'Até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra Renda Brasil'

Em live, Bolsonaro anuncia que criação do programa está descartada.

Política / 11:11 - 15 de set de 2020

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O presidente Jair Bolsonaro descartou nesta terça-feira a criação do programa Renda Brasil, mas disse que governo não vai suspender reajustes das aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

"Eu já disse que jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos. Quem por ventura vier a propor para mim uma medida como essa, eu só posso dar um cartão vermelho para essa pessoa. É gente que não tem um mínimo de coração, não tem o mínimo de entendimento como vivem os aposentados do Brasil", falou, em live.

"Até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra Renda Brasil, vamos continuar com o Bolsa Família e ponto final", destacou.

Em nota conjunta, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB disseram que "a intenção do governo de congelar o valor das aposentadorias e pensões e restringir o valor do BPC é uma injustiça histórica contra aposentados e trabalhadores".

"Ao contrário dos tecnocratas do governo que, com a frieza das planilhas, criticam o valor das aposentadorias, entendemos que o aumento é uma forma de distribuir renda e contribuir para fortalecer e fomentar a economia e o mercado interno. Com mais rendimentos, os aposentados irão fomentar o consumo, a produção e, consequentemente, a geração de novos postos de trabalho. É fundamental ressaltar, ainda, que o aumento do salário mínimo é fruto da luta que resultou no acordo entre as centrais sindicais e o governo, que estabeleceram, em 2006, com início em 2007, uma política de valorização do piso nacional e a recomposição do seu valor de compra. É importante lembrar que esta conquista do movimento sindical vigorou até 2019."

E encerra lembrando da luta pela extensão do auxílio emergencial de R$ 600 até dezembro. "As centrais sindicais irão mobilizar suas bases para sensibilizar os parlamentares para garantir este direito legítimo aos trabalhadores brasileiros."

Apesar disso, rodada de setembro da pesquisa XP/Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) divulgada ontem mostrou que, pela primeira vez desde maio de 2019, a aprovação a Bolsonaro está numericamente acima de sua reprovação: são 39% os que veem o governo como ótimo ou bom (2 pontos percentuais a mais que o levantamento de agosto) e 36% os que o veem como ruim ou péssimo (1 p.p. a menos). Este é o quinto levantamento consecutivo em que há aumento no grupo que aprova o governo e redução no que reprova.

Em relação à pandemia, foi mantida a tendência observada desde junho, com aumento da fatia da população que considera que o "pior já passou": são 60% em setembro contra 52% em agosto. E, especificamente sobre a ação de Bolsonaro para enfrentamento à crise, foi mantida a tendência de alta nos que a consideram ótima ou boa (de 24% para 28%) e estabilidade nos que a veem como ruim ou péssima (de 50% para 49%).

Os entrevistados foram questionados também sobre a reforma administrativa em discussão no Congresso. Desde novembro de 2019 - último levantamento em que a questão foi feita - cresceu o grupo favorável à flexibilização de regras sobre a estabilidade do servidor público (52% antes e 56% agora) e diminui a fatia favorável à manutenção das regras atuais (39% para 32%).

Foram realizadas 1.000 entrevistas de abrangência nacional, entre os dias 8 e 11 de setembro. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.

 

Com informações da Agência Brasil

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