Pesquisa mostra queda do CDI de 1,08% para 0,50% entre 2017 e 2019

Também revela o comportamento dos investidores. # Por William Eid Junior, Cláudia Yoshinaga e Ricardo R. Rochman, professores da FGV EAESP.

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A pesquisa foi realizada com o patrocínio da Gorila Invest e da Eleven Financial Research com dados periódicos das carteiras de 34 mil investidores entre janeiro de 2017 e agosto de 2019. O número muito elevado de investidores na amostra é um destaque a nível global deste trabalho - são muito raros os estudos com tal amostra.

Neste período o CDI, taxa de referência para os investidores brasileiros, apresentou uma queda grande, partindo de 1,08% para 0,50% ao mês, queda esta que se apresentou mais abrupta entre janeiro de 2017 e março de 2018, com alguma estabilidade a partir deste momento. De toda forma o efeito queda nas taxas foi marcante para a indústria de investimentos no Brasil.

Ao mesmo tempo o Ibovespa, principal indicador da evolução dos preços das ações no Brasil, subiu de 64640 para 101134 pontos no período, uma alta de 56,4%.

Novamente um grande impulsionador do comportamento dos investidores brasileiros no período.

E qual foi esse comportamento? Para responder a esta questão avaliamos os investidores na nossa base de dados em 4 grandes categorias a depender do seu perfil de risco. São elas: Arrojados, Moderados, Conservadores e Todos.

Avaliamos a composição das carteiras ao longo do tempo dessas quatro grandes categorias, bem como seu desempenho.

Todos

O gráfico mostra claramente a evolução das carteiras dos investidores constantes da amostra. E fica clara a migração para produtos de maior risco.

A Renda Fixa Bancária cai de quase 62% para 17%, enquanto que Fundos Multimercados avançam de 23% para quase 42% da carteira dos investidores. Fundos de ações também tem um grande aumento, de 6.38% para 19,97%. Mesmo o aumento de fundos de renda fixa de 6,33% para 13,59% não compensou a evolução dos produtos de maior risco.

O brasileiro se sentiu desconfortável com a redução das suas rendas oriundas da renda fixa e buscou em outros produtos.

A análise dos diferentes perfis de risco mostra a mesma tendência.

Conservadores

Os investidores de perfil conservador apresentavam 81% dos seus investimentos em renda fixa bancária no início da série, e acabam com pouco menos de 36%. Grande redução. O dinheiro foi direcionado para fundos multimercados (6% para 27.92%), um pouco de RF crédito privado (0% para 1.38%), fundos de ações (0.66% para 4%) e fundos de renda fixa (11% para 23%).

Moderados

A redução maior também se deu na renda fixa bancária, de 67% para 25%. Observamos a migração para fundos multimercados (20.72% para 38%), fundos de ações (3.84% para 12.40%) - aqui já um crescimento bem maior que nos conservadores, e finalmente fundos de renda fixa (6% para 15%).

Arrojados

Os arrojados, como esperado, tinham o menor volume de renda fixa bancária em suas carteiras, 56.10%. E o reduziram para 11%. Aqui também houve a migração para fundos multimercados (25.78% para 44.69%), fundos de ações (10.61% para 24.56%) e um pouco de fundos de renda fixa, de 5.51% para 11.95%).

Destaques adicionais

Os investidores continuam sem investir no exterior. NO geral neste período o investimento em ativos no exterior caiu de 0.22% para 0.19%, confirmando o enorme viés doméstico que caracteriza o investidor brasileiro.

Em termos do investimento direto em ações houve um aumento, de praticamente zero para 1.19%. A preferência nítida dos investidores quando falamos em renda variável são os fundos de ações. Partimos de 6.38% para praticamente 20%. Um aumento substancial.

Outros investimentos têm pequena participação na carteira dos investidores, talvez desproporcional ao destaque que têm na mídia: fundos imobiliários e tesouro direto.

Motivo de preocupação: a existência de quase 1% do volume das carteiras investidos em COEs, produto que traz consigo uma enorme (senão total) assimetria de informações.

Rentabilidade

O resultado é interessante. em primeiro lugar os arrojados ganharam mais, claro, se expuseram a maior risco num período favorável da bolsa (56.39% de retorno). Seguidos dos conservadores que com sua estratégia não obtiveram o retorno do CDI no período. Pior ainda os moderados.

Difícil extrair uma estratégia adequada desta análise a posteriori.

Conclusões

Os investidores foram muito afetados por dois eventos durante o período amostral: queda nas taxas de juros e bom desempenho do Ibovespa. Migraram muito para ativos de maior risco, mas ainda os mais tradicionais como fundos multimercados e de ações. Também buscaram fundos de renda fixa provavelmente pelo apelo do crédito privado.

 

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