PIB fica praticamente estável no terceiro trimestre: 0,1%

Economista projeta para 2026 condições financeiras ainda restritivas e desaceleração global

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Claudia Dionísio, gerente de Contas Trimestrais do IBGE (foto da Agência de Notícias IBGE)
Claudia Dionísio, gerente de Contas Trimestrais do IBGE (foto da Agência de Notícias IBGE)


No terceiro trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto do país variou 0,1% frente ao trimestre anterior, na série com ajuste sazonal. Embora a agropecuária (0,4%) e a indústria (0,8%) tenham mostrado variações positivas nessa comparação, o setor de serviços, que tem maior peso na economia, ficou praticamente estável (0,1%). Os dados foram divulgados hoje nas Contas Trimestrais do IBGE.

Em valores correntes, o PIB no terceiro trimestre chegou a R$ 3,2 trilhões. O valor adicionado dos três grandes segmentos da economia foi de R$ 176,2 bilhões para a agropecuária, R$ 682,2 bilhões para a indústria e R$ 1,9 trilhão para os serviços.

A taxa de investimento no terceiro trimestre de 2025 foi de 17,3%, o que representa uma ligeira redução em relação ao mesmo período de 2024 (17,4%). Já a taxa de poupança foi de 14,5%, igualando a taxa (14,5%) do mesmo período de 2024.

Frente ao trimestre imediatamente anterior, três atividades de Serviços mostraram as maiores taxas de crescimento: transporte, armazenagem e correio (2,7%) informação e comunicação (1,5%) e atividades imobiliárias (0,8%). No entanto, o comércio (0,4%) administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,4%) e outras atividades de serviços (0,2%) tiveram variações inferiores a 0,5%, enquanto as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados recuaram (-1%). O resultado final foi a estabilidade do setor de serviços na comparação com o trimestre anterior.

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Para Claudia Dionísio, analista das Contas Trimestrais do IBGE, “o grande escoamento de produção de commodities, decorrente do bom desempenho da extrativa mineral e da agropecuária, contribuiu positivamente para a atividade de transporte, armazenagem e correio”.

Na indústria, houve alta nas indústrias de extrativas (1,7%), na construção (1,3%) e nas indústrias de transformação (0,3%), e queda em eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-1%).

Pelo lado das despesas, o consumo das famílias (0,1%) ficou praticamente estável e o consumo do governo cresceu 1,3%, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo subiu 0,9% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, o PIB cresceu 1,8% no terceiro trimestre de 2025. Grande parte desse avanço se deve à agropecuária, que cresceu 10,1% em relação a igual período de 2024, puxada por aumentos acima de 10% na produção de três culturas com safras significativas no terceiro trimestre: milho (23,5%), laranja (13,5%) e algodão (10,6%). Em contrapartida, a produção de cana de açúcar (-1%) recuou.

Na mesma comparação, a indústria cresceu 1,7%, puxada pela alta de 11,9% nas indústrias extrativas, com a maior extração de petróleo e gás. A construção também cresceu (2%). Por outro lado, houve quedas nas indústrias de transformação (-0,6%) e em eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-1%).

O setor de serviços (1,3%) avançou frente ao mesmo período de 2024. Os principais resultados positivos vieram de Informação e comunicação (5,3%), transporte, armazenagem e correio (4,2%) e Atividades imobiliárias (2%). Segundo a analista do IBGE, “as atividades de agropecuária e extrativa mineral, com menor sensibilidade à política monetária contracionista, foram as que tiveram as maiores altas, tanto na comparação interanual quanto no acumulado no ano”.

Na ótica da demanda interna, o consumo das famílias teve sua 18ª variação positiva (0,4%) seguida, enquanto o consumo do governo cresceu 1,8%. Claudia lembrou que a variação de 0,4% do consumo das famílias foi a menor desde o primeiro trimestre de 2021, ainda durante a pandemia de Covid-19″. Já a Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 2,3% no terceiro trimestre de 2025, com as altas na construção, na importação de bens de capital e no desenvolvimento de software, apesar da queda na produção de bens de capital.

Já segundo Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, “apesar de o resultado ter vindo abaixo da nossa expectativa, que apontava ligeira aceleração, a leitura qualitativa confirma o quadro de moderação observado em indicadores de alta frequência ao longo do trimestre.”

“Pelo lado da oferta, o desempenho foi heterogêneo. A agropecuária cresceu 0,4%, apoiada principalmente na resistência de algumas cadeias produtivas. A indústria também avançou 0,8%, impulsionada pela retomada do setor extrativo e por ajustes pontuais em linhas de produção. Entretanto, o setor de serviços, que concentra a maior parcela do PIB, apresentou alta modesta de 0,1%, sinalizando arrefecimento da demanda doméstica e confirmando o movimento recente de desaceleração do consumo”, avalia.

Ainda segundo ela, “diante desse quadro, o quarto trimestre deve registrar expansão de 0,2%, o que motivou a revisão das projeções para 2025 e para os anos subsequentes. Assim, passamos a projetar crescimento anual de 2% para o fechamento deste ano, compatível com o carrego estatístico ainda elevado e com o desempenho favorável dos setores agropecuário e extrativo, mas já refletindo a estabilidade dos serviços e a composição menos favorável da demanda que marcaram o terceiro trimestre de 2025.”

“Para 2026, passamos a projetar crescimento de 1,7% para 1,5%, refletindo condições financeiras ainda restritivas, desaceleração global e um ciclo de investimentos relativamente contido. Já para 2027, mantemos expectativa de expansão moderada, de 1,4%, em linha com um ambiente de juros estruturalmente mais elevados e um consumo que tende a crescer de forma mais gradual.”

Com informações da Agência de Notícias IBGE

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