Petrobras fecha 2020 com lucro de R$ 7,1 bilhões

A Petrobras conseguiu reverter a trajetória de seu desempenho contábil nos primeiros nove meses do ano e alcançou o lucro líquido de R$ 59,9 bilhões no quarto trimestre de 2020. No consolidado do ano, a companhia obteve lucro líquido de R$ 7,1 bilhões, encerrando 2020 com sólido desempenho operacional e financeiro, lucro esse, em boa parte, com revisões de impairments. Parte dos impairments realizados anteriormente, no montante de R$ 31 bilhões, foram revertidos como resultado das novas curvas de preço do Brent e de câmbio aprovadas no Plano Estratégico 2021-25, bem como pela revisão do portfólio de projetos, principalmente relacionadas ao E&P. Em 2020, as despesas operacionais aumentaram devido ao maior impairment, derivado da redução na curva de projeção dos preços do Brent, e às maiores despesas com vendas, impulsionadas pelo aumento nos volumes exportados e nos custos de frete internacional e pela venda de 90% de participação na TAG em 2019, que acarretou maiores gastos com as tarifas associadas. Por outro lado, houve redução de 34% nas despesas gerais e administrativas, devido a medidas de resiliência. A companhia testa anualmente seus ativos para impairment ou quando há indicação de que seu valor contábil pode não ser recuperável.

Os dados foram divulgados pelo presidente da estatal, Roberto Castello Branco, nesta quarta-feira.

A receita líquida do 4T20 foi 6% superior ao 3T20, principalmente em função da valorização do preço do Brent, aliada à maior demanda por geração termelétrica, que levou ao aumento das vendas de energia elétrica, gás natural e óleo combustível. Entretanto, o volume das exportações de petróleo diminuiu devido à menor produção no trimestre. A Petrobras encerrou o trimestre com exportações de petróleo em andamento de 15 MMbbl.

Segundo Castello Branco, a produção de óleo e de óleo e gás alcançou recordes históricos de 2,28 MMbpd e 2,84 Mmboed, respectivamente, enquanto grande parte dos competidores globais mostrou redução na produção. A maior parte da nossa produção – cerca de 66% – veio dos campos do pré-sal, com um lifting cost médio de US$ 2,5/boe.

“Isso também significa óleos de melhor qualidade vendidos a prêmio em relação ao Brent, bem como menores emissões de gases de efeito estufa (GEE)”, afirmou.

Segundo Castello Branco, o lifting cost total médio, de US$ 5,2/boe em 2020, caiu 42,2% em relação à média de 2015-2019, de US$9.0/boe.

“Nossas exportações de petróleo e óleo combustível também alcançaram recordes históricos. As vendas de petróleo cresceram 33% e as marcas Tupi e Búzios foram consolidadas com clientes asiáticos”, disse.

As exportações de óleo combustível subiram 45,9%, principalmente devido à bem-sucedida exportação de óleo combustível de baixo teor de enxofre para o mercado de Singapura, um hub marítimo global.

De acordo com Castello Branco, novas e bem-sucedidas incursões foram realizadas nas vendas de nafta, propano, etano e coque. “Enquanto os preços de petróleo derreteram 35%, nosso fluxo de caixa operacional (FCO) cresceu 13% e o fluxo de caixa livre (FCL) 20%. Nosso FCO alcançou US$ 28,9 bilhões, o maior dos últimos 10 anos, mesmo comparando com o período de preços de petróleo por volta de US$ 100/bbl, mais que o dobro do preço médio do ano passado, de US$ 42/bbl”

O presidente da estatal afirmou que o FCL de US$ 22,1 bilhões (US$ 24,1 bilhões se forem incluídos os desinvestimentos) foi um marco histórico para a Petrobras. “Foi o maior dentre as majors, e quase oito vezes maior que a média deste grupo, de US$ 2,8 bilhões”.

Segundo ele, consistente com o foco em meritocracia e criação de valor, a Petrobras implementou o EVA como sistema de gestão em 2019.

A força da geração de caixa e uma alocação mais eficiente de capital foram os fatores preponderantes para o aumento de US$ 2,3 bilhões no EVA em relação a 2019.

“A forte geração de caixa nos permitiu continuar a desalavancar nosso balanço. A dívida total foi reduzida em US$ 11,6 bilhões, para US$ 75,5 bilhões, de US$ 87,1 bilhões em 31 de dezembro de 2019, outra grande conquista”, frisou Castello Branco.

