de aposentadoria proposto pelo governo: “Se é inaceitável ter aposentadorias monstruosas, de R$ 10 mil, R$ 20 mil, também é inaceitável ter uma aposentadoria de R$ 240. O teto de R$ 4,8 mil está de acordo com a realidade brasileira”, defende Felício, para desagrado dos fundos de previdência privada de olho no espólio da aposentadoria pública decente.

Opera
O avanço de Petrobras PN no pregão de quinta-feira, quando fechou a R$ 47,50, voltou a aguçar a curiosidade sobre os próximos movimentos dos que vêm impedindo a cotação do papel de ultrapassar a barreira de R$ 50. Vão voltar a realizar lucro nesta terça-feira e derrubar o valor da ação ou permitirão o papel deslanchar?

Novo mercado
A participação do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga numa das próximas edições do programa Casseta & Planeta, da TV Globo, divide opiniões no mercado financeiro. Luiz Antonio Vaz das Neves, diretor da corretora Planner, por exemplo, teme que Fraga corra o risco de “cair no ridículo, num programa de gosto duvidoso para um ex-presidente do BC”. A valer, porém, a admiração de integrantes e redatores do programa pelas idéias tragicômicas do tucanato, a participação de Fraga está mais próxima de servir de propaganda da empresa de administração de recursos de terceiros que abrirá nos próximos meses em São Paulo. Pena que os efeitos sobre as vítimas da política de juros astronômicos de Fraga não se limitem a uma hora de programa de TV.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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