Petrobras, faça como o secretário de Desestatização

Localiza, de Matar, tem índice de endividamento superior ao que querem impor à estatal.

Uma das formas de se enfraquecer a Petrobras e possibilitar sua privatização pelas beiradas foi estabelecer um critério absolutamente subjetivo para seu endividamento, que não deveria passar de 2,5 vezes no indicador dívida líquida/Ebitda (que significa que a dívida não pode ser mais que duas vezes e meia superior ao lucro antes de juros, impostos e outras obrigações).

Esse limite não tem nenhuma base teórica ou empírica. Foi tirado do etéreo para forçar a Petrobras a se desfazer de bens e subsidiárias. Basta ver como é o indicador dívida líquida/Ebitda em companhias privadas. Um exemplo: a Localiza, de Salim Matar, que se afastou da direção da empresa para assumir a Secretaria de Desestatização do Ministério da Economia.

De dezembro de 2014 até setembro de 2018, a Localiza aumentou seu endividamento de 1,4x para 3,1x pelo critério dívida líquida/Ebitda. O aumento da alavancagem fez parte da estratégia da empresa, que, mesmo assim, conseguiu a manutenção de elevados níveis de rentabilidade, acima do custo da dívida.

A Localiza revelou que acertou com os credores que deve manter o indicador dívida líquida/Ebitda abaixo de 4x. Muito acima do limite que o “mercado” impôs à Petrobras. E nem por isso a empresa de Matar deixou de ser uma das queridinhas da Bolsa. Ao contrário, fez lançamento de ações com sucesso, e atualmente os papéis da Localiza são negociados a um múltiplo de 35x preço/lucro (traduzindo do jargão acionário: pelo valor atual das ações, levaria 35 anos para recuperar o capital aplicado; nas Bolsas, isto é visto como confiança na empresa).

E ainda há economistas do “mercado” que não ficam rubros ao vir a público dizer que a Petrobras está muito endividada.

 

Mágica anunciada, cadê o coelho?

O presidente de Itaipu Binacional, general Joaquim Silva e Luna, garante que, em apenas 100 dias no cargo, conseguiu reduzir as despesas da empresa em R$ 163 milhões. Um feito que o credenciaria para o lugar de Paulo guedes no Ministério da Economia.

Porém, ao contrário de Guedes, que se escora em seu assistente de palco para distrair a plateia enquanto realiza seus truques, Silva e Luna anuncia a mágica, mas não mostra o coelho saindo da cartola. Dos R$ 163 milhões que diz ter poupado aos cofres semipúblicos com “medidas de austeridade”, R$ 140 milhões (85% do total) teriam vindo de “convênios e desonerações, tanto em convênios atuais como os que seriam pagos ao longo dos anos”.

O que seria isso? Foi o que a coluna perguntou à assessoria de imprensa de Itaipu. Flávio Miranda, gerente da ACS, alegou que a companhia “não vai citar os nomes das entidades que tiveram os pedidos de convênio negados ou reduzidos.”

Nem precisa. Basta revelar quais setores e tipos de convênios foram afetados, que desonerações são essas e em quanto tempo o ganho se daria. Simples, em nome da transparência. A ACS, porém, não respondeu. Abrem-se, assim algumas hipóteses:

1) Itaipu Binacional operava uma verdadeira farra com dinheiro que, em última análise, é do contribuinte.

2) O corte houve, o que não há é transparência (o que não invalida a hipótese anterior).

3) A economia não é tão impressionante, e o que se fez foi uma conta mágica para chegar a um número expressivo, porém que pouco significa diante do faturamento da companhia ao longo dos anos.

A promessa do novo governo é que iria “mudar tudo isso que está aí”. A melhor maneira é jogando luz sobre casos suspeitos.

 

Não vale o escrito

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizou a redução do percentual de conteúdo nacional na exploração de petróleo para contratos em vigor. Nestes casos, não vale a segurança jurídica e preservação dos marcos regulatórios?

 

Rápidas

Nesta sexta-feira, o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, assinou o projeto do Programa de Incentivos Fiscais – Santos Criativa na Associação Comercial local. A iniciativa visa atrair novos comerciantes ao Centro da cidade e incentivar os que já trabalham lá *** O Shopping Grande Rio promove show no Dia dos Namorados, às 19h, com Bruno Galvão, que cantará sucessos românticos de Lulu Santos *** Nesta segunda-feira, a Fiesp lançará guia para estrangeiros que desejam investir no setor de infraestrutura brasileiro. A entidade sonha com investimentos de R$ 2 trilhões nos próximos dez a 15 anos nas indústrias de gás natural e petróleo e R$ 132,6 bilhões em logística até 2025.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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