Perdas do turismo para a Covid podem custar US$ 4 tri ao PIB global

Regiões menos afetadas pela queda são América do Norte, Europa Ocidental e Caribe.

A pandemia de covid-19 cortou 1 bilhão de viagens somente no ano passado; neste primeiro trimestre, declínio foi de 84%. O cenário mais otimista aponta um retorno aos níveis pré-pandemia em 2023. Os dados constam do novo relatório da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, e da Organização Mundial do Turismo, OMT, lançado nesta quarta-feira em Genebra, na Suíça.

Segundo o estudo, os prejuízos causados à economia global pela retração no turismo internacional devido à pandemia ultrapassarão US$ 4 trilhões nos anos de 2020 e 2021.

Entre as principais razões estão os impactos diretos e indiretos da queda acentuada nas chegadas de turistas internacionais.

Fonte: UNCTAD com base em simulações GTAP.
Nota: Queda nas vendas globais de turismo é de US$ 934 bilhões no cenário 1, US$ 695 bilhões no cenário 2 e US$ 676 bilhões no cenário 3

O relatório alerta ainda que a recuperação do setor de turismo depende da disponibilidade das vacinas contra o coronavírus em todo o mundo. A variação das taxas de imunização entre países oscila entre menos de 1% da população a mais de 60%.

O estudo realça que essa distribuição desigual amplia o prejuízo econômico no mundo em desenvolvimento, que pode representar até 60% das perdas globais do Produto Interno Bruto, PIB.

Efeitos

Para a secretária-geral interina da Unctad, Isabelle Durant, o mundo precisa de um esforço global de vacinação que proteja os trabalhadores, mitigue os efeitos sociais adversos e tenha medidas estratégicas em relação ao turismo. Nesse processo, devem ser levadas em conta as possíveis mudanças estruturais.

Com as vacinações mais aceleradas em alguns países do que em outros, as perdas de turismo são moderadas na maioria das nações desenvolvidas, mas exacerbadas em economias em desenvolvimento. O setor deve se recuperar mais rapidamente em nações com altas taxas de vacinação, como Reino Unido, Estados Unidos, França, Suíça e Alemanha.

O relatório revela, no entanto, que não há previsões de um retorno aos níveis de chegada de turistas internacionais anteriores à Covid até 2023.

Entre os principais desafios estão interrupções de viagens, baixa confiança dos turistas, contenção lenta do coronavírus e um fraco ambiente econômico.

Embora seja esperada uma recuperação do turismo global ainda neste segundo semestre, as projeções mostram uma perda de entre US$ 1,7 trilhão e US$ 2,4 trilhões para o ano, comparados aos níveis de 2019.

A queda no turismo provocou um aumento de cerca de 5,5% no desemprego de mão de obra não qualificada. A situação afeta um setor que emprega muitas mulheres e jovens.

O secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili, disse que o turismo é uma tábua de salvação para milhões e o avanço da vacinação para proteger as comunidades e apoiar o reinício seguro é fundamental para a recuperação de empregos.

O turismo também gera recursos agora necessários, especialmente nos países em desenvolvimento, muitos dos quais são altamente dependentes de visitas internacionais.

Em julho do ano passado, a Unctad estimou que uma paralisação de entre quatro a 12 meses no turismo internacional custaria à economia global entre US$ 1,2 trilhão e 3,3 trilhões, incluindo em custos indiretos.

A OMT revela que as chegadas internacionais entre janeiro e dezembro de 2020 diminuíram cerca de 1 bilhão, ou 74%. No primeiro trimestre deste ano, o Barômetro Mundial de Turismo informou que o declínio foi de 84%.

Segundo o Barômetro, os países em desenvolvimento foram os que mais sofreram com o impacto da pandemia no turismo. As reduções nas chegadas estão entre 60% e 80% no ano passado. As regiões mais afetadas são Nordeste e Sudeste Asiático, Oceania, Norte da África e Sul da Ásia. As menos afetadas são América do Norte, Europa Ocidental e Caribe.

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