30.4 C
Rio de Janeiro
quinta-feira, janeiro 21, 2021

Pedágio

A previsão é de publicitários amigos da coluna. Pelo ardor com que certo tipo de imprensa lançou-se na defesa da ampliação do número de pedágios nas estradas brasileiras, chegando ao requinte de procurar com lupa usuários que estariam comemorando esse aumento de custo, não restam dúvidas: vêm aí grossos e lucrativos cadernos publicitários do setor de concessionários de rodovias. Claro que, apenas, para celebrar a nova fase do setor.

Concentração
Em 1997, existiam 215 bancos no Brasil, entre privados nacionais (142), estatais (27) e estrangeiros (46), segundo o Banco Central (BC). Em 2005, esse número encolheu para 159, queda de 26,1%. Segundo o professor PhD Marcos Crivelaro, porém, a redução no número de bancos não se refletiu em encolhimento na rede de atendimento. Em 2005, o total de agências e postos de atendimento somou 123,9 mil unidades, contra 54,1 mil, em 2000. Crivelaro salienta, porém, que a concentração bancária “é ruim para o pobre e bom para o rico”.

Os órfãos do BC
Ele lembra que estudo do BC sobre eficiência e concorrência no setor bancário brasileiro revela que, quanto maior a concentração, menor o custo dos bancos (por exemplo, com folha de pagamento) e maior a lucratividade (em empréstimos e tarifas). O professor defende a importância de órgãos reguladores para estimular uma concorrência efetiva e avaliar a satisfação do cliente. Crivelaro cita pesquisa The Gallup Consulting, segundo a qual apenas 16% dos que possuem conta bancária estão contentes com os serviços oferecidos; 67% estão insatisfeitos, sendo que 43% só têm conta na instituição por falta de alternativa para guardar o dinheiro. As reclamações mais freqüentes, elenca, são: erros de lançamentos nas contas correntes (48%) e fraudes bancárias (15%).

Pobres vítimas
Segundo a pesquisa do BC, entre 2001 e 2006, o número de contas no sistema financeiro do país cresceu 51,7%, alcançando 76,8 milhões de cadernetas de poupança e 59,5 milhões de contas correntes, no fim do ano passado. Os correspondentes bancários e a criação das contas simplificadas foram os principais responsáveis pelo aumento do que especialistas chamam pelo tenebroso nome de bancarização, cujo avanço deveu-se à inclusão de clientes de baixa renda. Crivelaro observa que a expansão não resultou em melhora dos serviços para os mais pobres. Segundo pesquisa da TNS Interscience, os mais pobres concentram 70% do atendimento nas agências, resultando em longo tempo de espera. Daquele total, 79% são usuários sem conta na agência em que são atendidos. A escolha da agência ocorre por motivos, como proximidade do local de trabalho (26%), da residência (18%) ou por fazer parte do percurso do dia-a-dia (14%).

Entre iguais
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) é caso perdido, inscrito na categoria conjunto da obra. Por isso mesmo, o público deveria ser poupado das tentativas de mistificar alguns de seus adversários de momento. Por exemplo, apresentar o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) como integrante da “ala independente” do partido atropela o histórico deste senador. Integrante importante da resistência à ditadura, Jarbas se converteu em neoliberal convicto e et pour cause num dos principais peemedebistas tucanos, situação que quase o levou a ser vice na chapa de José Serra, em 2002. Além disso, conviveu sem problemas com Renan quando este foi ministro da Justiça de FH. Chamá-lo de independente é caso de omissão de complemento nominal.

Diretamente na fonte
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) acolheu, em setembro, pedido de seqüestro de renda para pagamento de precatórios de um aposentado com câncer na bexiga. O presidente do TJ-SP, Celso Limongi, concedeu, em caráter liminar, o direito de o aposentado receber os recursos para tratamento médico. Daniela Barreiro Barbosa, do escritório Innocenti Advogados Associados e advogada do aposentado, lembra que os precatórios – dívidas já objeto de decisões judiciais – são pagas com “atraso absurdo”, como no Estado de São Paulo, que atrasa em mais de nove anos a quitação de débitos de natureza alimentar.

Cidadã
Já está em funcionamento o 0800 da Comissão de Defesa do Direito da Mulher da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). As ligações podem ser feitas entre 9h e 18h. A presidente da comissão, deputada Inês Pandeló (PT), alerta que o 0800 2820119 é exclusivamente de orientação: “O serviço é um mecanismo para auxiliar as mulheres a esclarecer dúvidas e buscar os seus direitos como cidadã.”

Artigo anteriorCusto privatização
Próximo artigoParcela
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

Artigos Relacionados

É hora de radicalizar

Oposição prioriza impeachment, mas sabe aonde quer chegar?.

Soja ameaça futuro do Porto do Açu

Opção por commodities sobrecarrega infraestrutura do país.

Grande produtor rural não paga impostos

Agronegócio alia força política a interesses do mercado financeiro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas Notícias

Mercado reagirá ao Copom e problemas internos

Na Europa, Londres teve alta de 0,41%. Frankfurt teve elevação de 0,77%. Paris teve ganhos de 0,53%.

EUA: expectativa por novos estímulos fiscais traz bom humor

Futuros dos índices de NY estão subindo, mesmo após terem atingidos novos recordes históricos no fechamento do pregão anterior.

Ajustando as expectativas

Bovespa andou na quarta-feira na contramão dos principais mercados da Europa e também dos EUA.

Sudeste produz 87,5% dos cafés do Brasil em 2020

Com mais de 55 milhões de sacas a região é a principal responsável pela maior safra brasileira da história.

Exportação de cachaça para mercado europeu cresceu em 2020

Investimentos será de R$ 3,4 milhões em promoção; no Brasil, já cerveja deve ficar entre 10 e 15% mais cara em 2021.