Parada brusca das compras de ativos é improvável, diz BCE

Internacional, Mercado Financeiro / 14:26 - 20 de out de 2016

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O conselho diretor do Banco Central Europeu (BCE) não discutiu, na reunião desta quinta-feira, a possível extensão do prazo do programa de compra de ativos ou a maneira com que esse programa será interrompido, no entanto, o fim do pacote de estímulo não deve acontecer de forma abrupta, afirmou o presidente do BCE, Mario Draghi. Nos últimos dias, o mercado vem especulando que o BCE já avalia o chamado “tapering”, ou seja, a redução gradual das compras de ativos, que atualmente estão em 80 bilhões de euros por mês. Para que esse montante se reduza aos poucos, o banco provavelmente teria que ampliar o prazo do programa para além de março de 2017. “Nós não discutimos o tapering ou o horizonte das compras de ativos, mas uma parada abrupta é improvável”, disse Draghi em coletiva de imprensa. O presidente do BCE reconheceu que o programa de compra de ativos não pode continuar para sempre, mas reafirmou a importância das condições monetárias acomodatícias para apoiar a recuperação econômica e impulsionar o retorno da inflação à meta de 2% ao ano. De acordo com Draghi, os membros do conselho se atualizaram na reunião de hoje sobre o trabalho dos comitês técnicos, que estão estudando opções para garantir a implementação tranquila do programa de ativos até março de 2017, lembrando que o programa pode ser estendido por mais tempo se necessário. Ele também afirmou que opções estão sendo criadas por esses comitês para driblar a escassez de títulos. O BCE adota a regra de não comprar títulos com yield inferior à taxa de depósitos, que hoje está em -0,4%. No entanto, os yields de alguns papéis já caíram abaixo desse patamar, reduzindo o escopo disponível ao BCE e criando o risco de que o banco não tenha ativos suficientes para cumprir a meta mensal de aquisições. “Discutimos opções para o caso de sermos confrontados com a falta de títulos em algumas jurisdições”, afirmou ele. “Mas a escassez de títulos não é um problema atualmente”. Juro zero O BCE manteve a taxa básica de juros dos países que compõem a Zona do Euro em zero, a taxa de depósitos em -0,4% ao ano e a taxa da linha mantida com bancos comerciais para concessão de liquidez de curto prazo em 0,25% ao ano. O BCE também não alterou o volume do programa de compra de ativos públicos e privados, que está em 80 bilhões de euros ao mês. Sobre o prazo deste programa, o BCE reiterou que as compras serão mantidas pelo menos até o fim de março de 2017, mas podem ser estendidas se necessário. “Em todo caso, [as compras serão feitas] até que vejamos um ajuste sustentado na trajetória da inflação, consistente com a meta” de 2% ao ano, diz o comunicado.

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