Periciando 2020

É preciso periciar, minuciosamente, cada mensagem deste ano que se findou. Poderíamos dizer que foi um ano diferente, motivado pelo isolamento social que se impôs desde março, gerado por um vírus que se tornou um inimigo invisível e que ainda circula entre nós, mas que também nos convida a repensar valores, rotina e a vida em geral. Analisando ou periciando as mensagens que 2020 nos transmitiu fica fácil entender que fomos obrigados a sair da zona de conforto, pois mexeram no universo pessoal de cada um.

Infelizmente, esse impacto para quase 200 mil famílias trouxe a fatalidade, o que leva a nos solidarizarmos pelas suas perdas. Mesmo neste país com um sistema de saúde diferenciado que, pelo menos teoricamente, abarca todos os membros da sociedade – SUS, nunca tivemos de conviver com tantos hospitais lotados e mortes causadas por um mesmo motivo.

E esse filtro, talvez, seja o primeiro a ser considerado nessa perícia existencial. Com a Covid ficou ainda mais evidenciada a desigualdade social, mas, ao mesmo tempo, ficou claro que somos todos iguais perante o vírus. Para ele não há ricos ou pobres, famosos ou anônimos. Todos são vulneráveis.

Essa fase vai passar e é fundamental estarmos atentos aos ensinamentos passados, ainda que de forma dolorosa. Óbitos, internações, recuperação, desemprego, solidariedade, entre tantas outras coisas deverão ser reconhecidas e utilizadas para nos tornarmos uma sociedade melhor.

Em cada profissão ou segmento da economia muita coisa mudou. Na área da perícia, como venho sinalizando, paradigmas foram quebrados e tudo caminhou. Claro que certas mudanças trazem melhorias, outras nos fazem retroceder, porém cabe a nós fazermos escolhas.

Como tudo na vida, seja no mercado de trabalho, escola ou em casa, o que escolhermos é o que ditará o nosso amanhã como cidadãos e comunidade. Esta freada foi providencial, e cabe a nós fazer do limão uma limonada. Fomos convidados a reinventar. Estamos vivendo o home office como cotidiano. A minha vida mudou. Estou conseguindo tempo para escrever.

Se vamos voltar ao que era ou se iremos nos deparar com um novo normal não importa. O essencial é como queremos ser após essa turbulência. De qual sociedade estaremos falando após a pandemia. Qual será o nosso compromisso com ela em 2021?

Da minha parte, digo que as experiências vivenciadas em 2020 vão me permitir ser mais consciente e proativo nas relações profissionais e pessoais, com mais profissionalismo, ética e olhar mais apurado para o meu próximo. E você?

 

Jarbas Barsanti é perito judicial contábil, conselheiro do CRC-RJ e empresário.

Leia mais:

As invasões bárbaras no Capitólio

O que os cidadãos brasileiros precisam saber

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