Petroleiros vão recorrer da decisão da 1ª Turma do STF

Reanálise do julgamento, com base, em especial, na ausência de constitucionalidade da matéria

447
Petroleiros em plataforma
Petroleiros em plataforma (Foto Stérfeson Faria - Ag Petrobras)

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos vão recorrer da decisão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tomada na última sexta-feira (10), favorável por 3 a 1 votos ao recurso da Petrobras contra a correção da Remuneração Mínima por Nível e Regime (RMNR) da categoria petroleira.

O julgamento da ação trabalhista, por meio virtual, aconteceu entre os dias 3 e 10 de novembro, retomando, assim, o trâmite suspenso em junho, em função de pedido de vistas do ministro Dias Toffoli. O ministro acabou por manter seu voto original a favor da petrolífera.

O advogado Marthius Sávio Lobato, que representa as entidades petroleiras no processo que corre no STF, adianta que “o recurso a ser impetrado pelos trabalhadores visa a reanálise do julgamento, com base, em especial, na ausência de constitucionalidade da matéria”. Segundo ele, o recurso ocorrerá após a publicação do acórdão dos ministros, que poderá demorar de sete a quinze dias. O direito às diferenças salariais da RMNR é pleiteado há cerca de 15 anos pelos trabalhadores.

“A FUP e seus sindicatos sempre buscaram uma solução de consenso, por meio de negociação e acordo, tendo, inclusive, apresentado pauta de reivindicação para criar comissão especial para negociar esse conflito que atinge diretamente a segurança, a saúde e o meio ambiente do trabalho.

Espaço Publicitáriocnseg

A insistência da Petrobras em não negociar, em não reconhecer que aplicou a cláusula da RMNR de forma equivocada, e não excluir a periculosidade da base de cálculo da remuneração prejudica a categoria petroleira”, afirma o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Para ele, a manutenção da postura intransigente da Petrobras, avessa à negociação da matéria, reflete a cultura bolsonarista que ainda existe na empresa. “Vamos continuar lutando contra isso”, diz Bacelar.

Na sessão virtual, a 1ª Turma do STF, composta por cinco ministros, analisou os recursos da Petrobras contra decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que, por 13 votos a 12, havia condenado a estatal a corrigir as remunerações de 51 mil servidores ativos e inativos.

O julgamento no STF já tinha maioria de 3 a 1 a favor da empresa, mas foi interrompido em junho e retomado neste início de novembro. O ministro Dias Toffoli tinha votado a favor da Petrobrás no ano passado. Mas, ao pedir vistas, gerou a expectativa de que poderia revisar seu entendimento e acompanhar o voto da ministra Rosa Weber (agora aposentada) a favor dos petroleiros. Na ocasião, além de Toffoli, os ministros Alexandre de Moraes (relator) e Cármen Lúcia votaram a favor da estatal. O ministro Luís Roberto Barroso se declarou impedido.

Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui