Peso

As remessas de dólares de trabalhadores salvadorenhos residentes nos Estados Unidos já representam quase metade – para ser exato, 47% – do valor das exportações de El Salvador. Os dados são do boletim quinzenal Solidariedade Ibero-americana, que também conclui: “O principal produto de exportação salvadorenho é a sua própria força de trabalho”. É o caso mais gritante, mas não o único. As remessas para a Guatemala equivalem a 20% das exportações do país e as para o Equador só perdem para o petróleo como principal fonte de ingresso de recursos do exterior. Mesmo no México, que tem economia bem maior, as remessas de dólares de 8 milhões de mexicanos que vivem nos EUA ficaram entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões ano passado, equivalente a 5% das exportações mexicanas – exportações que têm sido infladas pelas empresas “maquiladoras” norte-americanas que lá se instalaram para aproveitar as vantagens do Nafta e do baixo custo da mão-de-obra.

De fora
Carros a serviço da Prefeitura do Rio estão circulando pela cidade com placas de outros estados, especialmente Goiás. Ontem, um carro da “Fiscalização do Trânsito” ia da Lagoa em direção à Barra, com placa de Itumbiara (GO). Perdem o estado, já que a arrecadação do IPVA vai para fora; e o próprio município, que não recebe sua parcela de repasse do imposto. A prática de emplacar automóveis fora é seguida por empresas privadas, que vão atrás do IPVA mais barato em outros estados. É o caso de o Detran-RJ investigar, pois o carro deve ser emplacado no município em que circula a maior parte do tempo. E não consta que a Secretaria municipal de Trânsito dê expediente em Goiás.

Futurólogos
O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) realiza hoje, no Hotel Crowne Plaza, o seminário “Economia Brasileira e Cenário Internacional – Perspectivas para os próximos 11 meses”. O evento terá como palestrantes Maílson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria Integrada, Joaquim Elói Cirne de Toledo, vice-presidente de finanças da Nossa Caixa Nosso Banco, e Octávio de Barros, diretor e economista-chefe do Banco Bilbao Vizcaya Argentina Brasil S.A, que debaterão, entre outros assuntos, se as previsões feitas em 2000 para esse ano se confirmam ou devem ser revistas.

Concentração
As exportações brasileiras de café verde estão ficando mais concentradas, ao mesmo tempo que aumenta a participação de empresas estrangeiras. Segundo o semanário especializado Coffee Business, as 15 maiores exportadoras foram responsáveis por 61,5% do total embarcado em 2000. No ano anterior, responderam por 54% e em 1998 por 51%. Já as 11 multinacionais que figuram na lista dos 40 maiores exportadores elaborada pelo Conselho dos Exportadores de Café Verde do Brasil (Cecafé) foram responsáveis por 28% do total vendido pelo país ao exterior no ano passado. Em 1999 essa fatia era de 23% e em 1998 de 21%. O presidente do Cecafé, Guilherme Braga, explica ao Coffee Business que a política de retenção do café acaba beneficiando as empresas com mais acesso a crédito – caso das estrangeiras, que captam recursos no exterior a juros mais baixos e podem carregar os custos da retenção com mais facilidade que as pequenas e médias empresas brasileiras. Só as grandes nacionais conseguem competir, concentrando ainda mais o mercado.

Camisa de força
Ao projetar a taxa nominal de 14% para a Selic até o fim do ano, o Banco Central sinaliza que vai insistir em submeter a economia do país à bitola da política monetária contracionista. Na prática, a taxa de 14% representa, caso seja cumprida a meta de inflação de 4% pelo IPCA, que os juros reais fecharão o ano em inaceitáveis 10% ao ano. Ou seja, duas vezes e meia a inflação oficial.

Excesso
A ação truculenta da polícia suíça conseguiu unir em críticas o megaespeculador George Soros, ambientalistas e líderes sindicais. Autoridades suíças impediram muitos manifestantes de viajar a Davos, sede do Fórum Econômico Mundial, no sábado. Centenas de manifestantes que foram expulsos provocaram tumultos em Zurique, onde a polícia atirou balas de borracha, gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os manifestantes, que atiraram pedras na polícia, atearam fogo em carros e quebraram janelas. Por volta de 100 manifestantes foram detidos e três policiais feridos. Soros criticou a ação da polícia e disse que “a precaução excessiva foi uma vitória para aqueles que queriam desorganizar Davos”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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