Pequim e a economia da neve e do gelo

Além de Harbin, carro-chefe do novo negócio de inverno, outras cidades trabalham para desenvolver suas respectivas economias ligadas à estação fria. Por Edoardo Pacelli

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Torre de gelo no formato de tocha olímpica em Harbin
Foto mostra “Topo do fogo” uma torre de gelo de 42 metros de altura com formato de tocha Olímpica, no Mundo de Gelo e Neve de Harbin. (Xinhua)

Harbin, capital da província de Heilongjiang, no nordeste da China, tornou-se o epicentro da chamada “economia da neve congelada”, que alimenta o consumo de inverno do país. A partir do terceiro dia de férias de Ano Novo, graças à sua oferta turística, esta metrópole teve um total de mais de 3 milhões de visitantes e arrecadou cerca de US$ 827 milhões em turismo.

Outras cidades também estão trabalhando ativamente para melhorar suas ofertas, com experiências envolventes e eventos culturais para o público em geral, juntamente com a curadoria de paisagens deslumbrantes e esculturas únicas. Tudo em linha com as tendências de inverno que ocorrem além do Muro, onde as atividades de inverno são cada vez mais populares, levando as pessoas a viajarem, mesmo nos meses frios.


A cidade moderna de Harbin

Harbin emergiu como uma cidade moderna na web chinesa, atraindo um fluxo notável de turistas de todo o país (e também do exterior). Peras congeladas, esqui, pesca e muitas outras atividades atraíram pessoas de outros lugares para visitar. Além disso, o Festival Internacional de Gelo e Neve começou na noite de 5 de janeiro.

O parque temático, que cobre uma área de 810 mil metros quadrados, utilizou 250 mil metros cúbicos de gelo e neve para criar esculturas como castelos e torres, iluminadas a fim de proporcionar um cenário de luzes coloridas. O tamanho das esculturas de gelo e de neve deste ano, no parque, é o maior desde que foi inaugurado em 1999, declarou Sun Zemin, diretor de marketing do Harbin Ice and Snow World Park, o operador do local.

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O parque oferece mais de 20 atividades de entretenimento, incluindo corridas de kart no gelo, corridas de motos de neve, deslize na neve e ioiô na neve. O governo municipal de Harbin decidiu, igualmente, tornar o dia de abertura do Festival Internacional de Gelo e Neve um feriado para aumentar o clima do evento.


Foto aérea do Harbin Ice-Snow World
Esta foto aérea mostra turistas visitando o Harbin Ice-Snow World, em Harbin (foto de Wang Jianwei, Xinhua)

China e a economia da “neve congelada”

De acordo com a Academia de Turismo da China, o número de turistas que participaram em atividades de inverno de 2022 a 2023 produziu 312 milhões de visitantes, gerando uma receita de 349 bilhões de yuans (US$ 49,9 bilhões). A previsão é igualmente otimista, já que o número deverá ultrapassar 400 milhões de passageiros, gerando uma receita estimada em 550 bilhões de yuans (US$ 78,68 bilhões) durante a temporada de neve de 2023-2024.

Além de Harbin, o carro-chefe dos negócios de inverno da China, outras cidades estão trabalhando para desenvolver suas respectivas economias de “neve congelada”. Um grande número de atividades semelhantes será realizado, neste inverno, nas províncias de Heilongjiang, Jilin e Liaoning, no nordeste da China. A província de Jilin, na fronteira com Heilongjiang, possui 75 estações de esqui e há muitos anos ocupa o primeiro lugar entre os destinos de esqui da China.

Entretanto, em algumas cidades do Sul, grandes complexos comerciais interiores tornaram-se locais importantes para o consumo de entretenimento, oferecendo, a muitos, a oportunidade de esquiar e patinar em qualquer época do ano. Dados do aplicativo de estilo de vida Meituan mostraram que, na província de Zhejiang, desde dezembro de 2023, as pesquisas pela palavra-chave “esqui” aumentaram 39%, enquanto as pesquisas pela palavra-chave “esqui indoor” aumentaram 42%.

Edoardo Pacelli é jornalista, ex-diretor de pesquisa do CNR (Itália), editor da revista Italiamiga e vice-presidente do Ideus.

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