Petardos

O lançamento do projeto Cobre do Sossego, da Vale do Rio do Doce, quinta-feira, em Carajás, foi marcado por um ligeiro incômodo, que se estendeu, porém, por longos três minutos. Esse foi o tempo que o presidente FH e dezenas de jornalistas tiveram de esperar para que a primeira explosão na mina de cobre se concretizasse. Os presentes mais bem-humorados, porém, ressalvam que o constrangimento registrado pelo cerimonial foi um grão de areia comparado ao furor causado, na véspera, pelo efeito Luma na inauguração da Termluma, no Ceará.

Polêmica sobre o câmbio
Se depender da professora e ex-deputada federal Maria da Conceição Tavares, Luiz Inácio da Silva Lula, se eleito, deve adotar um regime de banda cambial para evitar os transtornos da excessiva flutuação do real. Para Conceição, a volatilidade cambial é o pior entrave à estabilidade econômica. “Esta não é uma discussão trivial. Com o mercado de capitais aberto, não se tem controle sobre o câmbio e precisamos trabalhar muito e agir com firmeza para segurar o país. Mas um regime de bandas não pode significar indexação ao dólar, como fez Delfim Netto”, ressalva a economista, que integra a equipe que elabora o programa de governo Lula.
Conceição diverge, porém, dos que defendem o controle do câmbio ou ainda o ajuste da cotação de acordo com as necessidades da balança comercial: “Hoje, a lógica da substituição de importações não é a mesma. Devemos conversar com todo mundo, inclusive com as multinacionais, mas temos de ter firmeza”, ressalva.
“Eles (os desenvolvidos) são protecionistas e adotam inúmeras barreiras não tarifárias. O câmbio muito desvalorizado serve para proteger importações e gerar ganhos de escala nos manufaturados. Mas 50% dessas exportações eram para a América Latina, que está falida. Para promover exportações de commodities só nos resta ocupar nichos de mercado”, salienta a economista, acrescentando que o preço das commodities é determinado por “eles” e que os norte-americanos injetam US$ 100 bilhões por ano em subsídios agrícolas.
Sem dar asa a cobra
Apesar das ressalvas de Conceição, não são poucos, no entanto, os economistas que defendem o controle do câmbio, fórmula que ajudou a estancar a crise financeira na Malásia, país que experimentou o crescimento mais consistente após o fim da fase mais aguda do cataclismo asiático. O controle do câmbio voltou a ser defendido esta semana em debate no Conselho Regional de Economia (Corecon) sobre o relatório da United Nations Conference on Trade and Development (Unctad), que conclui que a abertura comercial beneficiou os países ricos, em detrimento dos emergentes. O relatório recomenda também que os emergentes voltem a priorizar o mercado interno.

No ar
A Federação Internacional de Trabalhadores em Transportes (ITF) divulgou moção de apoio aos pilotos da Varig durante a Conferência Regional da América Latina e Caribe. A entidade considera que a busca das empresas aéreas internacionais por maior competitividade e produtividade gerou grande precarização dos contratos coletivos de trabalho, afetando os empregos e a qualidade de vida dos pilotos. A Varig, segundo a ITF, demitiu, recentemente, 32 pilotos, dos quais 15 dirigentes da Associação de Pilotos da Varig (Apvar), que representa 94% dos 1,5 mil pilotos da empresa.

Enforcados
Fidel Castro aproveitou seu discurso durante a comemoração de 1º de Maio para criticar e ironizar os governos da América Latina que atenderam a convocação dos Estados Unidos para votar contra Cuba, na 58ª reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ONU, realizada, em Genebra na Suíça, em 18 de março: “Todos os países da América Latina que nos condenaram estão bem distantes dos índices educacionais, culturais e sociais do nosso país. O ocorrido na Argentina, envolvida num inacreditável caos econômico e político e convertida num país faminto, com cerca de 20% de desempregados e com depósitos dos seus cidadãos confiscados, não pode significar outra cosa que o canto do cisne da globalização neoliberal.”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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