Perdas da Embraer ultrapassam R$ 430 milhões no trimestre

Cinco aeronaves comerciais entregues, seis a menos que no mesmo período de 2019.

Mercado Financeiro / 23:21 - 1 de jun de 2020

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No primeiro trimestre, a receita líquida da Embraer foi 8% menor em relação ao 1T19 e ficou em R$ 2,8 milhões, com queda em praticamente todos os negócios da companhia, à exceção da Aviação Executiva. “Apesar das entregas de jatos executivos terem sido pouco menores no 1T20, em comparação ao 1T19, o mix de entregas foi mais favorável, uma vez que uma quantidade maior de jatos grandes foi entregue nesse período”, informou a fabricante nesta segunda-feira na apresentação dos resultados.

Estamos revendo nossa estratégia para os próximos cinco anos e sem dúvida há iniciativas para potenciais parceiros”, afirmou o presidente da companhia, Francisco Gomes Neto, na teleconferência de resultados. Ele não mencionou nomes de potenciais parceiros, mas tudo indica que poderão ser China e Índia.

Devido à incerteza relacionada à pandemia da Covid-19, as estimativas financeiras e de entregas da empresa para 2020 permanecem suspensas neste momento.

Na comparação entre o 1T20 e o 1T19, o Dólar norte-americano médio teve uma apreciação de 19% em relação ao Real brasileiro, impactando os resultados e despesas apresentados, destacou o relatório de resultados.

A Embraer entregou cinco aeronaves comerciais e nove executivas (cinco jatos leves e quatro grandes), totalizando 14 aeronaves no 1T20. No 1T19, a fabricante entregou 11 aeronaves comerciais e 11 executivas (oito jatos leves e três grandes), e sua carteira de pedidos firmes (backlog) alcançou US$ 15,9 bilhões.

De acordo com o relatório, historicamente, a Embraer tem menos entregas no primeiro trimestre de cada ano e, no 1T20, em particular, as entregas de aeronaves comerciais também foram negativamente impactadas pelas medidas tomadas em janeiro, mês em que não houve entregas, para efetuar a separação da divisão de Aviação Comercial da Embraer em relação à parceria estratégica, agora encerrada, com a The Boeing Company.

No 1T20, o Ebit e Ebitda foram de R$ (209,1) milhões e R$ 47,6 milhões, respectivamente, levando a margens de -7,3% e 1,7%, respectivamente, comparados ao Ebit de R$ (53,7) milhões, com margem de -1,7% e ao Ebitda de R$ 120,3 milhões, com margem de 3,9%, alcançados no 1T19.

De acordo com a Embraer, os resultados do 1T20 incluem itens especiais devido aos impactos da Covid-19: 1) R$ 108,6 milhões em variações negativas no valor da participação da Embraer na Republic Airways Holdings e; 2) R$ 163,1 milhões em provisão para devedores duvidosos nas contas a receber, uma vez que a Empresa adotou uma abordagem mais conservadora no contexto da pandemia da Covid-19.

O Ebit e o Ebitda ajustados foram de R$ 62,6 milhões e R$ 319,3 milhões, com margens ajustadas de 2,2% e 11,1%, respectivamente. No 1T20, a Embraer apresentou Prejuízo líquido de R$ 1.276,5 milhões e Prejuízo por ação de R$ 1,73.

 

Prejuízo líquido

 

O Prejuízo líquido ajustado (excluindo-se impostos diferidos e itens especiais) foi de R$ 433,6 milhões e o Prejuízo por ação ajustado ficou em R$ 0,59. No 1T19, a Embraer reportou um Prejuízo líquido ajustado de R$ 229,9 milhões e um Prejuízo por ação ajustado de R$ 1,25.

No 1T20, a Embraer reportou um Uso livre de caixa ajustado de R$ 2.898,8 milhões, em linha com o Uso livre de caixa ajustado de R$ 2.495,1 milhões reportado no 1T19, que é historicamente negativo nos primeiros trimestres devido ao consumo sazonal de capital de giro.

Segundo o resultado apresentado, a liquidez da companhia permanece sólida e fechou o 1T20 com um caixa de R$ 12.999,7 milhões. A dívida era de R$ 19.922,9 milhões, sendo que grande parte desta com vencimento a partir de 2022, perfazendo uma dívida líquida de R$ 6.923,2 milhões, comparada à dívida líquida de R$ 4.300,7 milhões ao final do 1T19. A Embraer continua avaliando financiamentos adicionais para melhorar ainda mais sua posição de caixa.

 

 

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