Pearl Harbor

Existe um número limitado de entidades que têm a capacidade ultra-sofisticada necessária para perpetrar os atos terroristas que ocorreram nos EUA. Nenhuma delas aparece nas conhecidas listas dos “suspeitos de sempre de terrorismo”, nem dos chamados “Estados renegados”. Esta é a opinião do economista norte-americano Lyndon LaRouche, que acha que os atentados de terça-feira não foram atos de “terroristas”, mas “uma operação estratégica clandestina” contra os Estados Unidos, que tem características similares com a operação das milícias ultradireitistas contra o centro de Oklahoma City, anos atrás. O objetivo seria criar um efeito Pearl Harbor simulado, para envolver os Estados Unidos num conflito geopolítico no Oriente Médio. “E esta é a reação de alguns otários, incluindo o presidente dos Estados Unidos, que realmente não sabe muita coisa, e foi dirigido neste rumo, ontem (anteontem)”, disse LaRouche. “Há um claro impulso irradiando-se de órgãos noticiosos e de fontes políticas para que o presidente tome imediatamente represálias violentas, para aparecer como se estivesse atuando para punir prontamente os culpados, sem sequer esperar para descobrir os verdadeiros responsáveis”, concluiu.

Anônimo
De fato, é estranho que, passados dois dias do atentado, nenhuma organização ou grupo tenha assumido a autoria. Se o que queriam era divulgação – e conseguiram a cobertura da imprensa mundial ao provocar o segundo choque no World Trade Center 18 minutos após o primeiro, dando tempo das redes de TV se deslocarem para o local – seria de se esperar que assumissem a responsabilidade.

Conveniências
Hoje satanizados pelos Estados Unidos e eleitos o inimigo número 1 da hora, os talibãs já mereceram tratamento VIP do império. Na era Bushão, eram classificados de “Combatentes da Liberdade” e, em Hollywood, compartilhavam com Silvester “Rambo” Stallone das cruzadas contra o demônio soviético. Sem o mesmo glamour hollywoodiano, o hoje inimigo público número um dos EUA, Osama bin Laden, também foi “cria” dos serviços secretos britânico e norte-americano.

Cabo de guerra
Aviso aos analistas: é importante ficar de olhos no descompasso entre o discurso do secretário da Defesa, Collin Powell, e o dos assessores militares mais próximos do presidente George Bush. Se juntarem todos na mesma sala, o ambiente, literalmente, explode.

Paz
O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) distribuiu ontem nota em que “repugna qualquer tipo de violência, especialmente as ações terroristas, sejam do Estado, sejam de grupos, sejam de pessoas ou decorrentes de atos isolados. Assim, manifesta sentido pesar e profunda solidariedade para com as vítimas dos macabros atentados terroristas ocorridos na América do Norte.” O presidente do IAB, Marcello Cerqueira, diz que “os criminosos devem ser denunciados perante a Corte Internacional própria e exemplarmente castigados segundo as normas do direito penal internacional. A paz resulta de entendimento e não de superioridade militar. Oxalá esse terrível drama sirva para afastar as soluções de força para resolver conflitos de qualquer natureza.”

Fora de combate
Deve ser a globalização. A comissão organizadora da competição de robôs que seria realizada hoje, na Unicamp, decidiu cancelar o evento. A alegação dada para o cancelamento foi “o cenário atual”.

Esqueçam o que escrevi
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmava, em artigos escritos antes de entrar no governo, “que o programa convencional de estabilização do FMI, além de conceitualmente equivocado, não estava sendo apropriadamente traduzido para o contexto da economia brasileira”. Quem levantou o assunto foi o deputado Aloizio Mercadante (PT-SP), durante audiência púbica sobre o acordo entre o FMI e o Brasil na Câmara dos Deputados, ontem. Malan rebateu as críticas de Mercadante dizendo que as citações eram de 20 anos atrás, e que “quando a situação muda, muda também a avaliação.” Resta saber que situação mudou.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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