PCE e PIB reforçam resiliência da economia dos EUA diante do choque do petróleo

PCE veio em linha com as expectativas, mas PIB do primeiro trimestre ficou em 2%

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Dólar (foto de Marcello Casal Jr, ABr)
Dólar (foto de Marcello Casal Jr, ABr)

O PCE de março veio em linha com as expectativas, com o índice principal avançando 0,7% e o núcleo com alta de 0,3%. A inflação do núcleo do PCE em 12 meses, de 3,2%, representa o pico esperado pelos economistas para este ano, com o consenso projetando que o índice encerre 2026 abaixo de 3%, à medida que os efeitos do conflito se dissipam no segundo semestre.

O PIB real do primeiro trimestre de 2026 ficou em 2%, abaixo da expectativa de 2,3% dos economistas, mas representando uma recuperação relevante em relação ao crescimento modesto de 0,5% observado no quarto trimestre de 2025. Esse avanço reflete a aceleração da atividade econômica impulsionada pelo aumento dos gastos do governo, dos investimentos e das exportações, enquanto as importações exerceram algum peso negativo.

O consumo pessoal, em 1,6%, também surpreendeu positivamente em relação ao consenso, embora tenha desacelerado frente ao robusto crescimento de 1,9% registrado no trimestre anterior.

No geral, esses dados podem ser interpretados como um sinal de que a economia dos EUA permanece robusta, mesmo diante da expectativa de que um choque nos preços do petróleo pressionasse o consumo das famílias a partir de março. O próprio Fed estima o crescimento tendencial de longo prazo do PIB real em 2%, o que coloca a economia em linha com esse ritmo mesmo diante do conflito.

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A destruição moderada de demanda provocada pelo fechamento do Estreito de Ormuz deve se dissipar no segundo semestre, permitindo que a economia volte a crescer acima da tendência, sustentada por investimentos em IA, incentivos fiscais, aumento dos lucros corporativos e condições financeiras ainda favoráveis.

O mercado também encontra conforto no fato de que os principais bancos centrais globais estão em pausa, optando por não responder com altas de juros aos impactos temporários da inflação causada pelo choque do petróleo.

Na coletiva desta semana do Comitê de Política Monetária, Jerome Powell reforçou que o Fed está confortável com sua atual postura “moderadamente restritiva”, mantendo o Banco Central em modo de espera enquanto busca maior clareza sobre a duração do fechamento do estreito.

Powell e o comitê do Fed também reforçaram maior flexibilidade de política monetária ao destacarem uma postura mais simétrica diante do risco de um período mais longo de inflação acima da meta. Com isso, o cenário-base passa a ser de manutenção dos juros pelo restante do ano, mesmo com uma possível transição de liderança no Fed.

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Brad Smith

Gerente de Portfólio da Janus Henderson Investors

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