Passeio carioca

Coxinha de galinha e pastel de forno com “tubaína” e discurso: programa que está no dia a dia de políticos em campanha atravessaram, sexta-feira, o caminho do presidente do BNDES, Francisco Gros. Ele foi pela manhã à favela Nova Holanda para inaugurar a quarta agência do programa Vivacred, de concessão de crédito a microempresários. Apesar de mais acostumado a passear por Nova York – onde morou por sete anos, quando foi diretor-executivo  do  banco  Morgan  Stanley  Dean  Witter -, Gros até que não se saiu tão mal. Garantiu que passava sempre por ali, já que a Triskale, confecção da mulher do banqueiro, fica a duas quadras de distância. Depois do lanche, pôde medir a popularidade de Leonel Brizola. Confundido com o candidato do PDT à Prefeitura do Rio, que faria comício ali logo depois, Gros deixou a favela sob gritos de “viva Brizola”.

Revés – 1
Além do desgaste provocado pelas gravações telefônicas planaltinas, o governo também enfrenta um período de derrota no programa de privatizações. Na mesma semana o Supremo Tribunal Federal (STF) impediu a continuação dos leilões do Banespa e do IRB. Ao mesmo tempo, o judiciário do Pará interrompe o processo de descruzamento das participações acionárias das ex-estatais Vale e da CSN.
Revés – 2
No caso da Justiça Federal do Pará, uma ponta de ironia: justamente para desestimular ações contra a privatização da Vale do Rio Doce, o Governo FH se empenhou, na época, para centralizar o julgamento dos pedidos de liminar na vara de Belém, onde dera entrada o primeiro processo. Agora, vêm justamente do Pará as decisões que deram sequência à investigação da privatização e barraram a utilização de dinheiro público – do BNDES – para viabilizar o acerto entre os sócios privados da Vale. Fica a lição: quem com liminar fere …

Meio ambiente
Formar educadores ambientais, capazes de implantar projetos de educação ambiental nas escolas, nos meios de comunicação e na educação cotidiana da população, é o objetivo do primeiro curso de especialização em educação ambiental promovido pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF), com realização do Laboratório de Educação e Política Ambiental (LEPA) do Departamento de Ciências Florestais da ESALQ/USP. O curso terá início em setembro, com 720 horas/aula, sendo que metade será dada à distância, via Internet. As inscrições poderão ser feitas entre 1 e 11 de agosto. Mais informações no IPEF, pelo telefone (19) 430-8602, e-mail: [email protected] ou www.ipef.br/eventos/.

Só para os eleitos
O deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) chama a atenção para o fato de que a indexação continua a ser utilizada, mas só para beneficiar empresas particulares, principalmente estrangeiras, e ao próprio governo federal. No primeiro caso enquadram-se concessionárias privadas de telefonia e energia elétrica que têm as suas tarifas reajustadas pelo IGP-M, o maior de todos os índices. Em proveito próprio, a Receita Federal não procede a correção da tabela do Imposto de Renda.

Ferro velho
Após esgotar todas as possibilidades de encontrar, junto à Nokia do Brasil, bateria para o aparelho 2180 (comprado há apenas dois anos), um consumidor do Rio de Janeiro teve que recorrer à imprensa – nota publicada nesta coluna dia 28 de junho – e reclamar com a Nokia nos Estados Unidos para que, finalmente, a subsidiária brasileira achasse uma bateria nova para o seu celular (já que não há mais peças de reposição – segundo revendedoras, assistência técnica e serviço de atendimento a clientes da própria Nokia). Para reduzir o estrago, a filial brasileira acabou dando um celular novo (e mais moderno) para o consumidor. A questão para o usuário continua: será que daqui a dois anos haverá bateria para esse novo aparelho?

Limonada
Surpreendente a declaração do presidente da Kaiser, Humberto Pandolpho, de que a companhia pretende abocanhar mais cinco pontos percentuais do milionário mercado de cerveja, pulando de cerca de 15% de participação para mais de 20%. O motivo da surpresa é que, até poucos meses atrás, Pandolpho não parava de reclamar do monopólio que a união de Brahma e Antartica na Ambev iria gerar, com danos para o mercado. Ou a reclamação pré aprovação da Ambev pelo Cade era só jogo de cena ou a Kaiser aprendeu rapidamente a transformar adversidade em oportunidade.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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