25.6 C
Rio de Janeiro
sexta-feira, janeiro 22, 2021

Paz dos cassinos

Embora movimentos especulativos independam de motivos racionais, a queda de quase dois dígitos na bolsa chinesa e sua repercussão global serve de alerta sobre as consequências para países que penhoram seu futuro nos pregões do mercado financeiro internacional, abrindo mão de controles sobre o movimento brusco de capitais. Em tais condições, o máximo a que se pode aspirar é à estabilidade permitida por quem mora num cassino mundial.

Estabilidade de papel
A advertência trazida pelo tombo dos mercados acionários mundiais também desautoriza o argumento mobilizado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em seu depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Meirelles insinuou que a tempestade desencadeada pela queda na bolsa chinesa fortaleceria a necessidade da morosidade de tartaruga na queda da taxa básica de juros (Selic) no Brasil. É argumento típico da antidialética. Se com toda trava imposta pelo BC aos juros – causadora de altíssimo custo social, econômico e político – o país, diante de um movimento especulativo de um único dia, se vê ameaçado pela institucionalização dos juros reais mais elevados do mundo, qual o papel desempenhado pela Selic nos quatro anos de governo Lula?

Ônus sem bônus
Contra os argumentos do presidente do BC, pesa também o desempenho da economia chinesa. A Bolsa de Xangai caiu 8,8%, maior queda em dez anos; neste período, o PIB chinês dobrou. Já no Brasil, que vê seu PIB patinar nos últimos 15 anos, a bolsa caiu apenas 1,5 ponto percentual a menos.

Saída externa
Quem quer estudar fora do país tem uma boa oportunidade de buscar informações na  Feira Expo Estude no Exterior, nesta quinta-feira, das 16h às 21h, no Hotel Pestana (Avenida Atlântica, 2.964, Copacabana). Do Rio, a feira segue para Porto Alegre (3 e 4 de março, no Sheraton), Belo Horizonte (6 de março, no Mercure Hotel), Salvador (9 de março, Hotel Pestana) e São Paulo (dias 11 e 12 de março, no InterContinental). Mais informações em www.estudenoexterior.com

Pepino
A prefeitura carioca ficará com a responsabilidade por todo o sistema de esgoto das regiões carentes do Rio e de parte da Zona Oeste. O convênio será assinado nesta quarta, com prazo de 50 anos, renovável por outros 50. “Em contrapartida, a prefeitura repassa ao estado as estações de tratamento de esgoto do Recreio dos Bandeirantes, Vargem Grande e Vargem Pequena”, detalhou o presidente da companhia de saneamento fluminense, Wagner Victer.

Entra no táxi!
O aumento do fluxo de turistas durante o Carnaval serviu de largada para acelerar o monopólio da companhia de táxis que opera no Aeroporto Tom Jobim, no Rio. Numa atitude que torna quase compulsório o uso dos carros da empresa, a fiscalização no setor de desembarque passou a impedir que táxis de outras cooperativas sequer parem para embarcar passageiros que requisitaram seus serviços. A ameaça se estende até a carros particulares cujos motoristas tentem receber parentes ou amigos. A administração do aeroporto chegou a colocar uma cancela para melhor controlar o acesso à área de desembarque. A única forma de usar algum carro que não os das cooperativa é caminhar para o setor de embarque, possibilidade ignorada, porém, pela grande maioria dos passageiros, principalmente os turistas brasileiros e estrangeiros.

Berlinda
O grupo Globo está na mira da esquerda. No final de semana, recebeu pesadas críticas de Hugo Chávez. O presidente da Venezuela acusou o jornal do grupo (na verdade, era a TV, o que faz diferença alguma) de estimular uma invasão armada à Bolívia. No mesmo sábado, a Ferroeste, ferrovia estatizada pelo Roberto Requião, no Paraná, acusou a Rede Globo de mentir em matéria sobre a falta de vagões para transporte da produção agrícola do estado. Segundo a companhia, retomada pelo Paraná em 18 de dezembro do ano passado, após a decretação de falência da controladora privada Ferropar, continua-se operando com o mesmo número de vagões, e deve-se transportar em fevereiro 144 mil toneladas, 10 mil toneladas a mais que a ferrovia privada, no mesmo mês de 2006.

Artigo anteriorViolência seletiva
Próximo artigoCrítica ideológica
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

É hora de radicalizar

Oposição prioriza impeachment, mas sabe aonde quer chegar?.

Soja ameaça futuro do Porto do Açu

Opção por commodities sobrecarrega infraestrutura do país.

Grande produtor rural não paga impostos

Agronegócio alia força política a interesses do mercado financeiro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Mercado reagirá ao Copom e problemas internos

Na Europa, Londres teve alta de 0,41%. Frankfurt teve elevação de 0,77%. Paris teve ganhos de 0,53%.

EUA: expectativa por novos estímulos fiscais traz bom humor

Futuros dos índices de NY estão subindo, mesmo após terem atingidos novos recordes históricos no fechamento do pregão anterior.

Ajustando as expectativas

Bovespa andou na quarta-feira na contramão dos principais mercados da Europa e também dos EUA.

Sudeste produz 87,5% dos cafés do Brasil em 2020

Com mais de 55 milhões de sacas a região é a principal responsável pela maior safra brasileira da história.

Exportação de cachaça para mercado europeu cresceu em 2020

Investimentos será de R$ 3,4 milhões em promoção; no Brasil, já cerveja deve ficar entre 10 e 15% mais cara em 2021.