Para poucos

Além de favorecido pelo efeito estatístico – proporcionado pela fraca base de comparação do primeiro trimestre de 2003 – o crescimento de 2,7%, entre janeiro e março deste ano está concentrado em apenas 6% das empresas. O cálculo consta de levantamento do vice-presidente da Associação Brasileira dos Analistas de Mercado de Capitais (Abamec), Carlos Antonio Magalhães, sobre o balanço das empresas de capital aberto. Magalhães adverte ainda que, no segundo trimestre, com a desvalorização do real, a situação das empresas deve ser deteriorar ainda mais, inclusive das exportadoras endividadas em dólar.

Sangue novo
Num governo cujos ministérios estão paralisados por falta de dinheiro, soa, no mínimo, estranha a comemoração da equipe econômica com o superávit primário (economia para pagar juros) de R$ 32,429 bilhões até abril, quase igualando a meta exigida pelo acordo com o FMI, de R$ 32,6 bilhões, para o primeiro semestre. Com o dinheiro economizado para se esterilizado com pagamento de juros, o governo poderia elevar em 131,8% o orçamento de, R$ 24,6 bilhões, da Saúde para este ano, ainda que fosse necessário abater comissões para eventuais remanescentes da Máfia da Saúde, ainda não atingidos pela Operação Vampiro.

Barrados no baile
“Pseudo-euforia” é como o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Rio de Janeiro, Roberto Kauffmann, chama o oba-oba ocorrido após o anúncio do crescimento do PIB no primeiro trimestre (2,7% superior ao de igual período em 2003). O setor da construção civil registrou a perda histórica de 8,9% em 12 meses. “Se não registrássemos essa perda, o crescimento, no cômputo geral, seria maior, pois a construção civil representa 60% da formação bruta de capital”, ressalta. Só a construção não cresceu no setor industrial. No comparativo de 1999 a 2003, enquanto a participação da indústria no PIB nacional subiu de 35,6% para 38,7%, a construção civil caiu de 9,4% para 7,1%.
Encolhe
Um dado que chama a atenção nos números do IBGE é o aumento da participação da indústria no PIB nos últimos cinco anos. Entre 1999 e 2003, a participação da indústria no PIB passou de 35,6% para 38,7%. No mesmo período, o peso da construção civil, porém, desabou de 9,4% para 7,1%, com queda mais acentuada entre 2002 e 2003, quando recuou de 8% para 7,1%. Com o setor é intensivo em mão-de-obra, seu declínio ajudou a atender o expressivo aumento do desemprego no período, quando atingiu níveis de tragédia nacional.

Caindo na real
A divulgação de que o desemprego no país bateu novo recorde em abril, de 13,1%, não deve desanimar de todo os sem-emprego brasileiros. Caso não sejam favorecidos pelos sólidos fundamentos da política econômica do ministro Palocci, sempre é possível conseguir alguma vaga na série “Mapa do emprego” da TV Globo.

Polissêmico
O diretor do Instituto de Economia da UFRJ, João Sabóia, considerou “muito interessante” a declaração do presidente Lula em defesa da adoção de uma meta para o crescimento do país: “Já temos meta para o superávit primário (economia para pagar juros) e para a inflação. É justo que o crescimento do PIB esteja previsto oficialmente, e não de forma residual como atualmente. Isso dá mais segurança aos investimentos produtivos”, avalia.

Lavagem
Prevenção do crime de lavagem de dinheiro será o tema de palestra que a deputada Denise Frossard (PSDB-RJ) fará no próximo dia 4 na Associação e Sindicato dos Bancos do Rio de Janeiro. Funcionários de instituições financeiras têm a obrigação de conhecer as normas estipuladas pela Lei 9.613, de 3/3/1998, do Banco Central. A palestra da juíza que colocu na cadeia bicheiros do Rio começa às 15h30. Inscrições (grátis) pelos telefones (21) 2203-2188 ou 2253-1538.

Pelo ladrão
O comentário é de um maldoso de plantão: “Pelo furor com que um “jornalão” se lançou contra a Cedae, será que tem algum órgão de mídia com a conta de água atrasada?”

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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