Petrobras retoma 100% da produção em duas áreas na Bacia de Campos

Com preferência, empresa recompra campos vendidos no governo anterior

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Edifício sede da Petrobras no Centro do Rio (foto de Fernando Frazão, ABr)
Edifício sede da Petrobras no Centro do Rio (foto de Fernando Frazão, ABr)

A Petrobras vai recomprar 50% de participação dos campos de petróleo Tartaruga Verde e Espadarte – Módulo III, na Bacia de Campos, litoral do Sudeste. Com o anúncio, a empresa volta a ser 100% dona dos campos, que tinham sido vendidos em 2019, durante o governo Bolsonaro.

A transação será de US$ 450 milhões (equivalente a R$ 2,3 bilhão). A vendedora é a Petronas, petrolífera empresa da Malásia. O comunicado da Petrobras sobre a aquisição foi divulgado na noite de segunda-feira.

O pagamento será feito de forma parcelada. US$ 50 milhões no ato de assinatura (ainda sem data); US$ 350 milhões no fechamento da operação, sujeito à ajustes relacionados à data efetiva da transação; duas parcelas, no valor de US$ 25 milhões cada, a serem quitadas em 12 e 24 meses após o fechamento.

No negócio, a Petrobras exerceu o chamado direito de preferência. Isso significa que, por ser sócia do empreendimento, a empresa brasileira pôde igualar uma proposta de compra feita por outra empresa, a Brava Energia, uma das principais operadoras independentes de óleo e gás no país, criada em 2024, com a junção da 3R Petroleum e a Enauta.

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Dessa forma, a Petrobras teve preferência diante do negócio que a Brava Energia tinha anunciado em 15 de janeiro de 2026.

O campo de Tartaruga Verde e o Módulo III de Espadarte estão localizados na porção sul da Bacia de Campos, em lâmina d’água entre aproximadamente 700 metros e 1.620 metros.

Os dois já são operados pela Petrobras, por meio do navio-plataforma Cidade de Campos dos Goytacazes, com produção atual de cerca de 55 mil barris de óleo por dia.

De acordo com a Petrobras, a aquisição apresenta “condições econômico-financeiras atrativas, adiciona flexibilidade decisória na gestão de portfólio da companhia.”

A empresa afirma que a compra está “em consonância” com o plano de negócios, “reforçando o direcionamento estratégico voltado ao segmento de óleo e gás, com disciplina na alocação de capital, resiliência econômica e ambiental, mitigação de riscos e priorização de ativos com maior potencial de geração de valor aos acionistas”.

A conclusão da operação está sujeita ao cumprimento de condições precedentes previstas no contrato de compra e venda, incluindo a aprovação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O interesse da Petrobras nos campos está no sentido contrário do movimento da companhia no governo Bolsonaro. Em 2019, ao anunciar a venda para a Petronas, a Petrobras negociou Tartaruga Verde e do Módulo III do Espadarte por US$ 1.293,5 milhões. À época, Tartaruga Verde produzia cerca de 103 mil barris de óleo por dia, e o Módulo III tinha previsão de início em 2021.

Ao justificar a venda, a então direção da Petrobras informou que “a transação está alinhada à otimização do portfólio e à melhora de alocação do capital da companhia, visando à geração de valor para os nossos acionistas”.

O movimento de aquisição da Petrobras ocorre em cenário de alta do preço do petróleo no mercado internacional, que supera US$ 100 o barril do tipo Brent (referência global). Essa cotação representa salto de 70% no ano. O motivo para a escalada no preço é a guerra no Irã.

Na última sexta-feira, a Petrobras anunciou reajuste no preço do diesel. Segundo a companhia, o efeito ao consumidor final será suavizado por medidas anunciadas pelo governo na véspera, com redução de tributos incidentes na venda do combustível.

Agência Brasil

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