Passaporte

O ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) ironiza a mais recente viagem do governador Sérgio Cabral (PMDB) à Europa: “Desse jeito Cabral passa a ser residente europeu.”

Passaporte – 2
A sorte de Cabral é que não foi realizada uma única Olimpíada na África ou na América Latina

O caminho chinês
Quase duas décadas de crescimento médio anual de dois dígitos da China parece ainda ser insuficiente para certos economistas tupiniquins entenderem o paradigma que move o gigante asiático. Em artigo cujo objetivo é contestar os que defendem a adoção, pelo Brasil, da política cambial chinesa, os professores Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli Cardoso, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), alegam que tal comparação seria inadequada, preferindo atribuírem “o espetacular crescimento dos Tigres Asiáticos” à conjugação de “enorme taxa de poupança doméstica, elevado investimento em educação e em infra-estrutura, e economia aberta ao comércio internacional”.
Na verdade, a elevada poupança doméstica chinesa não precedeu à arrancada da China rumo ao desenvolvimento, mas, sim, veio a reboque deste. Idem para as inversões em infra-estrutura, financiadas, em grande medida, ao longo do processo de crescimento de dois dígitos. Ou seja, diferentemente do que pregam Ferreira e Fragelli, o gigante asiático não esperou acumular enorme poupança doméstica nem melhorar a infra-estrutura para pisar no acelerador.
Como demonstra o presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro (Corecon-RJ), João Paulo de Almeida Magalhães, no seu mais recente livro, Depois da crise, não é factível esperar resolver problemas típicos do subdesenvolvimento para poder desenvolver-se. Ao contrário, ensina Magalhães, é o desenvolvimento que fornece as ferramentas para um país adquirir características dos desenvolvidos.
Embora a educação seja um benefício individual fundamental para o desenvolvimentos dos sujeitos, a criação de uma geração de pessoas bem-educadas não gera, necessariamente, uma nação desenvolvida. Se assim fosse, Cuba teria o maior produto interno bruto (PIB) da região.
Ferreira e Fragelli também mostram uma visão equivocada sobre a China ser uma “economia aberta ao comércio internacional”. Tal abertura, a começar pelo câmbio, que está longe de ser uma variável acessória, é determinada pelos interesses do Estado chinês. Assim, o país saltou da produção de baixo valor agregado e quinquilharias para manufaturados. Para alcançar esse expertise seguiu o mesmo caminho de todos países de crescimento retardatário: copiou o que os já desenvolvidos haviam feito. No caso chinês, essa prática teve a singularidade da criação de empresas-clone instaladas simultaneamente às joint-ventures entre o Estado e as multinacionais que buscam o mercado local.
Em suma, se desejam defender que o Brasil continue a marcha para a desindustrialização, na qual o câmbio valorizado cumpre papel-chave, Ferreira e Fragelli não devem socorrer-se do exemplo chinês. Este, ao contrário, dá importantes pistas, não para cópias mecanicistas de modelos, mas de que, para qualquer país desenvolver-se, precisa adotar política em conforme seus interesses em lugar de internalizar dogmas de falidos organismos multilaterais.

Pantanal 62
Moradores do Jardim Pantanal, em São Paulo, protestam, nesta segunda-feira, às 14h, em frente à Prefeitura de São Paulo, contra o que consideram descaso do governo Gilberto Kassab (DEM) com a política de combate às enchentes. Há 62 dias, a região está alagada, sem que o poder público tome as iniciativas necessárias para combater os impactos das fortes chuvas que atingem a capital desde o fim do ano passado, reclamam os moradores.

Casa
Na manifestação, eles vão reivindicar da Prefeitura que garanta casa para os que perderam suas moradias com as chuvas; desassoreamento imediato do Rio Tietê, entre a barragem da Penha até Itaquaquecetuba; abertura total e ininterrupta da Barragem da Penha até o fim do represamento; indenização dos materiais perdidos pelo represamento das águas do Tietê e instalação de uma mesa de diálogo entre governo do Estado, Prefeitura, Câmara Municipal, Defensoria Pública e Movimentos Populares.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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