Perdão da dívida dos países mais pobres

Dos países lusófonos, só São Tomé e Príncipe não têm ainda contágio.

Mercado Financeiro / 22:51 - 25 de mar de 2020

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) estão defendendo o perdão da dívida oficial bilateral dos países mais pobres, entre os quais estão Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

As organizações financeiras defenderam nesta quarta-feira esta ideia. Lembrando que os dois organismos liberaram há poucos dias juntos US$ 22 bilhões para empréstimos com juros zero, especialmente para os países mais frágeis. O grupo dos 20 países mais industrializados realiza esta semana um conjunto de reuniões no seguimento da pandemia da covid-19, tentando delinear um plano de ação conjunto.

Dos países lusófonos, apenas São Tomé e Príncipe não tem, até ao momento, registo de contágio pelo novo coronavírus. A pandemia já contagiou perto de 428 mil pessoas em todo o mundo (até esta quarta-feira), das quais morreram mais de 19 mil pessoas. O continente africano registou 64 mortes devido ao novo coronavírus, ultrapassando os 2.300 casos.

Vários países adotaram medidas de emergência, incluindo o regime de quarentena e o fechamento de fronteiras.

 

IDA

 

Conforme a agência portuguesa Lusa, com efeito imediato, e consistente com as leis nacionais dos países credores, o Grupo BM e o FMI apelam a todos os credores oficiais bilaterais que suspendam os pagamentos de dívida dos países abrangidos pela Associação para o Desenvolvimento Internacional (IDA, na sigla em inglês) que assim o solicitem, lê-se num comunicado conjunto difundido neta quarta-feira em Washington pelas duas instituições financeiras internacionais.

Isto vai ajudar os países da IDA com necessidades imediatas de liquidez a lidarem com os desafios colocados pela pandemia do novo coronavírus e dar tempo para uma análise do impacto da crise e sobre as necessidades de financiamento para cada país”, ressalta o texto das organizações.

A IDA é uma instituição que funciona no âmbito do Banco Mundial com a missão de apoiar os 76 países mais pobres, entre os quais estão todos os países lusófonos africanos, à exceção de Angola e Guiné Equatorial.

 

Apelo aos ricos

 

Neste apelo ao G20, o BM e o FMI pedem a estes países “que façam esta avaliação, incluindo a identificação dos países em situação de dívida insustentável, e preparem propostas para uma ação abrangente dos credores oficiais bilaterais sobre as necessidades de financiamento e de alívio de dívida nestes países”.

O FMI e o BM acreditam que neste momento é imperativo fornecer um sentimento global de alívio aos países em desenvolvimento, bem como um forte sinal aos mercados financeiros”, conclui-se no comunicado, que incide apenas sobre a dívida bilateral e não sobre a dívida emitida nos mercados internacionais e detida por investidores privados ou institucionais.

 

FMI

 

Há poucos dias o FMI disse que avaliava país por país para dimensionar o impacto do Covid-19. O fato é que o crescimento global será menor este ano do que em 2019 por causa da epidemia de coronavírus. “Mas é difícil prever” o quanto a economia cairá, afirmou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economista búlgara Kristalina Georgieva.

O FMI disponibilizou US$ 10 bilhões para empréstimos com juros zero, especialmente para os países mais frágeis. O Banco Mundial havia anunciado na terça-feira um plano de emergência de US$ 12 bilhões para ajudar os países que precisam “tomar medidas eficazes para conter a epidemia, salvar vidas e mitigar o impacto econômico do coronavírus”.

A chefe do FMI, participou de uma reunião com David Malpass, presidente do Banco Mundial, considerou que a epidemia que atinge a oferta e demanda econômica mundial exige uma “resposta global”. “Em tempos de incerteza, é melhor fazer muito do que não fazer o suficiente”, frisou Georgieva.

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