Pela porta dos fundos

O tom dado às homenagens a Ronald Reagan nos Estados Unidos mostra a ausência de limites para os que se auto-atribuem a responsabilidade por reescrever a História. Nessa reconstrução vale até tentar deificar um dos mais belicistas presidentes do EUA, que buscou estender a corrida armamentista até o espaço, com seu “Guerra nas Estrelas”. Num país que produziu estadistas como Abraham Lincoln,  Woodrow Wilson e Franklin Roosevelt, isso se chama rebaixar a própria História.


As recentes turbulências no setor de petróleo são efêmeras e tendem a ser assimiladas pela sociedade e pelo mercado, a exemplo de outras crises anteriores. A opinião é do professor e coordenador do Centro de Estudos de Petróleo da Unicamp (Cepetro), Saul Suslick, em matéria no jornal da universidade campista. Para Suslick, as notícias sobre o iminente esgotamento das reservas do combustível fóssil são alarmistas e carecem de fundamento: “Antes que isso ocorra, a sociedade promoverá a transição para outras fontes”, diagnostica.
Para o coordenador do Núcleo de Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp (Nipe), professor Ennio Peres da Silva, a participação do petróleo no contexto energético será cada vez menor: o incremento de fontes renováveis de energia é um caminho sem volta.

Repulsa
Nem só de oba-oba à administração Bush vive a imprensa internacional. Ignacio Ramonet, redator do Le Monde Dipomatique, criticou duramente a tentativa de Bush se apropriar dos festejos dos 60 anos do “Dia D”: “É lamentável que seja o presidente George Bush que venha recolher, em nome daqueles heróis inesquecíveis, a homenagem dos europeus. Não é merecido. Um presidente que pisoteou no Iraque os valores democráticos de seu país, que chama de “libertação” uma invasão brutal para apoderar-se de petróleo, e cujas forças têm promovido a tortura, não representa com dignidade os jovens mortos nas praias normandas que deram sua vida pela democracia e o respeito aos direitos humanos. Não merece nosso agradecimento. Apenas nossa repulsa.”

Nem em casa
“”Precisamos conter o crescente instinto messiânico dos Estados Unidos, uma espécie de engenharia social global na qual os EUA se sentem ungidos e obrigados a promover a democracia, pela força se necessário.” A síntese da doutrina Bush não foi produzida pelo neurolinguista Noam Chomsky ou algum outro conhecido crítico da política externa norte-americana. A crítica foi feita em discurso no Senado dos EUA por Pat Roberts, do Partido Republicano, o mesmo de Bush.

Nas dez
Ativo na área naval e na de energia, Wagner Victer estreará em 2005 num terreno diferente: em parceria com Martinho da Vila, o secretário estadual de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio de Janeiro assina o enredo Singrando os Mares – Construindo o Brasil, com o qual a Escola de Samba Unidos de Vila Isabel entrará na Sapucaí em 2005. A apresentação oficial do enredo à ala dos compositores da escola será no próximo dia 16, no restaurante Porcão Rio”s (Aterro do Flamengo). O carnavalesco será Joãozinho Trinta, que estréia na escola.

Mauá
O enredo da Vila Isabel abordará a história da Marinha Mercante e da construção naval brasileira, que teve como marco de sua produção em escala industrial os investimentos de Irineu Evangelista, o Barão de Mauá, na Ponta da Areia, em Niterói, no início do século XIX. O apogeu do setor foi em meados da década de 70 do século passado; no decênio seguinte, o declínio após se tornar a segunda maior indústria do setor no Ocidente. A recuperação ocorreu com as encomendas da Petrobras, no final da década de 90, já com Victer à frente da secretaria estadual.

Café com soja
O tombo dos preços das commodities agrícolas impõe pergunta fundamental aos defensores da marcha batida rumo à República Velha: será a soja o café do século XI?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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