Pequena e média procuram financiamento

Aumentou a procura das pequenas e médias empresas por financiamento a operações de venda de mercadorias ao exterior. O Programa de Financiamento às Exportações (Proex), operado pelo Banco do Brasil, teve crescimento de 54,1% nos primeiros nove meses do ano, em comparação com igual período de 2005. Ainda assim, o BB não conseguirá utilizar todo o recurso reservado para esse programa no Orçamento Geral da União.
“A nossa dotação é de R$ 1,6 bilhão. Já contratamos R$ 750 milhões até setembro e temos compromissados R$ 400 milhões para os últimos meses do ano”, disse o diretor interino de Comércio Exterior do Banco do Brasil (BB), Rogério Lot.
O volume das exportações que utilizaram financiamento do Proex também aumentou nos nove primeiros meses do ano. “Tivemos um crescimento de 54,5%, com as exportações passando dos US$ 231,1 milhões do ano passado para US$ 357,1 milhões”, ressaltou o dirigente do banco estatal.
O incremento das operações do Proex, segundo Lot, veio acompanhado de uma expansão da participação das empresas de pequeno porte. “A participação das pequenas empresas nos financiamentos aumentou de 42% no ano passado para 46%”, disse. A mudança, na visão do diretor do BB, pode ser um reflexo do esforço feito pelo banco no sentido de incentivar o aumento da base de exportadores. “Hoje temos a presença de nossos gerentes de negócios internacionais em todos os estados”, disse.
A maior parte das exportações feitas com recursos do Proex foi destinada a países da América do Sul. “Tivemos 36% das exportações para a região”, disse o diretor do BB. A Europa, segundo Lot, veio em segundo lugar, com 23% das vendas feitas ao exterior com financiamento oficial.
Os empréstimos do Proex estão limitados às empresas com faturamento igual ou inferior a R$ 60 milhões. “Esta é uma linha mais voltada para as empresas de menor porte”, disse. O custo da operação de financiamento pode variar de uma taxa igual a Libor (a taxa cobrada em empréstimos interbancários em Londres) a Libor mais 2% ao ano. “Cerca de 80% das operações são corrigidas pela Libor, que está hoje abaixo dos 5% ao ano”, disse. O diretor do BB destacou, ao mesmo tempo, que o objetivo do Proex é viabilizar condições de financiamento dentro de parâmetros internacionais.
Além de atender às pequenas e médias empresas exportadoras, existe uma linha do Proex destinada às empresas de grande porte. Nela, em vez de financiar a operação, o Proex entra para equalizar as taxas de juros com o exterior. Há R$ 1,2 bilhão disponíveis nessa linha este ano e a expectativa do BB é de que elas sejam utilizadas em sua totalidade.
O crescimento das operações de equalização, segundo o diretor do BB, veio puxado pelo setor de transportes. “Tivemos uma queda da participação da Embraer e verificamos uma elevação das vendas de ônibus e vagões ferroviários”, ressaltou.
Nos primeiros nove meses do ano, as operações de financiamento do Proex para a equalização de taxa de juros tiveram aumento de 69,7%. Com isso, o valor destes empréstimos subiu dos US$ 88,9 milhões de igual período de 2004 para US$ 150,9 milhões. Esta modalidade de financiamento, de acordo com Lot, é mais usada pelas empresas de grande porte.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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