A presidente do Peru, Dina Boluarte, disse nesta quarta-feira que as eleições gerais no país podem ocorrer em dezembro de 2023, alegando que não poderia ser antes porque os prazos técnicos seriam violados. Boluarte, que assumiu após o golpe em Pedro Castillo, inicialmente descartara antecipar a dissolução do Congresso e as eleições; depois, aventou abril de 2024. Pressionada pelas manifestações que se espalham pelo País, admite agora convocar para o ano que vem.
“Legalmente, o tempo chegaria a abril de 2024. Porém, fazendo reajustes, conversando ontem (terça-feira), isso pode ser antecipado para dezembro de 2023, porque antes dessa data, irmãs e irmãos que dizem ‘antecipação das eleições’, legalmente não caberia”, disse.
Em breve declaração aos jornalistas no exterior do Palácio do Governo, Dina Boluarte explicou que o novo período surgiu depois de falar na terça-feira com o presidente do Congresso, José Williams, e com o presidente da Junta Nacional Eleitoral, Jorge Salas Arenas.
O governo peruano declarou nesta quarta-feira estado de emergência em todo o país por 30 dias, para controlar as violentas manifestações que ocorrem em várias regiões, informou o ministro da Defesa, Alberto Otárola. “Ficou acordado declarar o estado de emergência para todo o país, devido ao vandalismo e à violência, à tomada de vias rápidas e estradas”, anunciou Otárola após uma reunião do Conselho de Ministros.
Em relação às manifestações que estão ocorrendo em várias regiões, principalmente nas áreas de Arequipa, Apurímac e Cusco, Boluarte reiterou seu apelo aos cidadãos para que mantenham a calma.
A Presidência divulgou um comunicado do Conselho de Estado, órgão formado pelos mais altos representantes dos poderes do país, no qual manifestou seu apoio ao governo de Boluarte para “restabelecer imediatamente a ordem pública”.
Depois de uma reunião realizada na noite de terça-feira, o Conselho rejeitou “atos e meios violentos que coloquem em risco a vida e a integridade de homens e mulheres peruanos, que afetem a propriedade pública e privada, bem como a prestação adequada de serviços públicos”.
O Peru soma sete mortes devido aos protestos, confirmou, em um comunicado, o Hospital Regional Guillermo Díaz de la Vega de Abancay, localizado no departamento de Apurímac, no sul do Peru.
O País registra protestos violentos em várias regiões desde o último dia 7 de dezembro, depois que o Congresso depôs Pedro Castillo, acusado de tentar um golpe de Estado após tentar dissolver a Assembleia Legislativa. Castillo reagiu a um golpe que estava sendo tramado pelo Congresso, que votaria a terceira tentativa de afastamento do presidente eleito em julho do ano passado.
Os manifestantes, que travaram fortes confrontos com a polícia, exigem a renúncia da presidente Dina Boluarte, o fechamento do Congresso, a libertação de Castillo e a antecipação das eleições.
A prisão preventiva de Castillo por sete dias se encerrou nesta quarta-feira, mas o Ministério Público pediu ao Judiciário que declare 18 meses de prisão preventiva contra ele, pedido que a Justiça resolverá em audiência que remarcou para esta quinta-feira.
Com Agência Xinhua
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