O desmantelamento de estruturas de produção offshore (marítima), que inclui plataformas inteiras, sistemas submarinos e poços e FPSOs (Unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (em inglês Floating Production Storage and Offloading), gerará oportunidades e desafios no Brasil. Mas o custo disso ainda é desconhecido. Em sistemas de exploração de óleo e gás o fim da vida útil das estruturas e poços situa-se em torno de 25 anos.
O tema foi objeto de debate nesta segunda-feira do seminário “Descomissionamento no Brasil: oportunidades e desafios”, realizado pela FGV Energia, o centro de estudos de energia da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. A meta da Petrobras, por exemplo, é descomissionar até 2020 cerca de dez plataformas mais antigas. As unidades a serem descomissionadas estão localizadas nas bacias de Campos, Sergipe-Alagoas e Espírito Santo.
A estatal não prevê impacto na produção, uma vez que as unidades já não estão em atividade, afirmou o gerente da estatal para a área, Eduardo Zacaron. “Não haverá impacto na produção porque já não produzindo mais”, garantiu a jornalistas. Ainda sobre a Petrobras informou que outros projetos de descomissionamento estão sendo analisados internamente, mas não há um plano definido. Ele não comentou sobre os custos para o desmonte.
Em maio deste ano, a Petrobras abriu licitação para a contratação de atividades de descomisionamento de três plataformas fixas no campo de Cação, na Bacia do Espírito Santo. O campo de Cação foi a primeira produção de petróleo em águas da Petrobras na Bacia do Espírito Santo, iniciada em 1978.
Unidades
O descomissionamento inclui FPSOs Cidade do Rio de Janeiro, Cidade Rio das Ostras e P-33, em Campos, e Piranema, na Bacia de Sergipe-Alagoas. A desmobilização de cidade do Rio de Janeiro e cidade Rio das Ostras está prevista para este ano, e o descomissionamento dos demais equipamentos ocorrerá em 2020. A empresa vai realizar ainda o descomissionamento das plataformas P-7, P-12 e P-15, em Campos, no ano que vem. O projeto da Petrobras prevê também a desmobilização em 2020 das plataformas PCA 1, 2 e 3.
Complexidade
Existe uma complexidade envolvendo o tema. “No Brasil, há campos em águas profundas e ultra profundas, que para descomissionar são tecnicamente complexos e não vistos em outras regiões do mundo”, segundo informação extraída do Boletim de Conjuntura do Setor Energético, divulgado em outubro de 2018 pela FGV.
“No Brasil a maior parte dos dutos utilizados são flexíveis e com grande comprimento, diferente da tecnologia utilizada em outros países. Além disso, também há o desafio dos passivos ambientais e a baixa disponibilidade de embarcações específicas que conduzam o processo. Todas essas especificidades encarecem o procedimento no país”, informa a publicação.
Além da Petrobras, participaram do evento representantes do governo do Estado do Rio de Janeiro, da Petrobras, da Agência Nacional de petróleo e Gás (ANP), do IBAMA, da COPPE/UFRJ e da Marinha do Brasil, entre outros.
FGV Energia
“Embora a principal atração brasileira no setor de óleo e gás seja o upstream, especialmente nas áreas de pré-sal, outras oportunidades interessantes descortinam-se no cenário nacional. Uma delas é o desmantelamento de estruturas de produção offshore, desde plataformas inteiras, sistemas submarinos, poços e FPSOs”, destaca em texto a FGV. De acordo com o centro de estudos, considerando a fase incipiente da indústria de descomissionamento no Brasil, os esforços de colaboração entre operadores, representantes da indústria de serviços, universidades e governo são imperativos e podem ser benéficos para todas as partes envolvidas.
O tema é objeto de estudo do centro que planeja e realizaconferências, seminários, congressos e discussões temáticas, individualmente ou em parceria com outras unidades da FGV e/ou renomadas entidades de ensino e pesquisa nacionais e internacionais. “O objetivo é proporcionar um debate de alto nível, servindo como conexão entre consumidores e produtores, governo e indústria e acadêmicos”.
“O amadurecimento de campos produtores de petróleo no Brasil, e seu consequente declínio de produção, trazem à tona a necessidade de discussão sobre o descomissionamento, isto é, a adoção de medidas para a desativação de todo um empreendimento, ou parte dele, ao final da sua vida útil”,
Em 2018, de acordo com a ANP, foram descomissionadas no Brasil as unidades FPSO Brasil (Campo de Roncador) e FPSO Marlim Sul (Campo Marlim Sul). Nesses casos apenas a unidade produtora foi descomissionada e os poços, tamponados. Todos os outros poços interligados a elas foram remanejados para outras unidades e o seu sistema submarino redirecionado, não exigindo o descomissionamento do campo por completo nem uma maturidade exploratória na condução da atividade.




