Perdas e ganhos

Os dados são do internauta Cesar Maia, que, nas cada vez menos frequentes horas vagas, é prefeito do Rio de Janeiro: “Estados com insuficiência financeira, ou seja, restos a pagar superam as disponibilidades financeiras: SP: R$ 44,7 milhões; Minas Gerais: R$ 2,9 bilhões; Rio: R$ 1,5 bilhão.” Entre as cidades superavitárias, Maia destaca São Paulo, com R$ 684 milhões, e Rio de Janeiro, com R$ 2,4 bilhões.

Mão fechada
Observação dessa coluna: não é difícil imaginar porque o município do Rio tem esse superávit bilionário; sem gastar um tostão com postos de saúde decentes, asfalto nas ruas ou pelo menos uma recauchutagem nas calçadas, sobra dinheiro.
Outra observação: a serem corretos os números, Minas, apesar do badalado “choque de gestão” de Aécio Neves, está no buraco.

Vacina
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, assina nesta sexta-feira, às 12h, com o presidente da Fundação Butantan, Isaias Raw, contrato que destina apoio financeiro do banco, no valor de R$ 32 milhões, para o desenvolvimento de vacinas para rotavírus, dengue e leishmaniose. O projeto será financiado com recursos não-reembolsáveis do Fundo Tecnológico (Funtec) do BNDES.

Perdendo o gás
A recente visita do vice-presidente da Bolívia, Alvaro Linera, ao Brasil provocou uma retomada da mobilização das tropas acantonadas nas redações tupiniquins que, em passado recente, ameaçavam invadir o país de Evo Morales. Depois de exibirem um insuspeito nacionalismo na defesa da Petrobras, a estridência do grupo volta-se para exigir que a Bolívia entregue a carga total de gás que consta do contrato entre as partes. Num nacionalismo singular, esquecem do silêncio que guardaram quando o empreendimento encontrava-se nas mãos da Enron e da Shell, que, com o apoio do Governo FH e a cumplicidade das mídias de lá e cá, impôs à Petrobras a modalidade take or pay, pela qual se obrigava a pagar por 30 milhões m³ de gás, apesar de, à época, a demanda interna brasileira estar por volta de 20 milhões m³ de gás.
Depois da nacionalização do gás pelo Governo Morales e do crescimento da demanda brasileira, os chauvinistas aquartelados nas redações exigem que, independentemente da sua capacidade de produção, a Bolívia entregue ao Brasil integralmente o que consta do contrato, em detrimento da Argentina, que paga por m³ de gás valores superiores aos aceitos pelo Brasil. Nessa cruzada, desconsideram ainda que a demanda do Brasil não alcança os níveis totais previstos.
Espera-se que, na reunião, desta sexta-feira, entre os presidentes de Brasil, Argentina e Bolívia, prevaleça o óbvio: no mínimo, pelos próximos cinco anos, os três países estão fadados a uma cooperação umbilical, que une os dois maiores consumidores de gás da região e o seu maior produtor. O resto, apenas denuncia a perda de gás dos nacionalistas de ocasião.

Branco total
Observadores mais argutos das movimentações das tropas acantonadas nas redações tupiniquins asseguram à coluna, no entanto, que a commodity boliviana que mais mobiliza os interesses dos amotinados não é o gás.

Ecológicos
De acordo com o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o planejamento do Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj) prevê o plantio de 4,5 milhões de árvores e a recuperação de mananciais na região vizinha à obra, que envolve os municípios de Itaboraí, São Gonçalo, Maricá e Niterói.

O melhor é trabalhar
Desempregado que não consegue pagar suas contas e tem o nome incluído no SPC ou na Serasa não consegue sair da UTI do desemprego se procurar trabalho numa operadora de plano de saúde patrocinadora de um clube de futebol do Rio. Segundo candidatos que já passaram por essa experiência, durante a entrevista, são perguntados se enfrentam algum tipo de restrição de crédito. Caso positivo, dificilmente o candidato é chamado. Não satisfeita com a resposta, a empresa investiga a vida do candidato pelo CPF e só o contrata mediante a regularização da situação junto aos serviços de proteção ao crédito. Com a palavra o Ministério do Trabalho.

Marcos de Oliveira e Sérgio Souto

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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