Paranóia?

O alvoroço causado pela informação de que o painel eletrônico de votação do Senado é passível de fraude pode ser café pequeno se os estudos sobre as falcatruas possíveis na urna eletrônica tivessem a mesma divulgação. O alerta é do perito judicial Cláudio Andrade Rêgo, um dos principais críticos do sistema de segurança das urnas. Ele aponta, entre outros riscos inerentes ao sistema, a possibilidade de identificar o voto, já que o número do título eleitoral é digitado na mesma máquina que colhe o voto e em processo contínuo o desvio de voto, que é guardado apenas na memória da máquina, podendo o programa ali embutido, “por imperfeição, falha ou malícia”, encaminhá-lo incorretamente; e, principalmente, a impossibilidade de auditoria do voto, devido à inexistência de auditagem no meio magnético puro (sem impressão em papel). Rêgo defende que seria necessário abranger todas as máquinas, programas e processos pelos quais os dados foram manipulados, o que é tecnicamente impossível, no mínimo pela limitação de tempo.
Solitário
Para reforçar sua cruzada contra o atual sistema, o perito afirma que, embora, desde 1996, tenham sido oferecidas a 45 outros países, as urnas eletrônicas usadas no Brasil não foram adotadas por nenhum deles.

Dois pesos
Estranha-se a discreta repercussão do acidente ecológico em Paulínia (SP) em alguns “jornalões” sempre prontos para empunhar a bandeira de defensores do meio ambiente. Talvez a explicação seja que o acidente não envolva a Petrobras, mas a multinacional Shell.

Cartão amarelo
A CBF fez doações, inclusive para campanhas eleitorais, que, segundo a CPI da Câmara, totalizaram R$ 5,1 milhões em 1998, ano em que a entidade teve um prejuízo de R$ 15,1 milhões. A revelação foi feita durante depoimento do presidente da entidade, Ricardo Teixeira, à CPI da CBF/Nike. Além de chamarem a atenção pelas cifras, as doações não condizem com a situação financeira relatada por Teixeira em depoimento à CPI do Futebol, no Senado, em dezembro do ano passado. Na ocasião, o dirigente da CBF declarou que precisou recorrer a empréstimos no exterior para cobrir o déficit da entidade.

Lixo
Os sindicatos de garis do país desmentem, enfaticamente, que o (ainda) ministro da Integração Nacional,  Fernando Bezerra, seja filiado à categoria.

Imprensa
O professor de Economia, Carlos Lessa, presidente do Conselho Editorial do MONITOR MERCANTIL, é um dos três conferencistas hoje na festa de comemoração dos 93 anos de fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Ele fala da “Globalização e o Papel da Imprensa”, às 15h, na sede da Araújo Porto Alegre, 71. O presidente da ABI, Fernando Segismundo, recebe ainda o jornalista Friz Utzeri (“Ética e Responsabilidade Social no Jornalismo”) e a doutora em Sociologia Silene de Moraes Freire (“O Panorama Político Nacional e a Mídia”). A data de aniversário foi dia 7 e comemoração atendeu a agenda dos palestrantes.

Síria
Parte das comemorações da Data Nacional da República Árabe da Síria, será entregue, no próximo dia 16, a Medalha de Mérito Pedro Ernesto ao arcebispo Dimitrios Hosni, líder espiritual da comunidade ortodoxo-antioquina. A cerimônia, iniciativa do vereador Sami Jorge Haddad (presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro) será no Plenário Teotônio Villela, às 18h30.

Mil e uma utilidades
A súbita alta na taxa de corrupção na Sudam admitida pelo próprio ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, de R$ 180 milhões para R$ 1,7 bilhão, em apenas um mês, mostra que a instalação da CPI da Corrupção também poderia trazer ganhos fiscais inimagináveis. Para além de ser dez vezes maior que a farra de Lalau & Cia com dinheiro das obras do prédio do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP), a fraude já confessada equivale a 5,78% da meta do superávit primário (exclui gastos com juros), de R$ 29,4 bilhões, acordada com o FMI para este ano.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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