Parcelas de R$ 300 do auxílio emergencial não vão chegar a todos

Quitação de dívidas foi 10% maior entre quem recebeu auxílio; dívida média de beneficiários era de R$ 476.

Conjuntura / 16:40 - 10 de set de 2020

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Menos de uma semana após prorrogar o auxílio emergencial no novo valor de R$ 300 - metade do inicial - o governo muda o tom usado no anúncio das parcelas "residuais" e informa que os quatro pagamentos extras do benefício não chegarão para todos. Os beneficiários que começaram a receber o auxílio em julho, por exemplo, só terão direito a uma parcela de R$ 300.

"O governo está zombando da população, que precisa do auxílio emergencial para sobreviver", afirma o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sérgio Takemoto. "Anunciam a prorrogação do benefício, dizem que 'o presidente Bolsonaro olha para todos os brasileiros sem deixar ninguém para trás'; mas, não esclareceram que estão deixando para trás, sim, porque só parte dos beneficiários vai receber as quatro parcelas extras. Este governo não trata com isonomia os seus cidadãos", acrescenta Takemoto.

O presidente da Fenae reforça que a parcialidade do governo vai prejudicar as pessoas que não conseguiram efetivar o cadastro para receber o pagamento por conta de erros do próprio governo. "Muitos trabalhadores só começaram a receber a primeira parcela depois de abril porque o governo cometeu falhas", observa Sérgio Takemoto. "Houve erros no sistema e negativas do Ministério da Cidadania e da Dataprev, além de outros motivos. Agora, querem jogar nas costas da população a conta da falta de planejamento. É inadmissível", enfatiza.

Estudo realizado pela BLU365 aponta aumento nos acordos e quitação de dívidas das pessoas que receberam o auxílio emergencial do governo. O levantamento, feito com mais de 15 milhões clientes, mostra que o número de negociação e pagamento de dívidas foi 10% maior no grupo de pessoas que receberam o auxílio emergencial em comparação às que não receberam. A dívida média de quem recebeu a ajuda é de R$ 476, enquanto a dívida média daqueles que não receberam é de R$ 510 (7.5% maior).

De acordo com os dados da BLU365, o número de pessoas que receberam o auxílio foi 26% maior entre aqueles que estão com dívidas em atraso de até 30 dias e 10% maior em consumidores com dívidas em atraso acima de 540 dias, em comparação com aqueles que não receberam o auxílio. Outro dado importante é que 80% das pessoas que receberam a ajuda do governo têm renda estimada de até dois salários mínimos.

E um terceiro levantamento, realizado pela Recovery, apontou que o número de brasileiros que resolveram quitar suas dívidas à vista cresceu este ano. Para aproveitar descontos maiores, 64,05% dos clientes que negociaram suas dívidas com a empresa no primeiro semestre de 2020 optaram pelo pagamento em uma única parcela, contra 56,5% no mesmo período do ano passado. A pesquisa teve como base, dados de cerca de 3 milhões de acordos fechados pela Recovery nos primeiros seis meses do ano.

O estudo constatou que o percentual de mulheres que fecharam acordos no período também aumentou. Mesmo durante a pandemia, com o crescente índice de desemprego e sobrecarga doméstica, as mulheres seguiram negociando suas dívidas e foram responsáveis por 54,24% dos acordos realizados no semestre.

O número maior de devedores é da Região Sudeste, com 48%, seguido pelo Nordeste, com 26% e Sul, com 12,2%. A carteira da Recovery é formada por 50,57% de homens e 49,43% de mulheres. Sua maioria, 42,2%, está na faixa entre 41 a 60 anos, seguido pelos clientes entre 25 e 40 anos, que representam 28,5%.

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