Perspectiva de rating da CSN é positiva

A Fitch Ratings elevou o Rating Nacional de Longo Prazo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para ‘AA-(bra)’, de ‘A(bra)’. A Perspectiva do rating é positiva. Nesta quarta-feira, a CSN fará a teleconferência de apresentação dos resultados para analistas e a imprensa. “O rating ‘AA-(bra)’ continua refletindo seus sólidos negócios de minério de ferro e sua forte posição no mercado brasileiro de aços planos, bem como a competitividade de custos destes negócios”, comentou a agência em relatório.

A elevação do rating nacional da CSN reflete a atualização das projeções de preços da Fitch, além de melhoras feitas pela empresa em seu perfil de crédito, com o alongamento de seu cronograma de amortização da dívida e da redução contínua do endividamento, por meio de receitas provenientes de vendas de ativos e da forte geração de fluxo de caixa operacional.

A Fitch estima que a CSN gerará R$ 21 bilhões de Ebitda e R$ 11 bilhões de fluxo de caixa livre (FCF) em 2021, após investimentos de R$ 3 bilhões – um aumento em relação aos R$2 bilhões de investimentos realizados em 2020.

Pelas projeções do cenário-base da agência, a companhia produzirá 31 milhões de toneladas de minério de ferro e venderá mais sete milhões de toneladas compradas de terceiros. Estes volumes são 22% superiores aos reportados no ano passado, quando chuvas intensas afetaram a produção da CSN no primeiro semestre, mas permanecem 1% abaixo dos volumes de 2019. No primeiro trimestre de 2021, a empresa comercializou 8,2 milhões de toneladas de minério de ferro, 7% a mais do que no quarto trimestre de 2020. O Ebitda ajustado totalizou R$6 bilhões, enquanto o FCF ajustado atingiu R$4 bilhões, 23% a mais e 39% a menos do que no quarto trimestre de 2020, respectivamente.

Fortes Preços

O minério de ferro registrou preços recordes e atingiu a média de quase USD200/tonelada no primeiro semestre de 2021, devido à alta demanda da produção global de aço e ao fornecimento mais baixo da Vale S.A. (Vale, Rating Nacional de Longo Prazo ‘AAA(bra)’/Perspectiva Estável) em relação aos patamares reportados em 2019, aliados à interrupção do fornecimento da commodity na Austrália.

A produção de aço na China permaneceu sólida, mas os produtores começaram a enfrentar pressões, que devem resultar na queda da produção. A Fitch revisou para cima suas premissas de preços, mas acredita que estes se reduzirão no segundo semestre deste ano, para cerca de USD160/tonelada por ano, e que seguirão tendência de diminuição até 2025.

Aço

A Fitch acredita que os volumes de aço da CSN crescerão 10% e que os preços aumentarão 5% em 2021. Os volumes do primeiro trimestre de 2021 foram 15% superiores aos do primeiro trimestre de 2020, enquanto os preços aumentaram dois dígitos percentuais. Os setores brasileiros de construção e automotivo apresentaram forte recuperação, e a demanda superou a oferta.

Como observado pelo CRU Group (CRU), o prêmio pago pelas chapas de aço domésticas ainda não é elevado o suficiente para incentivar um aumento de importação do produto chinês. Tendo em vista as já conservadoras projeções, a Fitch entende que as discussões do governo brasileiro terão efeito limitado na redução dos preços de importação do aço e na interrupção dos aumentos dos preços da commodity.

Redução da Dívida

Com base na forte geração de FCF da CSN, a Fitch estima que a empresa encerrará 2021 com US$ 1,9 bilhão de dívida líquida – uma redução frente aos US$ 4,7 bilhões reportados no final de 2020 e aos US$ 6,7 bilhões no final de 2019. Em 31 de março de 2021, a companhia totalizava R$ 37 bilhões de dívida, ajustada pela Fitch, e R$ 18 bilhões em caixa e aplicações financeiras. A dívida calculada pela agência inclui R$3 bilhões em adiantamentos recebidos da Glencore por um contrato de fornecimento de 33 milhões de toneladas de minério de ferro e exclui de seus ajustes valores relacionados a arrendamentos. De acordo com as projeções da Fitch, a CSN encerrará 2021 com um índice dívida líquida/Ebida de 0,5 vez.

Segundo a Fitch, a expectativa é de que este índice se enfraqueça com a queda dos preços do minério de ferro. Em suas projeções, a agência considerou preços de minério de ferro de US$ 100/ton em 2022, US$ 80/ton em 2023 e US$ 70/ton em 2024. O impacto da queda dos preços do minério de ferro será parcialmente compensado por resultados mais sólidos da divisão de aço e pela produção do projeto de Itabirito.

Em 31 de março de 2021, a CSN tinha cerca de 40% de sua dívida vencendo no final de 2023. Cerca de 70% da dívida com vencimento neste período foi captada junto a bancos brasileiros. A Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Bradesco são os maiores credores. Bradesco e Banco do Brasil também concederam empréstimos aos controladores da CSN, Vicunha Aços e Rio Iaco Participações. Em 2021, o programa de gestão de passivos da companhia levou ao refinanciamento das notas com vencimento em 2023. O programa tem como meta a amortização de R$ 4 bilhões de dívida bancária, a redução na amortização anual das obrigações para R$2 bilhões, de R$ 5 bilhões, entre 2021 e 2024, e a ampliação da cobertura da dívida de curto prazo pelo caixa de trinta para sessenta meses.

Listagem

Os R$ 4,1 bilhões (USD760 milhões) em recursos provenientes da Oferta Pública Inicial de Ações (IPO) da CSN Mineração na Bolsa de Valores de São Paulo, realizada em fevereiro de 2021, foram divididos entre a controladora e a subsidiária. Cerca de R$ 1,3 bilhão permaneceram na companhia para expandir seus projetos de mineração e seu terminal portuário, e R$ 2,8 bilhões financiaram o pagamento antecipado da dívida da CSN junto a bancos brasileiros.

Listagem da CSN Cimentos: A CSN está adiando os esforços para levantar R$ 3 bilhões por meio da listagem da CSN Cimentos, que representa cerca de 2% do seu Ebitda, mas tem um plano de investimento em projetos, de BRL6 bilhões, a ser realizado em oito anos. Atualmente, a empresa é a quinta maior produtora de cimento do Brasil e planeja crescer para ocupar uma das três primeiras posições do mercado em alguns anos.

Esta listagem segue a adoção de uma nova estratégia da CSN para acelerar a redução de sua alavancagem por meio da venda de participações minoritárias em seus negócios e outros ativos. Isto incluiu a redução de suas ações preferenciais na Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S. A. (Usiminas, Rating Nacional de Longo Prazo ‘AA+(bra)’/Perspectiva Estável), o que resultou em R$ 1,3 bilhão em recursos. A alienação das ações remanescentes na Usiminas continua sendo considerada.

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