Petrobras estima distribuir US$ 3 bilhões aos acionistas este ano

Estatal apurou lucro líquido de R$ 40,1 bi em 2019, avanço de 55,7% ante 2018.

Mercado Financeiro / 22:10 - 20 de fev de 2020

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A Petrobras prevê distribuir US$ 3 bilhões aos acionistas em 2020, sob a forma de juros sobre capital próprio (JCP) e dividendos, informou nesta quinta-feira a diretora-executiva de Finanças e Relacionamento com Investidores, Andrea Almeida, durante teleconferência dos resultados da companhia no quarto trimestre e no acumulado de 2019, publicados na noite de quarta-feira.

A Petrobras reportou um lucro líquido de R$ 40,137 bilhões em 2019,crescimento de 55,7% sobre o valor registrado em 2018. A previsão mostra um crescimento gradual na remuneração aos acionistas, que somou US$ 2,5 bilhões em 2019 e US$ 1,8 bilhão em 2018. O aumento do lucro líquido foi atribuído principalmente ao amplo programa de venda de ativos, apesar de a companhia ter realizado baixas contábeis bilionárias no período.

A companhia comentou, em texto publicado em seu portal de notícias, que teve “um ano de muita entrega e resultado, marcado pela implementação de uma agenda transformacional para uma empresa ainda melhor”. Sobre o balanço, alguns analistas expressaram que os números são inflados por venda de patrimônio. “Os resultados da Petrobras em 2019 são um falso positivo. A receita de vendas caiu 2,58%, de R$ 310,25 bilhões em 2018 para 302,24 bi em 2019. A dívida bruta subiu 3,27%, para US$ 87,12 bilhões”.

O Ebitda ajustado apresentou recorde de R$ 129,2 bilhões. O Ebitda ajustado teve um crescimento de 12,5% em relação a 2018, devido aos menores custos de produção e menores contingências. O Lucro líquido teve um crescimento de 55,7% influenciado pelos ganhos de capitais com a venda de ativos. Em 2019, o índice dívida líquida/LTM Ebitda ajustado subiu para 2,46x versus 2,34x em 2018, devido aos efeitos do IFRS 16 em 2019. Uma vez expurgados tais efeitos, o índice teria sido 01,99x em 2019.
Também presente a teleconferência, o diretor-executivo de Exploração e Produção, Carlos Alberto de Oliveira, disse que está prevista uma maior concentração de paradas programadas para manutenção de plataformas no primeiro semestre, com impacto na produção. Oliveira comentou que a produção de petróleo de janeiro ficou semelhante aos níveis registrados em dezembro, mas que os efeitos das paradas de plataformas programadas para o ano já começaram a ser sentidas neste mês.

 

Exportações

 

A empresa admitiu que está sentido impactos do coronavírus nos preços de venda do petróleo no primeiro trimestre do ano> Houve uma redução dos valores globais. A declaração é da diretora-executiva de Refino e Gás Natural, Anelise Lara, também presente a teleconferência com analistas de mercado sobre os resultados da empresa no ano passado. A companhia prevê no período uma possível diminuição das exportações diante de paradas programadas de produção, disse a diretora-executiva de Refino e Gás Natural, Anelise Lara.

A petroleira não sentiu efeitos na demanda por seu produto, já que todas as cargas que estavam previstas estão embarcando normalmente”, acrescentou Anelise Lara. “No primeiro trimestre de 2020, a gente já está vendo desconto em relação ao Brent, mas a gente vai precisar, ao longo do ano, calibrar”, disse.

Hoje, a China é o destino de cerca de 65% do petróleo vendido pela Petrobras, segundo a executiva. No entanto, a diretora ponderou que os mercados europeu e americano também estão recebendo bem o petróleo da companhia, pela qualidade do produto, com baixo teor de enxofre.

O lucro líquido e o Ebitda ajustado da companhia foram de R$ 8,2 bilhões e R$ 36,5 bilhões, respectivamente. O Ebitda ajustado teve um crescimento de 12% em relação ao 3T19, devido aos menores custos de produção, valorização das correntes de óleo e recuperação do Brent.
No 4T19, o índice dívida líquida/LTM EBITDA ajustado caiu para 2,46x versus 2,58x no 3T19, aplicando os efeitos do IFRS 16. Uma vez expurgados tais efeitos, o índice teria sido 1,99x no 4T19.

 

Dividendos

 

O Conselho de Administração, em reunião realizada na quarta-feira, aprovou remuneração aos acionistas sob a forma de dividendos no valor de R$ 1,7 bilhão para as ações ordinárias (R$ 0,233649 por ação) e R$ 2,5 milhões para as ações preferenciais (R$ 0,000449 por ação) em circulação, com base no resultado anual de 2019. Todos os valores serão atualizados pela variação da taxa Selic de 31 de dezembro de 2019 até a data do pagamento.

O pagamento do dividendo será realizado em 20 de maio de 2020 e os acionistas terão direito à remuneração, na seguinte forma: 1. A data de corte para os detentores de ações de emissão da Petrobras negociadas na B3 será no dia 22 de abril de 2020 e a record date para os detentores de American Depositary Receipts (ADRs) negociadas na New York Stock Exchange – NYSE será o dia 24 de abril de 2020. 2. As ações da Petrobras serão negociadas na B3 e NYSE a partir do dia 23 de abril de 2020.

O valor total distribuído aos acionistas referente ao exercício de 2019 será de R$ 10,6 bilhões, equivalente a R$ 0,73 por ação ordinária e R$ 0,92 por ação preferencial em circulação. “Essa proposta de remuneração aos acionistas, que será encaminhada para deliberação da Assembleia Geral de Acionistas em 22 de abril, considera que a companhia atenderá ao mínimo requerido pela lei e por seu estatuto social, em linha com sua gestão financeira e com a meta de redução da dívida”, explicou a petroleira.

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