PF prende Garotinho; ex-governador acusa delegado e promotor

Rio de Janeiro / 09:46 - 16 de nov de 2016

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Policiais federais da Delegacia de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, prenderam por volta das 10h da manhã o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho (PR). Segundo a Polícia Federal, a prisão faz parte de investigações relativas ao uso do programa Cheque Cidadão, do município de Campos, para compra de votos. A prisão se deu em cumprimento a um mandado expedido pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da Justiça Eleitoral da cidade. A Operação Chequinho investiga o uso eleitoral do programa; a superintendência da PF em Campos informou ainda que, ao longo do dia, dará mais em aberto e novas prisões poderão ser efetuadas. A Operação Chequinho foi deflagrada no último dia 19 de outubro, quando foram presos os vereadores Miguel Ribeiro Machado e Ozéias Martins, que, segundo a PF, eram responsáveis por recolher documentos para o cadastramento dos eleitores no programa. Na segunda fase da operação foi presa em Copacabana, também na Zona Sul, a vereadora eleita Linda Mara Silva (PTC), ex-assessora particular da prefeita de Campos, Rosinha Garotinho (também do PR). Foram presas a ex-secretária de Desenvolvimento Humano e Social, Ana Alice Alvarenga, e a radialista Beth Megafone. Várias outras pessoas, em sua maioria políticos, também já foram presas em decorrência da mesma operação, inclusive a ex-coordenadora do Cheque Cidadão, Gisele Koch; e o vice-presidente da Câmara, Thiago Virgílio, que já estava afastado de suas funções. Segundo informações da Delegacia Federal de Campos, Garotinho foi preso em sua casa, na Rua Senador Vergueiro, no bairro do Flamengo (Zona Sul da cidade do Rio). Além de ex-governador, Garotinho também foi deputado federal e prefeito de Campos; atualmente, é secretário de Governo da cidade. Em nota, o Departamento da Polícia Federal em Campos, ao confirmar a prisão do ex-governador, disse ter cumprido hoje dois mandatos judiciais contra o atual secretário de Governo da prefeitura de Campos. O primeiro foi o de prisão preventiva e o segundo de busca e apreensão em um imóvel de Garotinho, onde ele foi preso. Na nota, a PF afirma que a diligência faz parte da Operação Chequinho, "que investiga a ação de uma associação criminosa montada com o objetivo de fraudar as últimas eleições no município". Por telefone, a Polícia Federal em Campos dos Goytacazes informou à Agência Brasil que o ex-governador será conduzido ainda hoje para aquele município e que outras prisões ainda poderiam ser feitas uma vez que a operação "continuava em aberto". Outro lado - No Blog do Garotinho, texto assinado pelo moderador Luis Filipe Melo diz que "os leitores do blog vêm acompanhando há vários dias as denúncias que Garotinho vem fazendo sobre manobras do delegado federal Paulo Cassiano e do promotor Leandro Manhães para acusá-lo por atos que não cometeu e em eleição que não foi candidato. Garotinho afirmou no blog que não há provas, a não ser depoimentos de pessoas que foram coagidas a dizer ao delegado que havia participação política no programa, pois senão ficariam presas. O Brasil vive em momento país estranho. Enquanto Sérgio Cabral e a turma da Lava Jato continuam soltos depois de roubarem milhões do povo brasileiro, Garotinho e o governo de Campos, que sempre procuraram olhar pelos mais pobres, são perseguidos e injustiçados. Os advogados de Garotinho estão ingressando na Justiça para reverterem essa situação. Quem acompanha este blog sabe que o que está por trás disso. Garotinho vem denunciando a fraude na eleição de Campos há várias semanas e fez representação na Procuradoria-Geral da República denunciando altas autoridades do Estado por envolvimento na Lava Jato. É bom deixar claro que Garotinho não é acusado de desvio de dinheiro público, nem por ato de improbidade. Mais tarde daremos novas informações". Advogados falam em arbitrariedade - A prisão Garotinho "é arbitrária, ilegal e baseada em fatos que não ocorreram". A afirmação foi feita à Agência Brasil pela assessoria de imprensa da prefeitura daquele município. Segundo a nota em resposta a um pedido da agência, e atribuída ao escritório de advocacia que atende ao ex-governador e ex-deputado federal Anthony Garotinho, "estão sendo tomadas as medidas cabíveis e, em breve, ele terá a sua liberdade restabelecida". O criminalista Fernando Augusto Fernandes, responsável pela defesa de Garotinho, afirmou, também em nota, que o decreto de prisão ocorrido em razão de decisão da 100ª Vara Eleitoral de Campos vem na sequência de uma série de prisões ilegais decretadas por aquele juízo e suspensas por decisões liminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "A prisão a qual está submetido o ex-governador é abusiva e ilegal e decorre de sua constante denúncia de abusos de maus tratos a pessoas presas ilegalmente naquela comarca. Estas denúncias de abuso foram dirigidas à Corregedoria da Polícia Federal e ao juiz, que nenhuma providência tomou", diz na nota o criminalista. Segundo ele, pessoas presas mudaram vários depoimentos após ameaças do delegado da Polícia Federal que conduz o caso. O nome dele não foi revelado. "No entanto, o TSE já deferiu quatro liminares por prisões ilegais. A Justiça certamente não permitirá que este ato de exceção se mantenha contra Garotinho", diz. O advogado adiantou, ainda, que a defesa irá ingressar com habeas corpus ainda hoje visando à liberdade de Garotinho. Com informações da Agência Brasil

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