Disse também que a dívida líquida de US$ 63,2 bilhões no fim de 2020 caiu US$ 15,7 bilhões em relação à posição de 31 de dezembro de 2019. “O caixa de US$ 12,4 bilhões ainda está acima do nível ótimo. Este deve ser reduzido ao longo do tempo para melhorar a eficiência da alocação de capital à medida que aparecem oportunidades atrativas para pré-pagamentos de dívidas. A redução da dívida e menores custos da dívida contribuíram para uma queda substancial das despesas de juros. Por exemplo, a métrica juros pagos por barril de óleo produzido foi de US$ 3,80 em 2020, contra US$ 7,80 em 2015 – uma queda de 51% – e contra a média de US$ 7,70 no período 2015-2019. O total de juros pagos, de US$ 3,2 bilhões em 2020, representa uma mudança drástica, quando comparada aos altos pagamentos de mais de US$ 7,0 bilhões por ano no passado recente, equivalente a mais que o Capex requerido para construir um sistema de produção offshore com capacidade para produção de 150-180.000 bpd”, explicou.

 

Acionistas – De acordo com Castello Branco, o retorno total para o acionista Petrobras tem sido muito fraco ao longo dos últimos anos. “Tendo em vista a forte performance de geração de caixa e a contínua redução da dívida, estamos propondo ao Conselho de Administração a distribuição de R$ 10,3 bilhões em dividendos – R$ 0,787446 por ação ordinária e preferencial -, ainda relativamente modesto, mas mais que o dobro do mandatório para o ano contábil de 2020. O pagamento dos dividendos está agendado para o dia 29 de abril”, afirmou.

Também disse que os gastos operacionais gerenciáveis caíram para US$ 16,9 bilhões, contra US$ 21,8 bilhões em 2019, e despesas gerais e administrativas foram US$ 1,0 bilhão menores, para US$ 1,1 bilhão, contra US$ 2,1 bilhões. Lifting costs caíram 33% na comparação anual, de US$ 7,8/boe para US$ 5,2/boe. 63 plataformas de petróleo foram hibernadas devido à baixa produtividade e altos custos operacionais.

 

PDV – Segundo o presidente da Petrobras, cerca de 11 mil funcionários da estatal e suas subsidiárias se inscreveram em vários programas de desligamento voluntário, dos quais 6.100 deixaram a empresa em 2019 e 2020 e 5 mil sairão a partir de 2021.

Quase 1.500 posições gerenciais foram eliminadas, o uso de recursos internos foi adotado para reduzir custos e o uso da transformação digital e da automação reduziram a demanda por serviços terceirizados.

Castello Branco também afirmou que o fundo de pensão (Petros) tinha um déficit de mais de R$ 30 bilhões devido à má gestão do passado. Foi contratada uma gestão profissional e um novo plano de cobertura de déficits foi aprovado e implantado em 2019. Em janeiro de 2021, um plano de contribuição definida foi aprovado pelos órgãos reguladores.

“Vários prédios administrativos foram fechados, totalizando 14 de 23 ocupados no início de 2019. O número de escritórios fora do país caiu para quatro, eram 18 em 2018. Ao mesmo tempo, o número de expatriados por escritório foi reduzido significativamente”, afirmou.

Desde janeiro de 2019 foram concluídas 21 transações e outras 13 assinadas, envolvendo desinvestimentos no montante de aproximadamente US$ 17 bilhões de entrada de caixa, sendo US$ 14,4 bilhões naquele ano. A BR Distribuidora foi o primeiro caso de privatização de uma empresa estatal por meio do mercado de capitais.

“Os fluxos de desinvestimentos foram um fator-chave para financiar a aquisição de Búzios (excedente da Cessão Onerosa), o maior campo de óleo offshore do mundo, em novembro de 2019. Duas fábricas de fertilizantes foram alugadas para uma empresa química por meio de um contrato de longo prazo, nossa subsidiária ANSA foi fechada e nossas duas empresas de distribuição de gás natural no Uruguai tiveram suas licenças de operação devolvidas ao governo uruguaio permitindo que a Petrobras deixasse o negócio. Atualmente, ainda temos mais de 50 ativos à venda em diferentes estágios em seus processos de desinvestimento. Cinco refinarias, Gaspetro e vários campos maduros de petróleo chegaram à etapa final para a assinatura dos contratos de compra e venda”, explicou Castello Branco.

Segundo ele, o programa de desinvestimento tem por objetivo otimizar o portfólio, permitindo a realocação de recursos de ativos de baixo retorno para ativos de alto retorno, a redução da dívida e do risco da companhia. Nos últimos dois anos foram investidos US$ 35 bilhões, a maior parte em exploração e produção de óleo e gás natural em águas profundas e ultraprofundas.

Castello Branco afirmou ainda que a Petrobras é a maior pagadora de tributos do Brasil. “Diante dos preços baixos do petróleo e da contração da demanda, pagamos R$ 129 bilhões ao governo em 2020, totalizando R$ 375 bilhões nos últimos dois anos. Nosso objetivo é nos tornarmos a melhor empresa de óleo e gás do mundo, criando valor com respeito às pessoas e ao meio ambiente, com foco na segurança e continuando a ser um fornecedor confiável de produtos de alta qualidade para nossos clientes”, finalizou.

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