Pela janela

Metade dos produtos oferecidos atualmente nas gôndolas dos supermercados não existiam há quatro anos. A constatação é de levantamento do instituto de pesquisa AC Nielsen. No entanto, embora os produtos novos sejam um dos principais responsáveis pelas compras feitas por impulso, apenas uma fração dos lançamentos da indústria chega efetivamente ao consumidor. “Descobrimos que os supermercados acabam rejeitando lançamentos simplesmente pela deficiência da apresentação feita pelos próprios fabricantes”, afirma Fabio Vaselli, coordenador do Comitê de Gerenciamento por Categorias da Associação ECR Brasil.

Petros
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) conseguiu na justiça federal liminar contra portaria da Secretaria de Previdência Complementar que aprovou o novo estatuto da Petros. Com isso, fica suspenso o processo de eleição para os conselhos Deliberativo e Fiscal do fundo de pensão. Por via das dúvidas, a FUP já lançara chapa junto com as demais entidades que integram o Comitê em Defesa dos Participantes da Petros. A federação acusa o processo eleitoral de estar repleto de armadilhas: não haverá urnas (só voto por correspondência ou pela Internet); o eleitor só poderá votar em um candidato para cada conselho, apesar de existirem mais de uma vaga; e as patrocinadoras têm poder exagerado para anular um voto (qualquer rasura pode levar à anulação). A votação estava marcada para ocorrer entre 18 de novembro e 5 de dezembro.

ONG estatal
Aclamada como futura ministra do Meio Ambiente – caso Lula confirme a vitória do primeiro turno -, a senadora Marina Silva (PT-AC) esteve ontem no Rio de Janeiro com ambientalistas (entre eles, Carlos Minc, Fernando Gabeira e José Chacon de Assis) em ato de apoio a Lula realizado no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ). A senadora aproveitou a viagem para visitar sua igreja, a Assembléia de Deus, mostrando que não há unanimidade entre os crentes quanto às eleições do dia 27. Marina Silva disse que o Ministério do Meio Ambiente “não pode continuar exercendo papel de ONG no governo e precisa ter o compromisso ético com a sustentabilidade social, ambiental e cultural”, esta última, para a senadora, a mais importante dos três.

Uni-vos!
Enquanto entre os trabalhadores o índice de sindicalização mantém-se por volta de 30%, entre os empresários ele beira quase os 100%. Enquete da Boucinhas & Campos Consultores revela que 91% dos empresários consultados disseram serem associados de algum sindicato ou associação de classe, contra apenas 3% que disseram não serem sindicalizados, enquanto 6% não responderam à pergunta.
A vontade de tornar o segmento mais forte foi o principal motivo apontado pelos entrevistados (50%) para justificar sua sindicalização. A troca de experiências e informações ficou em segundo lugar, com 39%, seguida pelo desejo de facilitar a conquista de incentivos públicos (3%).
A principal razão para essa adesão massiva, porém, pode ser encontrada no principal objetivo que, segundo os empresários, devem ter essas entidades. Para 63%, a principal função dos sindicatos e das associações deve ser facilitar as discussões com o governo sobre os problemas do setor.

Amém!
Em sua análise de conjuntura de outubro, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) destaca que o resultado das eleições já representa uma “virada na história política e social do Brasil”. Os líderes católicos criticaram a elevação da taxa básica de juros (Selic) de 18% para 21% anuais. “Mais uma vez, o Brasil é derrotado pelo grande capital financeiro, que acumula lucros extraordinários em manobras especulativas. Colocado sob ameaça de total falta de meios de pagamento de seus compromissos financeiros, o Brasil está submetido a um golpe cujas etapas serão, provavelmente: a) vencimento acelerado e encurtado dos títulos da dívida pública, imediatamente antes e depois da posse do novo presidente, aplicando-se sobre a maioria dos contratos a cláusula de correção cambial; b) rápida deterioração da situação cambial em resposta às dificuldades de fechamento do balanço de pagamento, com conseqüências diretas sobre a dívida pública e a fuga de reservas; c) exaustão das reservas em operações de mercado, até que atinjam o insignificante piso de US$ 3 bilhões”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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