Pena de morte

Para contestar o pedido de cassação de seu mandato no Conselho de Ética, o deputado federal Professor Luizinho (PT-SP) recorreu a uma comparação emblemática: gaguejando, perguntou aos repórteres se era justo aplicar a pena de morte a um batedor de carteira como a um homicida. Ele não esclareceu em qual casa se auto-enquadrava.

O modelo chileno
O incômodo com os resultados mais recentes das eleições na América Latina fizeram os papagaios do neoliberalismo por essas plagas ressuscitarem o mito do modelo chileno. A frivolidade com que se referem ao fato de esse modelo ter sido fundado pelo coquetel de tortura, assassinatos e desaparecimentos promovido pela ditadura de Pinochet reafirma o prontuário de pouco apreço pela democracia dos neoliberais, como lembrou nesta mesma página há poucos dias o professor Thetonio dos Santos, que, em artigos anteriores, já demonstrara que o crescimento pinochetismo era resultado do amadurecimento de conquistas anteriores ainda do governo Allende.
Cerca de 15 anos depois do fim da era Pinochet, o Chile continua um país com forte déficit democrático. Dos seus 48 senadores, dez – 20,83% do total da Casa revisora – são biônicos, excrescência introduzida no Brasil pelo Pacote de Abril, de Geisel, e atirada no lixo da história pela democracia nacional.
O engessamento da democracia chilena, no entanto, não se restringe a casuísmos institucionais. Esses se articulam com o congelamento do modelo econômico, erigido à condição de dogma, tanto pelas forças que atendem pelo nome de Concertação – que, curiosamente, guarda semelhanças, não apenas fonéticas, com a Articulação de triste memória no petismo – quanto pela direita aberta ou constrangidamente pinochetista.
O resultado mais emblemático de modelo tão incensado por aqui foi a transformação do Chile, de um dos países de menores diferenças sociais da região, na quinta nação mais desigual do continente. Esse cenário, aliado à ausência de perspectivas, se reflete na forte abulia dos jovens chilenos em relação à política. Na última eleição, na faixa de 18 a 29 anos, a abstenção atingiu significativos 74%. A principal razão desse distanciamento de um modelo que tanto encanta os neoliberais tupiniquins é atribuído pelo próprio órgão chileno voltado para a juventude ao modelo único de economia compartilhado por governo e oposição.

Silêncio inaceitável
Já passou da hora de os interessados em se sentar na cadeira da Presidência da República, em 2007, dizerem a que vêm. No PSDB, José Serra e Geraldo Alckmin, não deram uma palavra sobre o superávit primário – dizer que é elevado está no nível das platitudes; idem para falar que os juros são altos. Qual a opinião dos dois sobre a terceirização do governo, via agências regulares e Comitê de Política Monetária (Copom), manutenção do torniquete da meta de inflação, recuperação do salário mínimo, Alca, entre outros assuntos relevantes? Pelo visto, a única opinião definida a unir os dois tucanos é barrar a CPI da Privatização.

E a classe média?
A propósito, Serra e Alckmin pretendem ter uma política de correção anual da tabela do imposto de renda, congelada durante sete dos oito longos anos do governo FH? Um dos setores mais massacrados por tucanos e petistas, a classe média tem direito inalienável de cobrar a opinião dos presidenciáveis sobre assunto que lhe atinge tão diretamente o bolso.

Estupidez
Por que as pessoas espertas podem ser tão tolas?(José Olympio, 364 páginas, R$ 49). O livro de Robert J. Sternberg (organizador) apresenta exemplos de pessoas sabotando seu próprio sucesso e oferece explicações sobre este tipo de comportamento, com base em pesquisas psicológicas. “O livro é particularmente oportuno, no momento em que os norte-americanos assistem a líderes políticos comportarem-se de uma maneira que, pelo menos para quem vê de fora, parece absurdamente estúpida”, explica Sternberg, obivamente não se referindo a Bush, que não se enquadra em pelo menos um dos adjetivos do título da pulbicação.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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