PF prende principal fornecedor nos governos Witzel e Cabral

Além de Mário Peixoto, também foi preso o ex-presidente da Alerj, Paulo Melo, pela segunda vez.

Rio de Janeiro / 14:26 - 14 de mai de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Principal fornecedor dos governos Sérgio Cabral (MDB) e Wilson Witzel (PSC), o empresário Mário Peixoto foi preso hoje pela manhã pela Polícia Federal, na Operação Favorito, um braço da Lava-Jato no estado. Os dados são da revista "Veja".

Segundo a revista, "de acordo com as investigações, Peixoto e outros alvos da força-tarefa, entre eles o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Paulo Melo (MDB), são acusados de participarem de uma organização criminosa que desviou dinheiro dos cofres públicos em compras superfaturadas na área de saúde."

Mário Peixoto também é fornecedor do governo federal. Ele foi delatado por Jonas Lopes Neto, filho do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) Jonas Lopes.

Paulo Melo também foi um dos presos hoje. A operação da PF apura fraudes em contratos de terceirização de mão de obra nos últimos 10 anos no Estado do Rio, inclusive durante a pandemia de coronavírus. Além de Melo, também foram cumpridos outros quatro mandados de prisão preventiva. A operação Favorito é um desdobramento das operações Quinto do Ouro e Cadeia Velha.

De acordo com as investigações, a organização criminosa teria inclusive aproveitado a situação de calamidade ocasionada pela pandemia, que autoriza contratações emergenciais e sem licitação, para obter contratos milionários de forma ilícita com o poder público.

"Além disso, constatou-se, através de diálogos interceptados em março e abril de 2020, que a organização criminosa vinha destruindo provas e realizando ações de contrainteligência", diz o MPF.

Segundo as investigações, os criminosos usaram cooperativas de trabalho e organizações sociais para permitir a lavagem de recursos públicos indevidamente desviados e disfarçar o repasse de valores para agentes públicos envolvidos no esquema.

A advogada Patrícia Proetti, que faz a defesa do ex-deputado, disse que sua prisão "mostra-se absolutamente descabida e atemporal" uma vez que o inquérito policial que apura possível conduta criminosa de outro investigado e supostas compras superfaturadas para montagem de hospital de campanha nada tem a ver com o ex-parlamentar.

No dia 20 de março, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio autorizou Paulo Melo a cumprir seu regime semiaberto inteiramente em prisão domiciliar, sem necessidade de retornar ao presídio enquanto houver a pandemia do novo coronavírus, conforme decisão da Vara de Execuções Penais.

 

Melo já havia sido preso em 2017, no âmbito da Operação Cadeia Velha, e depois condenado por envolvimento em um esquema de corrupção com empresas de ônibus.

 

Com informações da Agência Brasil

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor