Petróleo impulsiona mercados globais, mas coronavírus segue em alerta

Bolsas sobem após Trump comentar esperar resolução rápida em guerra de preços no petróleo entre Rússia e Arábia Saudita.

Opinião do Analista / 11:12 - 2 de abr de 2020

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O Ibovespa caiu 2,8% ontem, aos 70.966 pontos, seguindo o desempenho dos mercados internacionais, que continuam refletindo as preocupações com o aumento dos casos de coronavírus.

Nesta manhã, Bolsas internacionais voltam a subir após Donald Trump comentar que espera uma resolução rápida para a guerra de preços no petróleo entre a Rússia e a Arábia Saudita, e China anunciar que aumentará suas reservas da commodity. Futuros do S&P 500 nos EUA sobem 1,8%, e bolsas na Europa +0,4%, enquanto mercados asiáticos tiveram desempenho misto; China +1,6%, Hong Kong 0,8% e Japão -1,4%. O índice de volatilidade VIX recuou para os 53 pontos, e preços de petróleo operam em alta de +10%, com o Brent aos US$27,44/barril e o WTI em US$22,34/barril.

Nos EUA, dados do setor privado mostraram que em março foram eliminados 27 mil postos de trabalho, melhor que o esperado de acordo com as expectativas do mercado, que apontavam para a destruição de 150 mil vagas. Em fevereiro haviam sido criados 183 mil empregos no setor privado da maior economia do mundo. Hoje a atenção se volta à divulgação dos dados de pedidos de seguro-desemprego, que são um indicador de mais alta frequência (semanal) para monitorar o estado do mercado de trabalho e amanhã será divulgado o Payroll (criação de postos de trabalho) e taxa de desemprego de março.

No Brasil, o governo publicou ontem a medida provisória com foco na manutenção do emprego formal. O programa anunciado permite a redução por até três meses da jornada e do salário por faixas, de 25%, 50% e 70%, e a suspensão do contrato por até dois meses. A perda de renda será compensada parcialmente pelo governo, que injetará R$ 51,2 bilhões.

Em dia de anúncios, a Receita também adiou a entrega de declaração de Imposto de Renda, zerou também por três meses o IOF nas operações de crédito e anunciou o adiamento do pagamento do PIS/Pasep, Cofins e da contribuição patronal à Previdência de abril e maio para agosto e outubro.

Na Câmara, deputados aprovaram o projeto que prevê a suspensão da contribuição previdenciária patronal por três meses, além de texto para assegurar que o repasse do governo para o fundo de estados e municípios não seja inferior ao de 2019. Ambos seguem ao Senado. Foi aprovado também, pelos senadores, projeto que inclui outras categorias no "coronavoucher".

Além disso, os deputados começaram a discutir a PEC do Orçamento de Guerra e da autorização para compra de títulos pelo Banco Central. Durante as negociações, a PEC passou por modificações que diminuíram, em grande medida, os poderes do BC para atuar na contenção dos efeitos do coronavírus no Brasil. De acordo com a nova versão, o BC terá poderes limitados para emitir dinheiro e comprar títulos privados, e não poderá adquirir títulos públicos, sob a justificativa de evitar que a emissão de moeda volte a ser utilizada para financiar déficits públicos. O texto deve começar a ser analisado na próxima sexta-feira.

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