Paraquedista

O oportunismo com que o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) Mohamed ElBaradei desembarcou no Egito, para, surfando na ebulição da revolução local, se oferecer para ser o futuro líder do país só é comparável à ligeireza com que as agências internacionais de notícias, secundadas por seus satélites em outras partes, insistem em apresentá-lo “como principal líder da oposição”. O fato de ElBaradei apenas ter recém-chegado ao Egito enquanto a oposição se vias às voltas com a brutal repressão da ditadura de Hosni Mubarak não é obstáculo para mídia monopolista forjar mais um dos seus “campeões da liberdade”.

Óleo de peroba
O que é mais vergonhoso? O nível dos serviços do Galeão ou o governador do estado, Sérgio Cabral (PMDB),  juntar-se aos setores privatistas da imprensa local, que, deliberadamente, transformou o índice de eficiência econômica divulgado pela Anac – no qual terminal internacional carioca ficou em último lugar – num ranking de qualidade na prestação de serviços aos consumidores? Ninguém duvida que o Galeão, a exemplo de toda a infra-estrutura nacional vitimada pelas políticas de cortes de gastos públicos para cevar os rentistas, precisa de melhorias, mas, certamente, elas não viriam da transferência do patrimônio público para as mãos de empreiteiras, cujo padrão de eficiência é mais apreciado por certos políticos do que os contribuintes brasileiros.  

Avanço chinês
Matéria publicada num “jornalão” paulista sobre “crise no Mercosul” provocou a reação de um economista e especialista em relações internacionais: “Acho inadequado denominar o fenômeno corretamente analisado na matéria como sendo a “crise” do Mercosul. Os números expressam fato sobejamente reconhecido, do avanço do comércio chinês/asiático em todas as partes do mundo, inclusive de sua parte desenvolvida. Não se trata de uma falha institucional intra Mercosul, e sim uma avalancha externa de crédito e preços altamente competitivos dos produtos chineses em quase todos os setores. E mais com contrapartida nas exportações dos países da região para a China. O lamentável é que são exportações de baixo valor agregado”, avalia.

Apoio
Quase metade do novo Congresso Nacional (49%) é a favor da redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, como reivindicam as centrais sindicais, contra 31% dos deputados e dos senadores da nova legislatura contrários à diminuição da carga horária. E 20% não souberam responder ou não têm opinião sobre o assunto. Os dados são do estudo Mídia & Política, do Instituto FSB Pesquisa junto a 340 parlamentares (307 deputados federais e 33 senadores de todos os 21 partidos com representação no Legislativo). O universo representa 57% do Congresso Nacional, que iniciou os trabalhos nesta terça-feira.

Censura
Embora, o Ministério da Previdência tenha passado, corretamente, a divulgar de forma isolada os dados relativos às aposentadorias urbanas e rurais, o cartel que controla a mídia tupiniquim decidiu ignorar a nova metodologia. O objetivo, ao perseverar na fábula do “déficit” previdenciário é estimular a venda dos planos de previdência privada.

Padrão BC
Se a fiscalização do Banco Central demora o tempo que levou para detectar um rombo de R$ 2,5 bilhões num banco do tamanho reduzido do Panamericano e não percebe esse déficit saltar para R$ 4 bilhões, imagine que tipo de garantias têm os  correntistas de grandes instituições, que, por ventura, venham a enfrentar problemas semelhantes.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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