Pequeno engano

O programa de abertura do setor energético para o mercado “livre” foi comparado pelo especialista da Coppe/UFRJ Roberto Pereira D”Araujo à demolição do Palácio Monroe, na década de 70, em função das obras do metrô carioca. “Primeiro derrubaram o Monroe, depois descobriram que não precisava”.

Para bancos pode
Com uma canetada, o Fed e o BCE reduziram, quarta-feira, os juros no interbancário europeu. Esta coluna sentiu falta dos comentaristas econômicos que, no dia anterior, criticaram a campanha encabeçada pela Fiesp pela redução das taxas, afirmando que juros não podem cair por decreto.

Falsa sensação
A redução do IOF, que afetará linhas de crédito, financiamentos e cartão de crédito, poderá gerar uma falsa impressão de ganho ao trabalhador e, com isso, “ocasionar um início de 2012 com muitas dívidas”, analisa a advogada Lúcia Helena Santana D”Angelo Mazará.
Cabe ressaltar que, ainda que a redução do IOF diminua as prestações, os juros continuam proibitivos.

Choradeira
O economista Adhemar Mineiro, do Dieese, concorda com as críticas dos industriais em ao Plano Brasil Maior (PBM) – a nova política industrial lançada pelo governo – por priorizar a inovação, em detrimento da competitividade e da produtividade.
Quanto a este último ponto, no entanto, Mineiro, do Conselho Editorial do MM, argumenta que a produtividade já subiu, justificando inclusive ganho salarial para os trabalhadores: “A choradeira empresarial é antiga, mas o salário é a última engrenagem, atrás dos preços e da produtividade. Querer brecar que o ganho social chegue até os trabalhadores faz parte da briga pela apropriação de parcela da renda”, destaca.

Ampliar o mercado
Mineiro destaca a importância do repasse da produtividade aos trabalhadores, também do ponto de vista macroeconômico: “Como os trabalhadores consomem tudo o que ganham, é mais dinâmico para a economia. Já os donos das empresas, eventualmente, investem o excedente, mas, se não houver perspectiva de demanda, apostarão no rentismo”, observa.

Terras-raras
Estabelecer a cadeia produtiva de terras-raras no Brasil. Esse é o objetivo do I Seminário Brasileiro de Terras-Raras 2011, organizado pelo Centro de Tecnologia Mineral (Cetem/MCTI) e pelo Ministério de Minas e Energia(MME), no próximo dia 7, no Hotel Novo Mundo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O mercado mundial de terras-raras (aplicadas em alta tecnologia, fibras óticas, notebooks e celulares, entre outros) gira US$ 5 bilhões/ano. Ele é liderado pela China, responsável por 97% da produção. No Brasil, as reservas são estimadas em 3,5 bilhões de toneladas. Mas, apesar do enorme potencial, o país ainda está atrasado na pesquisa e produção do mineral.

Sem intermediários
Ao justificar seu voto pela não fixação de horários para a programação televisiva infantil, o ministro José Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), abraçou a tese de que a capacidade dos brasileiros de “fazer opções” sobre o que desejam ou não ver na TV justificaria a não interferência do Estado na defesa dos direitos das crianças brasileiras contra o lixo cultural.
No limite, a tese do livre arbítrio sem restrições poderia justificar qualquer coisa, da inexistência de horários específicos para programas infantis ao fim do STF. Afinal, se os brasileiros, também, optarem pela resolução direta dos seus conflitos, dispensando a existência de intermediários, a manutenção do Judiciário e de outros poderes, constitucionais ou não, se tornaria uma desnecessidade.

Legendas
De um graúdo intelectual brasileiro, comentando o “nariz empinado” de alguns doutores da Academia, que relutam ler textos nacionais: “Eles preferem ler as revistas norte-americanas ou inglesas – mas traduzidas, pois muitos não dominam o inglês…”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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