Pedidos ao Papai Noel

Alguns dias atrás uma criança me perguntou: “Papai Noel está também em quarentena?” Não consegui responder. Disse que ele iria arrumar um jeito para cumprir a sua missão de atender aos desejos não só das crianças, como também dos adultos.

Há poucos anos, as pessoas faziam seus pedidos escrevendo cartas ao Papai Noel. Hoje muitas enviam seus pedidos por via digital. Talvez hoje e no futuro Papai Noel poderá ler os nossos pensamentos, e saber de nossos desejos. Decidi então elaborar uma lista de desejos para serem atendidos pelo bom velhinho.

O meu primeiro pedido seria que todos os governantes do mundo pudessem pensar e agir com sabedoria. Pedi também que todos os seres humanos tivessem respeito à natureza e que a justiça social fosse conquistada, proporcionando uma vida digna a todos os seres humanos. Suplico para construirmos uma paz duradoura, onde o diálogo possa vencer o fanatismo e que a nossa ação cotidiana proporcione felicidade a todos.

Para o Brasil, elenquei algumas prioridades. A primeira é a conquista da qualidade da educação básica para todas as crianças e jovens brasileiros como o pilar de uma democracia plena. A segunda seria a implantação da reforma agrária, de forma gradual e justa, para que o uso da terra exerça a sua função social e elimine a fome. A terceira seria disponibilizar atendimento de alto padrão na saúde pública, com foco na promoção da saúde.

A quarta seria moradia digna para todos, com a oferta de espaços culturais e de lazer. A quinta, o fim da impunidade, como instrumento para a extinção do racismo, da corrupção e da violência. A sexta é proporcionar empregos dignos a todos/as brasileiros/as. A sétima, a construção de alicerces para uma verdadeira soberania para o Brasil.

Tenho plena consciência de que as transformações para a conquista de uma verdadeira civilização humana são lentas. No entanto, devemos avançar e avançar todos os dias, retroceder nunca. Penso que meus pedidos são legítimos, e certamente expressam um desejo coletivo.

No Natal, renasce em nós a esperança de termos um verdadeiro mundo civilizado. Não podemos perder a esperança. O Natal não é data e sim estado de espírito que nos ilumina na escolha de caminhos para que possamos ser realmente humanos. É oportuno lembrar o pensamento de Charles Dickens que honraria o Natal no seu coração para conservá-lo durante todo o ano.

Seria tão bom se todos os dias do ano fossem iguais ao Natal. Teríamos todos os dias iluminados pelo afeto e pelo amor. Teríamos as famílias festejando reunidas e amigos se reencontrando embora remotamente. As mesas seriam fartas para todos. A solidariedade permearia as relações humanas, permitindo convívio harmônico e feliz. Seríamos felizes sem motivo, o que, segundo Carlos Drummond de Andrade, é a mais autêntica forma de felicidade.

 

Isaac Roitman é professor emérito da Universidade de Brasília, pesquisador emérito do CNPq, membro da Academia Brasileira de Ciências e membro do Movimento 2022-2030 O Brasil e o mundo que queremos.

Leia mais:

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