Perigosa mágica

A recente ação penal encaminha ao Ministério Público Federal pela 17ª Vara Criminal da Justiça Federal da Bahia contra o banqueiro Ezequiel Nasser vem desmontar, pelas vias judiciais, o cenário utilizado para a realização da grande mágica de se comprar algo muito caro com pouco dinheiro, prática comum no Brasil que, talvez, o próprio Mister M encontre dificuldades para desmascarar.
Como explicar que um banco que valia entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões, no caso o Excel, tivesse dinheiro suficiente para comprar com patrimônio de US$ 1 bilhão e ativos entre US$ 5/6 bilhões? Um comprador desse nível, na realidade, não tem “bala na agulha” para absorver empresa de tal envergadura patrimonial, por mais subsídios que o governo conceda.
O mesmo acontece com as estatais privatizadas e empresas de serviços públicos. O grande risco está no fato de que todas aquelas que tiveram financiamento para mudar de mãos podem acabar voltando para o controle do Estado. Não será surpresa se, em futuro bem próximo, algumas das estatais privatizadas voltarem para o controle do BNDES ou de fundos de pensão com a Previ.

Marcha
O Coordenador Nacional do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, participa nesta segunda-feira do ato contra as privatizações em frente ao edifício-sede da Petrobras, na Avenida Chile, no Rio. A manifestação será também contra o desemprego, pela implementação das reformas agrária e urbana, pela prisão dos corruptos e pelo não pagamento da dívida externa. Logo após o ato, o MST dará início à Marcha Popular pelo Brasil, cujo objetivo é debater com a sociedade um projeto popular para o país. A marcha começa no Rio e contará com a participação de pessoas de outros estados. Percorrerá dezenas de municípios até Brasília, passando por Minas Gerais. A chegada está prevista para a primeira quinzena de outubro – apesar das ameaças de FH, depois negadas, de que usaria a Lei de Segurança Nacional contra os manifestantes.

Fecha a cortina
A Kodak brasileira antecipa que não será afetada pela reestruturação mundial da companhia. “Os esforços da Kodak para melhorar a produtividade irão continuar. As condições básicas da economia e o ambiente geral de negócios brasileiros são a chave para planos operacionais e resultados no Brasil”, destacou Gerald H. Greene, presidente da empresa no Brasil. Ele garantiu que não haverá maiores impactos nas operações em São José dos Campos e Manaus. Apesar do lucro do segundo trimestre, anunciado no último dia 21, a Eastman Kodak Company tem planos de reestruturação – leia-se fechamento de fábricas e demissão de pessoal. A reengenharia vai sangrar em cerca de US$ 300 milhões (antes dos impostos) os cofres da Kodak, gasto previsto para o terceiro trimestre.

Coleção
A Zippo, tradicional marca de isqueiros, estará lançando até o fim do ano duas versões que têm tudo para virar itens de colecionador. Um isqueiro com imagem da passagem do milênio e outro, para vender no Brasil e em Portugal, com desenho alusivo aos 500 anos do descobrimento do Brasil. Espera-se que o Zippo do ano 2000 continue sem bugs.

Prevenidos
Temendo o bug do milênio, com uma pane no sistema de energia por causa da mudança de data de 1999 para 2000, os americanos estão se municiando de lanternas para esta emergência. A Mag-Lite, maior fabricante de lanternas dos Estados Unidos informou a todos seus representantes no mundo, inclusive a Victorinox no Brasil, que não pode mais atender pedidos durante o ano de 1999, pois tem sua produção comprometida até a passagem do ano. E olha que lá nos EUA não existe nem Light nem Cerj.

Exclusivo
Não se sabe se é por causa da concorrência acirrada ou apenas continuação de defeitos técnicos, mas de certas centrais telefônicas do Rio não se consegue ligar para outros estados atendidos pela Telemar usando o código da Embratel (21). A ligação cai antes que se consiga terminar de discar o número. Passando-se para o código da própria Telemar (31) tudo funciona.
Gol contra
Que a privatização não tenha melhorado os serviços da combalida Telerj, alguns usuários  mais resignados até admitem. Mas clientes da Telepar, do Paraná, estão revoltados com a queda da qualidade dos serviços de telefonia depois que a Tele Centro Sul assumiu a empresa. Paranaenses, que contavam com um atendimento razoável e barato (o telefone lá saía por menos de R$ 80 e era instalado rapidamente), agora reclamam que sofrem como os cariocas.

Saúde doente
As demissões promovidas por FH e sua turma são bem mais cruéis do que se pensa. Entre os quase 50 mil agentes de combate às endemias (mata-mosquitos) dispensados da Fundação Nacional de Saúde (FNS) este ano, mais de uma centena deles foram contaminados por produtos organo-fosfatados usados em seu trabalho. Esta substância foi muito utilizada durante a Segunda Guerra Mundial e hoje está proibida em praticamente todo o mundo, mas no Brasil os laboratórios a fabricam e vendem livremente sob os mais diversos nomes comerciais. Os contaminados têm o sistema nervoso central afetado e sofrem desde vômitos e tonturas até contrações musculares involuntárias. O pior é que eles não passaram por exames médicos nem quando foram admitidos e nem na demissão. Mais grave: tudo isto dentro do Ministério da Saúde.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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