Petrobras registra prejuízo líquido de R$ 2,5 bi no segundo trimestre

A companhia fechou o trimestre com Ebitda recorrente de US$ 3,4 bi e fluxo de caixa livre de US$ 3,0 bi.

Mercado Financeiro / 00:50 - 31 de jul de 2020

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A Petrobras fechou o segundo trimestre com prejuízo líquido recorrente de US$ 2,5 bilhões, contra o lucro de R$ 18,8 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. resultado que, segundo a empresa, reflete os efeitos econômicos provocados pela pandemia, sobretudo a queda do preço do petróleo e também das indenizações dos Programas de Desligamento Voluntário (PDVs) e Programa de Aposentadoria Incentivada (PAI).

Na comparação mensal, porém, aestatal teve uma melhora expressiva ante o prejuízo recorde de R$ 48,5 bilhões registrados nos três primeiros meses deste ano. Enquanto isso, o prejuízo recorrente ficou em R$ 13,7 bilhões, contra um resultado negativo de R$ 4,6 bilhões um ano antes.

A empresa conseguiu reduzir o prejuízo na comparação mensal principalmente “devido à ausência de impairments no trimestre e ao ganho proveniente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins após decisão judicial favorável, que teve um efeito de R$ 10,9 bilhões no resultado”, segundo o comunicado de resultado da empresa.

“Nossa capacidade de reação e nossa estratégia têm se mostrado eficazes no enfrentamento dessa crise e da consequente recessão global. Seguiremos trabalhando e tomando as decisões necessárias para tornar a Petrobras uma empresa ainda mais resiliente e geradora de valor”, comentou a diretora Executiva Financeira e de Relacionamento com Investidores, Andrea Almeida, em vídeo divulgado para investidores.

Mesmo em um cenário desafiador como o segundo trimestre de 2020, a Petrobras argumenta que conseguiu apresentar sólidos resultados em função de decisões ágeis tomadas logo no início da crise. A companhia fechou o trimestre com Ebitda recorrente de US$ 3,4 bilhões e fluxo de caixa livre de US$ 3,0 bilhões. Números que mostram que, mesmo com redução de 42% no preço do barril de petróleo (Brent) e queda na demanda interna por derivados no período, a companhia seguiu firme em sua operação e com caixa para garantir sua liquidez.

Na opinião da empresa, ambos indicadores são acompanhados atentamente pelo mercado como bons indicativos da saúde financeira da companhia. “O Ebitda serve para analisar o resultado operacional de uma companhia ao longo do tempo. Ele é importante porque retira o efeito dos juros, impostos, depreciação e amortização do lucro líquido, facilitando a comparação de resultado entre companhias, uma informação fundamental que auxilia na tomada de decisão de potenciais investidores. Já o fluxo de caixa livre é o saldo de caixa - resultante da diferença entre geração operacional e os investimentos do período - usado para fazer frente às obrigações financeiras e potenciais dividendos. Além disso, é fundamental para a desalavancagem de qualquer companhia” ressalta a empresa.

Nesse cenário desafiador, a Petrobras ressalta que conseguiu fechar o trimestre com uma dívida bruta de US$ 91,2 bilhões, um aumento de apenas US$ 2,0 bilhões em relação ao trimestre anterior. Esse movimento foi importante para reforçar o caixa e garantir liquidez para enfrentar esse momento de maior volatilidade. A partir do segundo semestre, a companhia já começa o pré-pagamento de linhas de crédito rotativas para que o caixa se aproxime aos patamares pré-crise. No último dia 27, por exemplo, realizou o pré-pagamento de US$ 3,5 bilhões, do total de US$ 8 bilhões das linhas de crédito compromissadas.

A performance operacional da companhia segue elevada apesar dos efeitos da pandemia. Veja aqui relatório com os principais resultados operacionais do trimestre, divulgado no dia 21/07

Algumas iniciativas que dão mais transparência às metas da companhia em Environmental, Social, and Governance – ESG (Fatores de Desempenho Ambiental, Social e de Governança Corporativa) foram destaque nesse trimestre. Entre elas estão o apoio da Petrobras ao Task Force for Climate-related Financial Disclosures – TCFD (Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima), uma iniciativa do Financial Stability Board (Conselho de Estabilidade Financeira) do G20, e a atualização do Caderno do Clima.

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