Petroguerra

Diferentemente do engenheiro Carlos Guerra – que em 2006 criou e administra até hoje em Mossoró (RN) a Petrosal Serviços Industriais Ltda. – o registro dos endereços na Internet com o nome da futura estatal de petróleo (www.petrosal.com.br e www.petro-sal.com.br) são bem recentes. Informações do Registro.Br (responsável por registrar domínios de sites em todo o Brasil) mostram que os endereços foram registrados em 2008 por um morador de Piracicaba (SP). Já em maio deste ano uma empresa de São Luís (MA) registrou o endereço www.petrossal.com.br. Nenhum dos três sites está no ar.

Lições da crise
O crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre, em relação aos primeiros três meses de 2009, deveria ser recebido em contrição pelos arautos dos cortes de gastos públicos não-financeiros. Foram justamente a elevação do gastos públicos, que implicou a redução do superávit primário, aliada à tímida queda da taxa básica de juros (Selic) que permitiram ao Brasil sair da recessão.
Sair da recessão, porém, não significa retomar o crescimento. Para isso, é preciso radicalizar a remoção do entulho fiscal e monetário que manteve o país no medíocre crescimento médio anual de 2,2%. Celebrar a saída da recessão retomando a política de transferência de recursos para o pagamento do Bolsa Juros e engessando ou voltando a elevar a Selic são o caminho mais rápido para empurrar o país de volta para a recessão e cortar qualquer perspectiva efetiva de desenvolvimento.

Ode à mediocridade
Só quem se contenta com um país anos aquém de seu potencial pode comemorar a projeção de crescimento de 3% a 4% no ano que vem, após o tropeço de 2009. Crescer na crise é um alívio, mas países que têm mais ambição e visão de longo prazo vão alcançar taxas superiores a 5%, como China e Índia. Para o Brasil sobra a incapacidade de ao menos incorporar os milhões de jovens que chegam ao mercado de trabalho anualmente. Quem hoje comemora comunga – ainda que velada ou inconscientemente – da tese do “crescimento potencial”, que limita a 3%, no máximo 4%, a capacidade do Brasil crescer.

Questão de vizinhança?
Tem bons argumentos quem considera que a visita do Fisco argentino à sede do Grupo Clarin, em Buenos Aires, representa alguma forma de intimidação contra aquela empresa, assim como também os têm os que advogam que empresas de comunicação não podem ter privilégios em relação a suas obrigações tributárias. Mais difícil é entender a posição dos  setores da mídia tupiniquim que viram na visita da Receita Federal à Folha de S. Paulo, durante o breve Governo Collor, um ato normativo ordinário e, agora, quando o alvo é um grupo argentino, tratam o mesmo procedimento como intimidatório. Decidam-se senhores!

Questão de interesse?
Será que a defesa da livre concorrência termina nas cercanias dos interesses das grandes empresas de comunicação?

Café com leite
Minas fincou bandeira na Paulista. Mas não foi, como poderia parecer à primeira vista, Aécio Neves que invadiu o rincão de José Serra. A guera é por turistas. No estratégico endereço de Rua Minas Gerais com Avenida Paulista, na região de Higienópolis, o governo mineiro inaugura nesta segunda-feira o Espaço Minas Gerais, um centro de referência para que agentes e operadores de viagens, empresários e executivos do principal pólo de negócios da América Latina possam conhecer as potencialidades econômicas, turísticas e culturais de Minas.

Futuro&presente
Veterano participante de jornadas nacionalistas, como a do “Petróleo é nosso”, o jornalista Mauro Santayna vê aproximações entre os ataques do passado à criação da Petrobras e o incômodo causado pela proposta de regulamentação da exploração do pré-sal. Para Santayana, “todos os argumentos dos oposicionistas não dissimulam os interesses que se encontram por detrás de seus atos”: “Tal como no passado, começam a surgir institutos, associações e movimentos, com seus “consultores”, para contestar o controle da exploração do petróleo pelo Estado. Há quem diga que o petróleo não tem futuro. Se não tem futuro, tem presente. É pelo petróleo que os norte-americanos estão matando e morrendo no Iraque e no Afeganistão.”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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