Paraíso

Ao anunciar ontem oficialmente que tem provas de que o Dossiê Cayman é falso, a Polícia Federal apenas confirma o que já era conhecido por nove em cada 10 brasileiros bem informados. Como informou esta coluna, a divulgação do dossiê só serviu para desviar atenção e minar a veracidade das fitas que envolviam o Governo FH no escândalo da privatização da Telebrás. Se a papelada que circulou em São Paulo em 1998 é falsa, porém, não quer dizer que a conta no paraíso fiscal do Caribe não exista. O advogado norte-americano da firma CH&T – que seria a titular da conta – afirmou a um delegado da PF que Sérgio Motta, ex-ministro das Comunicações e braço direito de FH, era o sócio principal da empresa e se dispôs a revelar isso em juízo, se solicitado pelo governo brasileiro. A Polícia Federal tem o dever de encaminhar tal pedido, para o advogado confirmar – ou não – a informação.

Pingue-pongue
“Não podemos reconstituir aqui uma CPI que durou meses, com depoimentos até a madrugada”, falou o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) pedindo aos senadores para serem objetivos nas perguntas ao presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e à diretora da instituição Tereza Grossi. Alcântara ouviu o complemento do senador Pedro Simon (PMDB-RS): “E que não deu em nada” (a CPI).

Marcha
A Central Única dos Trabalhadores do Rio (CUT-RJ) promove no próximo dia 12 a “Marcha contra o Apagão e a Corrupção”, protesto contra o namoro entre o Governo FH e o FMI. Manifestações semelhantes serão organizadas em outras cidades e desembocarão num protesto em Brasília no dia 27. A passeata no Rio sairá da Candelária às 15h em direção à Cinelândia.

Com sotaque
Retórica a parte, as rusgas entre o presidente FH e ACM nem de longe ameaçam o latifúndio do ex-senador no governo tucano. Particularmente visível no Ministério da Previdência, a herança carlista é facilmente constatável numa simples visitas às agências do INSS. Numa única delas, o sotaque carregado identifica a presença de nada menos nove apaniguados baianos contratados como prestadores de serviço pelo então ministro Waldeck Ornellas.

Delírio
Obrigados a assistir ao programa regional do PSDB em horário nobre, os cidadãos fluminenses ainda tiveram que ouvir uma pérola de Márcio Fortes: que foi o governo do PSDB (Marcello Alencar) que criou as bases para o desenvolvimento do estado. Ingrato, o eleitor do Rio de Janeiro. Marcello quase desistiu de lançar candidato à sucessão e, quando achou um voluntário, não conseguiu nem ao menos colocá-lo no segundo turno.

Transparência
Reveladora foi a decisão da tropa de choque do presidente FH que, ontem, durante o depoimento do representantes da área de energia no Congresso, impediu que especialistas fora do governo fizessem perguntas aos debatedores.

Soma zero
Coisas da reengenharia tucana. Além de presidente do blecaute, FH passará à história como o único governo a manter o Ministério da Energia, formalmente ocupado pelo pefelista José Jorge, e o Ministério da Falta de Energia, pelo Pedro (Senhor Apagão) Parente.

Ocioso
Afinal o que faz o ministro José Jorge no ministério FH? Acende velas?

Ética
O senador Osmar Dias (PSDB-PR) ironizou as ameaças de expulsão do partido por ter assinado o pedido de criação da CPI da Corrupção: “O PSDB deveria apoiar a CPI porque, afinal, é o partido da ética e da moralidade”, disse o senador. O presidente nacional do PSDB, José Aníbal (SP), dissera que os senadores paranaenses Osmar e Álvaro Dias não têm mais a confiança do partido. Os dois assinaram o requerimento para instalação da CPI.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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