Participação da mulher mercado financeiro é baixa e com tendência de queda

Conjuntura / 13:34 - 2 de mar de 2016

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Levantamento exclusivo feito pelo CFA Institute, responsável pelo maior programa global para a certificação de analistas de investimentos, a partir de seus mais de 136 mil membros, mostra como o número de mulheres é tímido no mercado de capitais. O estudo evidencia que a participação de mulheres que possuem a certificação CFA é de 18% entre os analistas certificados no mundo. Comparado com outras profissões, a atuação feminina no mercado financeiro é bastante baixa. Na área jurídica, por exemplo, as mulheres representam 34%; na medicina são 48% e metade da força de trabalho do setor contábil. Esse percentual entre os analistas só não é menor porque os resultados de alguns países puxam essa média para cima. China e Hong Kong são dois deles, com a participação de mulheres de 31% e 26%, respectivamente. Na opinião de Sonia Villalobos, presidente da CFA Society Brazil, a participação maior na Ásia se explica pelo lado cultural: - Principalmente na China, mercado de maior crescimento da certificação CFA, existe uma forte tradição de envolvimento das mulheres em finanças. A facilidade com idiomas também pode ser um fator, já que todos os exames do programa são em inglês. Essas estatísticas são uma boa mostra do mercado financeiro como um todo, uma vez que os analistas são profissionais relevantes dentro do setor. No Brasil, os números são ainda mais desanimadores. Aqui, as analistas representam apenas 11% do total. O número está abaixo até da participação em regiões como a África, onde as mulheres representam 17%. Dentro desse continente, no Egito, por exemplo, o percentual do público feminino de candidatos no CFA é de 29%, enquanto na África do Sul é de 16%. Nos mercados de capitais mais desenvolvidos os percentuais são melhores que os da média global. Nos EUA e Canadá, por exemplo, o primeiro e o segundo lugares em tamanho do mercado de analistas, têm 16% e 20% de mulheres, respectivamente. Vários países europeus se encaixam nessa categoria. Na Itália e na Inglaterra, a participação feminina é de 20%; na Espanha e na França 21% e em Portugal 17%. Infelizmente, os dados dos candidatos brasileiros do Programa CFA, isto é, dos participantes das três provas consecutivas que são parte do programa, também indicam uma tendência de queda na participação das mulheres ao longo dos anos. O percentual de candidatas CFA nos testes de junho caiu de 31%, em 2010, para 26% no ano passado, com queda em todos os anos desse intervalo. Já nas provas de dezembro, a queda foi de 35% em 2010 para 29% em 2015, com redução em todos os anos. Para Sonia, essa trajetória de declínio é preocupante, já que acena para a possibilidade de um futuro com uma participação ainda menor das mulheres no mercado financeiro. - É preciso que as meninas sejam incentivadas a gostar de disciplinas como Matemática, desde a infância. O fato de haver poucas professoras de Matemática durante o Ensino Fundamental pode pesar na escolha das mulheres por profissões mais ligadas à área de humanas - diz a executiva. Levantamento revela que 31% dos negócios de impacto social são geridos por mulheres Mulheres possuem uma excelente visão de longo prazo, têm capacidade de resolução de conflitos, talento para comandar equipes multiprofissionais e empatia com problemas e desafios alheios. Estas características são extremamente relevantes para empreendedoras que investem em negócios de impacto social - empresas que oferecem, de forma intencional, soluções escaláveis para problemas sociais da população de baixa renda. Embora o Brasil viva um momento de expansão desses empreendimentos, que constituem uma forte tendência contemporânea, as mulheres respondem por apenas 31% dos negócios de impacto social, de acordo com a pesquisa "Empreendedores de Impacto", coordenada pela Artemisia e conduzida pela Din4mo. Entre as dicas destacadas por Maure Pessanha, diretora-executiva da Artemisia, destacam-se: "siga a intuição, não tenha medo de pensar grande; a sensibilidade e a empatia são fundamentais para ter um olhar mais profundo sobre impacto social e refletir se o negócio realmente supre uma demanda de quem mais precisa", finaliza.

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