Petróleo e soberania

O controle das reservas e da produção do petróleo é fundamental para o desenvolvimento e segurança econômica, energética e militar das nações. É condição essencial para a soberania. “Isto explica as tensões, as disputas, as guerras, os conflitos ocorridos, em todos os recantos do mundo, ao longo da história desta indústria”, sentencia o ex-deputado federal Ricardo Maranhão. Engenheiro aposentado da Petrobras, ele proferiu palestra sobre petróleo e soberania nacional em Salvador, convidado pelo Instituto Rômulo Almeida de Altos Estudos – Irae / Aepet-BA.

Das dez maiores companhias do mundo, cinco são da área de petróleo, e uma, de energia, de acordo com levantamento da revista Fortune. Das cinco, três são estatais chinesas. A participação das “majors” (grandes petroleiras privadas) na produção de petróleo caiu de 55%, em 1950, para 10%, em 2010, mostrou Maranhão. A Petrobras está no time das que cresceram, em reservas e extração. Com inovação e técnica. O pré-sal começou a produzir em apenas dois anos e em oito anos atingiu 400 mil barris/dia. No Golfo do México, o processo demorou 19 anos; na Bacia de Campos, 15 anos; e no Mar do Norte, nove anos. As reservas no pré-sal são estimadas em 173 bilhões de barris, o que colocará o Brasil na terceira posição entre os países, atrás da Venezuela e da Arábia Saudita.

Maranhão afirma que a Petrobras investiu US$ 207,8 bilhões no pré-sal, entre 2010 e 2014, o que levou ao atual endividamento, que pode ser facilmente pago com a robusta geração de caixa da estatal brasileira e com refinanciamentos, se necessário. “Costuma-se comparar a dívida da Petrobras com as das majors (Exxon, Chevron, BP, Shell, Total), comparação inadequada. A Petrobras descobriu imensas jazidas no pré-sal. Tem à sua disposição enorme mercado, com consumo de combustíveis moderado, que tende a crescer. Deve desenvolver estas jazidas. As multinacionais têm dívidas menores porque não têm reservas, nem bons projetos”, ensina o ex-deputado.

Diante de um setor que exige tecnologia sofisticada e é intensivo em capital, com altos riscos e longa maturação dos projetos e demora no retorno dos investimentos, Maranhão aponta para erros no planejamento estratégico da Petrobras. Entre eles, a redução da participação no segmento do gás natural, “sabidamente o combustível de transição do óleo para uma indústria mais limpa e sustentável”; o abandono da área petroquímica, que agrega valor ao óleo/gás, com a geração de centenas de produtos que, ademais, permitirão o aproveitamento do óleo, cuja demanda tende a diminuir, a longo prazo, por imposições ambientais; a saída do setor de biocombustíveis (etanol e biodiesel) produtos cuja expressão econômica tende a aumentar, na busca de energias mais limpas. E talvez o mais grave, a orientação para transformar a Petrobras em empresa não integrada, com foco na produção de óleo e gás.

Como esta coluna publicou semana passada, o mercado de energia está em rápido processo de mudança, e sucesso terão as empresas que compreenderem isto e atuarem em diferentes segmentos. Este entendimento fazia parte do planejamento estratégico da Petrobras, mas pouco a pouco – até pelo sucesso do pré-sal e agora pela determinação do Governo Temer – foi sendo abandonado. A hora é de corrigir o rumo.

 

O que têm em comum Doria e Maduro?

Irritado com o ovo que levou na cabeça em Salvador, o prefeito de São Paulo, João Doria Jr., disse que era coisa do PT, do Psol, das esquerdas, da Venezuela. Só que neste país, Nicolás Maduro (que, diz a oposição, caminha para implantar um regime comunista, mais de esquerda impossível) também foi atacado com ovos.

Tudo isso deixou a coluna em dúvida: o ovo é de direita ou de esquerda?

 

Iguaria

Doria participou do lançamento de um novo prato da culinária baiana: o nacarajegg.

 

Rápidas

Em comemoração aos 30 anos da Editora Unesp, a Universidade do Livro oferece gratuitamente o próximo Encontro com os Escritores, que recebe Pedro Bandeira, para falar sobre sua carreira, processo de escrita, vida pessoal e autografar seus livros. O evento acontece no dia 23 de agosto, às 19h, na Praça da Sé, 108, 7º andar, SP *** A Associação dos Advogados de São Paulo fará bate-papo sobre o livro Uma Fome, com a presença do escritor Leandro Sarmatz, no Café Pauliceia, nesta quarta-feira, às 19h, na sede da Aasp (Rua Álvares Penteado, 151). Informações e inscrições em www.aasp.org.br/aasp/cursos *** Tradicionalmente em São Paulo, a edição 2017 do Congresso Aço Brasil será em Brasília. O ministro Marcos Pereira, do Mdic, participará da cerimônia de abertura, 22 de agosto, às 18h. O evento continua dia 23, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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