Paraíso

As aplicações espanholas em paraísos fiscais quase duplicaram em 1999 em relação ao ano anterior, atingindo cerca de US$ 1,16 bilhão. Isso corresponde a 2,42% do total das aplicações da Espanha no exterior – em 1998 representava 3,41%. Os investimentos espanhóis em outros países totalizaram US$ 48 bilhões ano passado, a maior parte (63,1%) na América Latina. Brasil e Argentina, especialmente os setores de telefonia e petróleo, foram quem mais atraíram pesetas. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) está travando uma luta contra os paraísos fiscais, que desviam dinheiro que iria para países em desenvolvimento. Uma lista de 35 países que praticam lavagem de dinheiro e possibilitam sonegação fiscal foi publicada pela organização semana passada. Esses países podem sofrer sanções se em 12 meses não mudarem seus regimes fiscais.

Volta
As denúncias de irregularidades feitas contra o presidente da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Asep) não foram comprovadas pelo Ministério Público. Com isso, Ranulfo Vidigal, que participa do Conselho Editorial do MONITOR MERCANTIL, deverá reassumir a presidência da agência nos próximos dias.

Pé na estrada
O Brasil deve produzir este ano 534 milhões de pares de calçados, contra 500 milhões, ano passado. Os números são da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), que aposta no sucesso da 32ª Feira de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes (Francal 2000), principal evento do setor na América Latina, prevendo crescimento de 15% no volume de negócios em relação a 1999. A feira será realizada, no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo, entre os dias 10 e 13 deste mês.
Pés descalços
O setor, um dos cinco mais importantes da economia brasileira, foi um dos mais beneficiados pela mudança cambial e projeta exportar US$ 1,47 bilhão este ano, com a negociação de 157 milhões de pares. Ano passado, foram vendidos 137 milhões de pares no exterior, com faturamento de US$ 1,28  bilhão. Em contraste com a retomada mais vigorosa das atividades do setor, ainda beira aos muitos milhões os brasileiros que não têm sequer um par de calçado para caminhar em busca da sobrevivência.

Cerco
Os governos dos Estados Unidos e do Panamá estão pressionando as autoridades de El Salvador para que aperte a fiscalização sobre o envolvimento do sistema financeiro local com “lavagem” de dinheiro e com o narcotráfico. O chefe da Unidade de Investigação Financeira de El Salvador, Rodolfo Mena, confirmou ontem que, desde janeiro, o órgão que dirige investiga 24 contas que estrangeiros e salvadorenhos mantêm em bancos locais. Por enquanto, ainda não foram revelados nomes nem os montantes movimentados. A legislação do país determina que os estabelecimentos financeiros informem o Fisco sobre movimentações bancárias que ultrapassem US$ 57 mil dólares. Já os corruptos brasileiros continuam dormindo mais tranqüilos com o corpo mole feito pelos governistas para aprovar a quebra do sigilo bancário, em caso de movimentações suspeitas.

Contracorrente
Ao reproduzir ontem o anúncio do novo recorde da produção de petróleo da Petrobras – 1,3 milhão de barris/dia – divulgado na véspera pela mídia “chapa branca”, o presidente FH afirmou que o momento era de celebração. Até para o país valorizar o que celebra é indispensável relembrar que o feito da Petrobras se deu apesar do governo, que no início de 99 obrigou a empresa a cortar R$ 1 bilhão dos seus investimentos, além de proibi-la de pegar empréstimos no exterior.
Se apesar dos constrangimentos impostos pela equipe econômica, a estatal projeta para 2005 uma produção de 2 milhões de barris/dia, é lícito supor que esse resultado poderia ser antecipado, com todas as conseqüências conhecidas positivas para o país, como redução das importações, maior pagamentos de dividendos à União, aumento de investimentos, geração de empregos etc.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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