Pesquisa da Febraban descarta alta do PIB

Pesquisa Febraban de Economia Bancária e Expectativas não prevê revisão para cima do atual consenso (2,0%) sobre o Produto Interno Bruto (PIB) em 2022.Para 55,6% dos participantes, há, inclusive, um viés de baixa, especialmente em função do aumento da Selic e das incertezas fiscais e políticas. Para os demais (44,4%), riscos estão equilibrados e as projeções de expansão do PIB em torno de 2,0% estão bem calibradas.

Divulgada nesta quarta-feira, a Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos é feita a cada 45 dias, logo após a divulgação da Ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O atual levantamento, realizado entre os dias 11 e 17 de agosto, reuniu as percepções de 18 bancos sobre a última Ata do Copom e as projeções para o desempenho das carteiras de crédito para o ano corrente e o próximo.

Nesta quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE) comunicou que o PIB registrou variação negativa de 0,1%, no segundo trimestre de 2021, na comparação com o primeiro trimestre do ano. Essa variação é considerada de estabilidade pelo IBGE. A economia brasileira avançou 6,4% no primeiro semestre. Nos últimos quatro trimestres, acumula alta de 1,8%, e na comparação com o segundo trimestre do ano passado, cresceu 12,4%. Já a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia está com excesso de pessimismo e sustenta que o PIB deve apresentar crescimento acima de 5% este ano.

João Beck, economista e sócio da BRA, corretora associada da XP, enviou à reportagem do Monitor Mercantil suas impressões sobre o PIB. Ele afirmou que o PIB veio pouco abaixo da expectativa de mercado. “O mercado reagiu muito pouco ao PIB e hoje reage mais pelo ADP, pesquisa sobre emprego com setor privado nos EUA, que surpreendeu negativamente pelo 2º mês consecutivo”, comparou.

Para Beck, o desempenho do setor de serviços foi destaque com crescimento de 0,7% no trimestre, resultado do avanço da vacinação e a continuidade do processo de reabertura econômica, que foi mais penalizado durante a crise, analisou.

“O PIB abaixo do esperado deve levar a algum corte das projeções deste ano. No qualitativo, chama atenção a forte contribuição negativa da queda do agro que sofreu pela falta de chuvas e sucessivas geadas”, acredita.

Além disso, diz ele, os patamares de inflação ainda incômodos e o elevado nível de desemprego e a continuação da alta da taxa de juros deverão atuar como fatores negativos para a atividade econômica no terço final do ano. “Como pano de fundo, destaque para os riscos hidrológicos, que têm se mostrado mais desafiadores que o antecipado pelo governo”, sublinhou.

Carteira de crédito

Conforme a pesquisa da Febraban, a carteira total de crédito deve se manter em um ritmo de expansão elevado e crescer 11,3% em 2021, aponta a Pesquisa Febraban de Economia Bancária e Expectativas. A projeção é superior à registrada na última edição do levantamento (+10,3%), feita em junho, com destaque para a carteira pessoa física com recursos livres, cuja projeção de crescimento passou de 12,6% para 15,6%, impulsionada pelo processo de reabertura da economia e do avanço da vacinação no país, o que favorece especialmente as linhas ligadas ao consumo.

Segundo a Pesquisa, o expressivo desempenho esperado para a carteira Pessoa Física Livre gerou uma alta relevante na projeção da carteira Livre, que subiu 11,2% para os atuais 13,2%. No caso da carteira Pessoa Jurídica Livre, a revisão foi mais modesta, subindo de 10,4% para 10,6%.

“No geral, as estimativas mostram que a oferta de crédito seguirá se expandindo no 2º semestre, reforçando a percepção de recuperação da atividade econômica e a relevância do crédito para este crescimento. O crédito destinado às famílias deve se manter como o principal responsável pelo crescimento da carteira neste ano, embora o crédito destinado às empresas também deva apresentar um crescimento relevante”, afirma Rubens Sardenberg, diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban.

Outro sinal positivo captado pela Pesquisa foi a melhora das projeções de inadimplência da carteira livre, tanto para este ano quanto para 2022. Para 2021, a nova projeção recuou 0,1 ponto percentual, para 3,4%, enquanto a taxa esperada para 2022 também declinou na mesma magnitude, de 3,7% para 3,6%. Ambas as projeções seguem abaixo do patamar pré-pandemia, quando a taxa estava próxima dos 4%, sinalizando que, apesar da alta esperada, esta deve continuar em patamar controlado.

Projeções

Quanto às projeções para 2022, os entrevistados esperam uma expansão de 7,8% da carteira total de crédito, praticamente estável em relação à pesquisa anterior, quando a alta esperada era de 7,7%. A revisão mostrou uma melhora esperada para o desempenho da carteira com recursos livres (+9,8% ante +9,2%), compensada, em parte, por uma projeção mais modesta da carteira direcionada (+4,5% ante +5,1%). Neste caso, as revisões para baixo do desempenho da economia brasileira em 2022, diante das incertezas fiscais e políticas e o aumento da taxa Selic, tendem a conter a melhora das expectativas.

Selic

De acordo com a Pesquisa Febraban de Economia Bancária e Expectativas, a grande maioria dos participantes (88,9%) entendeu como adequada a elevação de 1,0 ponto percentual da Selic ocorrida na reunião de agosto do Copom, assim como o tom do comunicado e a indicação de outro aumento de mesma magnitude na próxima reunião.

Em reflexo à atuação do Banco Central no combate à inflação, os entrevistados (mediana das projeções) acreditam que haverá nova alta de 1,0 ponto percentual na reunião do Copom de setembro, seguida por uma alta de 0,75 ponto percentual na reunião de outubro, e outro ajuste de 0,5 ponto percentual em dezembro, com a Selic finalizando o atual ciclo de ajuste em 7,5% ao ano.

Inflação

Já em relação à inflação, a preocupação é que a maior persistência inflacionária contamine as projeções de 2022. Conforme a pesquisa, a maioria dos participantes (55,6%) entende que as projeções de inflação de 2022 estão calibradas (pouco acima do centro da meta, em torno de 3,90%). Para uma parcela menor (22,2%), as projeções para 2022 devem seguir em alta, e a resposta do Banco Central deveria ser muito mais dura do que a sinalizada até o momento.

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